Ex-The Voice Kids João Pedro Chaseliov é Pinóquio no musical Shrek

Aos 14 anos, ator mostra talento e determinação de gente grande


  • 07 de setembro de 2019
Foto: Rosane Rebelo


Por Luciana Marques

Aos 14 anos, João Pedro Chaseliov tem um currículo considerável nos palcos, principalmente no teatro musical. Ex-participante da temporada 2019 do The Voice Brasil Kids, ele atuou em montagens como Pequena Miss Sunshine, Nobre Arte de Bater a Porta e fez uma participação em Beatles Num Céu de Diamantes. Agora, o ator está em cartaz como o Pinóquio no musical Shrek, no Teatro Clara Nunes, no Rio. “Com ele vieram novos desafios e muito aprendizado, começando pela voz”, conta.

Sobrinho da grande atriz Ada Chaseliov, ele leva no DNA a mesma paixão da tia pelas artes. Tanto que até em dias de folga, ele vai ao teatro. Em junho, finalizou o curso de prática de montagem teatral, ministrado por Charles Möeller e Claudio Botelho. No fim das aulas, a turma montou e apresentou o clássico O Despertar da Primavera. Na contramão de muitos adolescentes, João mostra determinação e foco no que se propõe a fazer. E quando pensa no futuro, sonha alto: “Quem sabe atuar na Broadway?”. Mas mais do que isso, ele quer tocar as pessoas com a sua profissão. “Sei o quanto a arte é capaz transformar”, afirma ele.

Como está sendo a experiência de atuar no musical Shrek como o Pinóquio? Estou muito feliz. O personagem Pinóquio é diferente de tudo que já fiz. Com ele vieram novos desafios e muito aprendizado, começando pela voz. Pela primeira vez, vou falar/cantar com a voz que construí especialmente pro personagem. Toda equipe, diretores, elenco e produção, é muito talentosa, dedicada e unida. Somos uma grande família. Tenho certeza de que o público irá se surpreender com a qualidade e beleza do espetáculo. 

Foto: Rosane Rebelo

De que forma tem se preparado, assistiu a desenhos do personagem, afinal ele é um boneco, de madeira, tem trejeitos. Como tem sido os estudos? Assisti a diversas versões dos mais variados espetáculos no mundo, além dos filmes. Aos poucos fui construindo o meu Pinóquio. Fiz uma ficha com detalhes do personagem. Fui observando o que ele sentia em cada uma das cenas e os motivos de se sentir daquela forma, além da maneira como tudo isso refletia nas suas atitudes. Voz e corpo do Pinóquio são bem característicos. Tive que me dedicar muito pra encontrar o meu Pinóquio. O que posso dizer é que valeu o esforço porque estou muito satisfeito com ele. Espero que o público curta tanto quanto eu. 

Mesmo novo, você já fez trabalhos bacanas no teatro musical. Por que curte tanto esse gênero? Minha brincadeira preferida na infância era, ou fazer teatro ou cantar ou os dois juntos. Meus pais me colocaram numa escolinha de futebol e lembro que ficava doido pra chegar a hora do intervalo, pois corria pra arquibancada pra fazer uma apresentação qualquer pros meus pais. Então, antes mesmo de saber o que era de fato teatro musical, já era apaixonado pelo gênero. E com o tempo só confirmei a minha intuição. O teatro musical me proporciona fazer duas das coisas que mais amo na vida: cantar e atuar. Como não me apaixonar? 

João em Audição às Cegas do The Voice Brasil Kids

Quem são suas inspirações no teatro musical? Nossa, que pergunta difícil. Tem tanta gente que  admiro... Com alguns já tive a sorte de trabalhar, outros, espero um dia, quem sabe na Broadway (risos). Vou falar então das inspirações que me apresentaram ao teatro musical, muito antes de imaginar que seria parte de mim. A minha primeira lembrança foi aos três aninhos, assistindo ao musical A Noviça Rebelde, de Charles Möeller e Cláudio Botelho. Minha tia avó fazia a governanta Frau Schmidt. Fiquei tão impactado que, segundo a minha mãe, nem me mexia na cadeira, além de ter saído cantando as melodias. De lá pra cá, 11 anos se passaram. Depois de assistir diversos musicais da dupla e muitos dos espetáculos com minha tia em cena, tenho certeza de que o trio Ada-Charles-Cláudio foi e será pra sempre uma grande inspiração. 

Que balanço faz de sua participação no The Voice, o que leva de aprendizado para a sua vida? Fiquei muito satisfeito com as minhas apresentações e repercussão. Recebi muito carinho dos técnicos e reconhecimento do público. Além disso, minha audição às cegas foi escolhida como uma das cinco melhores do mundo, no mês de fevereiro, pelo The Voice Global. Apesar de ser uma competição, torcíamos sempre uns pelos outros. O programa tinha regras e sabíamos que nem todos seguiriam adiante, e isso de forma alguma significaria medida de talento. Acho que por já ter 13 anos quando entrei no programa, fui preparado pra qualquer situação. Confesso que fiquei decepcionado por não cantar ao vivo. Tudo que um artista de teatro musical mais ama, né? Mas isso não foi nada diante das amizades que construí lá dentro, além do amadurecimento pessoal. 

Como se divide entre estudos e trabalho? A logística não é nada fácil. Além da escola e cursos complementares, sempre estou investindo em cursos relacionados à profissão. Sem falar em testes, gravações e ensaios e mais ensaios. Não existe sábado, domingo ou feriado. Eu tenho que ter muita organização. Não posso deixar pra estudar apenas na véspera da prova. Qualquer tempo livre, por menor que seja, tenho que aproveitar. Meus pais incentivam a minha arte desde sempre, mas a escola tem que ser prioridade. 

Parceria de João com Isa Lima, participante da mesma ediçao do reality

O que mais curte fazer nas horas de folga? Pode acreditar, cantar e ir ao teatro assistir aos amigos (risos). 

Quando se começa a trabalhar cedo, tem que se abdicar de alguma coisas, surgem as responsabilidades. Como é isso pra você, tira de letra, é centrado, determinado? Sou extremamente determinado. Se estou envolvido com um trabalho, faço da melhor forma possível, me entregando de corpo e alma. Levo sempre muito a sério e, claro, acabo deixando de fazer programas, viagens.  Mas isso não é nenhum sacrifício pois a paixão pelo que faço é enorme. O amadurecimento vem com as responsabilidades. Eu sei o que eu quero e o que me faz feliz, e acho um privilégio essa descoberta tão cedo na minha vida.

Quais os seus sonhos como artista? Quero participar de vários musicais, além de experiências em TV e cinema. Quero também estudar fora, provavelmente, Londres ou NY. E sonhando ainda mais alto, quem sabe um musical na Broadway. De uma forma ou de outra, quero viver levando arte para pessoas. Sei o quanto a arte é capaz transformar.

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