Estrela de musicais, Reiner Tenente fará clássico: “Sonho de 17 anos”

Ele, que fez Cantando na Chuva, produz e atua em nova adaptação de Company, de 1970


  • 24 de janeiro de 2018
Foto: Tassio Ramos


Um dos principais nomes do teatro musical, Reiner Tenente, que até o fim de 2017 estava em cartaz com Cantando na Chuva e vai atuar em Musical Popular Brasileiro, prepara-se para realizar um sonho nos palcos ainda esse ano. O ator adquiriu os direitos para produzir o clássico Company, musical de 1970, de George Furth e Stephen Sondheim, com 14 indicações ao Tony Award, ganhando seis troféus, entre eles melhor musical, libreto e música.

Esse forte desejo de Reiner de encenar a montagem surgiu quando ele tinha 20 anos e assistiu a versão feita pela dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, que interpretava o persongem principal, Bobby, no extingo teatro Villa-Lobos, no Rio. “Vi duas vezes, comprei programa, CD, e, de tanto ouvir, decorei todas as músicas. Desde então, tenho o desejo de fazer. Naquela época, era algo muito distante”, lembra.

O ator no musical Cantando na Chuva. Foto: Divulgação

Mas com o passar dos anos e o seu envolvimento com a produção de musicais, além de ser ator, ele criou o CEFTEM (Centro de Estudos e Formação em Teatro Musical). “Aí comecei a perceber que o sonho podia se tornar real. Entrei em contato com a MTI (Music Theatre International), empresa que cuida dos direitos dos espetáculos de Sondheim, comecei a negociação em 2016 e, no início desse ano, comprei os direitos para produzir”, contou Tenente. Nos últimos anos, ele emendou espetáculos como Tim Maia – Vale Tudo, O Musical, O Grande Circo Místico, Billac vê Estrelas, O Primeiro musical a gente nunca esquece e A reunificação das duas coreias.

Em Tim Maia, o Musical. Foto: Caio Gallucci/Divulgação

Em Company, o ator dará vida ao protagonista Bobby, um rapaz solteiro, incapaz de manter um relacionamento. A peça conta com cinco casais, melhores amigos dele, e as suas três namoradas. Temas como casamento e solidão são abordados na festa de aniversário de 35 anos de Bobby. A nova adaptação do musical está em fase de pré-produção e conta com time poderoso. A direção será de João Fonseca, sócio de Reiner no projeto e produtor ao lado de Joana Mendes, sócia de Tenente no CEFTEM; do cenógrafo Nello Marrezi; do diretor musical Tony Lucchesi; e de Claudio Botelho. “É um projeto muito pessoal e isso é sempre muito gostoso de fazer, eu ganhei esse presente do Reiner, pois é algo do coração dele e que ele está depositando nas minhas mãos”, ressalta João Fonseca.

Com elenco de Billac vê Estrelas. Foto:: Divulgação

Reiner, depois de anos com esse sonho, como está o coração para essa grande produção?

Tenho uma grande expectativa, já que este é um sonho de 17 anos, porém, independentemente do tamanho da produção e do teatro onde vai ser, eu quero que seja uma obra artística potente, feita por atores de excelência, que tenham uma alma de ator, uma alma de artista, uma consciência plena da função da arte. Todos os artistas envolvidos nesse projeto terão de ter isso, o pré-requisito é ter essa alma de artista, que é humanista, que faz a arte para o outro, para transformar o outro, para mudar o olhar dele, para fazer com que o outro possa pensar novas possibilidades e sair do teatro de forma diferente. A minha expectativa é muito mais em relação ao conteúdo artístico, do que se vai ser uma grande produção, com muito dinheiro ou com muita mídia, mas que seja uma obra extremamente potente.

Assuntos da montagem como relacionamento, casamento, solidão, são bem atuais, não?

Esses temas precisam ser constantemente discutidos para que determinadas situações evoluam. Existem questões a favor e contra os relacionamentos afetivos atualmente, e Company fala muito sobre essas questões de se ter, ou não, uma companhia. A tecnologia de hoje, tão imediatista, por meio da qual as pessoas se conhecem e se distanciam em uma velocidade tão grande, é quase cruel. Exemplos, são os encontros por meio de aplicativos em que no dia seguinte, muitas vezes, você nem lembra o nome da pessoa. Ao mesmo tempo, as relações que existem tendem a ser verdadeiras, pois não estamos mais em uma época em que precisamos casar com alguém para mostrar algo para a sociedade e podemos descasar sem medo de sermos rechaçados ou sofrermos algum preconceito como acontecia antigamente. Os relacionamentos são mantidos porque as pessoas têm o real desejo de ficarem juntas. Por causa de todas estas questões em torno das dores e delícias de se encontrar, de alguma forma, com o outro e no outro, eu acho muito importante discutir.



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