Elenco de Baixa Terapia: sintonia dentro e fora do palco


  • 05 de novembro de 2017
Foto: Divulgação


Por Ana Júlia

Um dos grandes motivos do sucesso da comédia teatral Baixa Terapia, segundo o próprio ator e também produtor da peça, Antonio Fagundes, é a qualidade do elenco. “Comediantes de primeira linha”, diz. A harmonia dos bastidores não poderia ser melhor. E não só pelo parentesco, já que atuam Mara Carvalho, ex de Fagundes, Bruno Fagundes, filho do ator, e Alexandra Martins, sua amulher. Completam o time, os já “adotados” pela família, Ilana Kaplan e Fábio Espósito"Não quer dizer nada, a gente poderia ter uma relação boa fora de cena e não se dar bem no trabalho. E isso não acontece!”, atesta Fagundes.

Na debochada peça, três casais chegam para sua sessão habitual de terapia e não encontram a psicóloga. Mas ela deixa envelopes, com passo a passo, de como eles devem conduzir a sessão. Imaginem o que não acontece no palco... A garantia é de risadas durante uma hora e meia, apesar de tocar em assuntos que, com certeza, o público se identificará. Os pares são são formados por Ariel (Antonio Fagundes) e Paula (Mara Carvalho), Estevão (Bruno Fagundes) e Tamara (Alexandra Martins) e Roberto (Fábio Espósito) e Andrea (Ilana Kaplan). Depois do bate-papo com Fagundes, é a vez do Portal ArteBlitz conversar com esse estupendo elenco que completa o time campeão de Baixa Terapia.

Alexandra Martins

Qual o maior prazer de estar no elenco de Baixa Terapia?

O prazer de fazer teatro da melhor qualidade! O texto do Matias del Federico é fantástico, estou com elenco de feras e do coração e a maior gratificação é ver e sentir a satisfação do público. Essa é minha segunda peça profissional e a primeira vez que fico em cartaz tanto tempo. Estamos em cena faz 7 meses, não existe maior e melhor aprendizado para um ator que a repetição e a magia do teatro que andam de mãos dadas. Cada noite é especial, cada plateia contribui de uma maneira diferente e isso reflete diretamente no nosso trabalho, principalmente numa comédia.

Com tanta inovação no palco, surpresas para o público, o que essa peça soma a sua carreira?

Baixa Terapia é repleta de diferenciais! Fazemos 'Teatro 360 graus'. Nós abrimos os ensaios para o público desde o primeiro dia das leituras. Quando o elenco se reuniu pela primeira vez já tínhamos em torno de 100 pessoas na plateia. Fazemos sessões com acessibilidade para deficientes auditivos com intérprete de LIBRAS e tablets com legenda em português e para deficientes visuais com audiodescrição e também abrimos a visita aos bastidores da peça. É um ingresso especial que pode ser adquirido na bilheteria ou pelo site da Ingresso Rápido que dá direito ao público de chegar antes do espetáculo e passar 30 a 40 minutos com todo elenco num tour pelos bastidores. E ainda fazemos um bate-papo com a plateia depois das sessões. Essa peça é um marco na minha vida, artisticamente, operacionalmente e pessoalmente. 

"Essa peça é um marco na minha vida, artisticamente, operacionalmente e pessoalmente." (Alexandra Martins)

O que vocês mais tem ouvido do público ao final do espetáculo?

O final surpreendente realmente é um diferencial mas a maneira como o público se diverte durante uma hora e meia assistindo a 'DR' de três loucos casais faz com que eles saiam do espetáculo diferente de como entraram e isso é transformador. Ouvimos muito sobre esse diferencial de todo espetáculo pois não é uma comédia boba, é comédia rasgada mas que faz o público refletir sobre a vida do início ao fim.

Quais são os prós e contras de trabalhar em família, com seu marido, enteado?

Contras, nenhum! Como disse o Antonio nós carregamos nossa harmonia da vida pessoal para o trabalho, para os bastidores e deu muito certo. Eu já tinha trabalhado com o Antonio algumas vezes em TV e agora também produzimos e atuamos para o cinema. A Mara foi a primeira pessoa, diretora, autora, a me dar uma oportunidade no teatro profissional com a peça 'De corpo presente', em 2009. Com o Bruno é a primeira vez e está sendo ótimo. E durante todo o processo ganhamos a Ilana e o Fábio para a nossa família do coração! Na verdade, quando a cortina se abre as relações familiares ficam na coxia e o talento de todos eles transborda. Sou ali a menos experiente no teatro e minha admiração por eles só cresce. Porém posso confessar que poucas coisas eu quis (e quero) tanto na minha vida quanto fazer teatro, estar no palco com o Antonio. É um prazer inenarrável não só por seu meu marido, o que me traz toda segurança do mundo, mas também por esse incomparável e talentoso ator que ele é.

Bruno Fagundes

O que tem mais instigado você ao encenar Baixa Terapia?

O desafio de fazer uma comédia, a minha primeira, me instiga muito. É um personagem radicalmente diferente de mim, que tem um humor muito diferente do meu. Então preciso, diariamente, renovar os estímulos para que aquilo faça sentido para mim e fique verdadeiro para a plateia. Tem sido um desafio maravilhoso!

"Quando a cortina abre, não importa de quem sou filho, ou nenhum outro precedente. Sou um ator que tem a responsabilidade abençoada de estar em cena e fazer sua arte." (Bruno Fagundes)

Ser filho de um dos maiores atores brasileiros como o Fagundes mais ajuda ou atrapalha?

Não ajuda, nem atrapalha. Quando a cortina abre, não importa de quem sou filho, ou nenhum outro precedente. Sou um ator que tem a responsabilidade abençoada de estar em cena e fazer sua arte.

Quais os seus sonhos na carreira?

Não parar tão cedo. O céu não é o limite, é o começo!

Mara Carvalho

O que tem trazido de maior prazer a você ao encenar Baixa Terapia?

Estar no palco é a minha maior satisfação, é o coração pulsar, o prazer responsável de fazer arte. Baixa Terapia, em especial, me deu a oportunidade de compartilhar o palco e (bastidores) com pessoas maravilhosas. Profissionais com talento e, acima de tudo, gente do bem. É um texto dinâmico, engraçado e surpreendente, nada como entrar em cena fazendo um bom teatro.

"Ao entrar em cena, esqueço que somos família. São todos muito talentosos. Mas não posso negar que trabalhar com Bruno, meu filho, é um presente. Compartilhar seu olhar em cena, sorriso, me faz a mãe mais feliz do mundo!" (Mara Carvalho)

Trabalhar em família, com ex, filho, seu marido, Carlos, na produção, dá um prazer a mais?

Claro que sim! Mas posso garantir que, ao entrar em cena, esqueço completamente que estamos em família. Vejo ali um time de atores talentosos e competentes. Não posso negar que trabalhar com o Bruno, meu filho, é um grande presente. Compartilhar seu olhar em cena, sorriso, me faz a mãe mais feliz do mundo! (sim sou apaixonada por ele). Sem esquecer, claro, do Fagundes, quem me deu a oportunidade de trabalharmos juntos, além de ser um colega incrível! Trabalhar em família: Bruno, Fa, Alexandra, Carlos e o puxadinho, Ilana e Xepa, me dá muito prazer.

Nos debates sobre a peça o que vocês mais ouvem do público?

'Como é trabalhar em família?' é uma pergunta bem frequente. Também querem saber se mudamos o texto da peça a cada apresentação. Isso mostra como o público está distante do teatro. Existe um texto pronto, você compra os direitos e, ao fazer isso, assume um compromisso com aquele autor prometendo respeitar sua obra até o final da temporada. Mas sabemos que um povo que não recebe do estado educação adequada, não tem cultura. Então, continuamos lutando para mostrar nossa arte com o peito aberto. Disposto a tudo para cumprir a clássica promessa do 'casamento': na alegria e na tristeza continuo no palco, até que a morte nos separe!

Ilana Kaplan

Qual o maior prazer de atuar nessa peça?

O que mais me instiga e me desafia é o fato de minha personagem Andrea quase não falar. Foi um susto e um pânico logo que começamos a ensaiar, mas acabei construindo uma partitura física para ela. E ver que as pessoas conseguem ler esse desenho corporal de poucas palavras é um prazer enorme. Estar neste elenco é um presentaço da vida. São pessoas hiper talentosas, generosas e colegas excepcionais. Sem falar no Fagundes a quem acompanhava as peças há décadas, admirava muito e estou tendo a honra de estar com ele em cena. Um ator extraordionário e que joga a bola junto com todo mundo. Estar com todos eles fazendo um monte de gente gargalhar é um prazer indescritível.

"O que mais me desafia é o fato de minha personagem Andrea quase não falar. Foi um susto e um pânico logo que começamos a ensaiar, mas acabei construindo uma partitura física para ela." (Ilana Kaplan)

Como é fazer parte desse um elenco que é uma “grande família”?

Digo que eu e o Fabio Espósito somos uma espécie de puxadinho da família. Todos nos receberam de braços abertos e com toda amorosidade do mundo. São pessoas muito queridas com quem agora depois de intenso convívio tenho muita intimidade e me sinto tipo uma prima-irmã.

Fábio Espósito

O que tem somado a sua carreira encenar Baixa Terapia?

Baixa Terapia é a comédia teatral de maior sucesso atualmente no Teatro, ver a platéia lotada e saber que mais de 60 mil pessoas já viram o espetáculo é um prazer enorme e um privilégio para qualquer carreira.

"Ver a platéia lotada e saber que mais de 60 mil pessoas já viram o espetáculo é um prazer enorme e um privilégio para qualquer carreira." (Fábio Espósito)

Como é fazer parte de um elenco que é, literalmente, uma “grande família”?

Trabalhei como palhaço de circo onde, por tradição, famílias passam sua arte de geração em geração. Estar com os Fagundes é divertidíssimo: ficamos todos no mesmo camarim, rimos muito e fazemos os outros rirem. É sensacional fazer este trabalho nos dias atuais.

Baixa Terapia: Comédia. Teatro TUCA-Teatro da PUC-SP. Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes, São Paulo. Sex às 21h30, Sab às 20h00 e Dom às 19h00. Sex R$80, Sab R$100 e Dom R$90. Até 10/12



Veja Também