Carol Stofella festeja primeiro papel cômico no teatro”

Cria dos palcos, atriz está em cartaz com sucesso A Banheira em São Paulo


  • 25 de março de 2018
Foto: Divulgação


Por Luciana Marques

Com mais de 13 peças no currículo, Carolina Stofella, que é formada pela Casa das Artes de Laranjeiras, no Rio, comemora uma fase especial da carreira. Atualmente, a atriz vive nos palcos o seu primeiro papel cômico na peça A Banheira, em cartaz no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo.

A personagem é uma mulher com uma vida bem monótona até ser trancada no banheiro com uma trans e se encontrar no meio de uma confusão. “Estou adorando a oportunidade de me experimentar em outro lugar. E rir é fundamental!”, destaca.

No ano passado, a catarinense atuou no drama Alices, sobre mulheres violentadas e assassinadas pelos maridos, e em Enquanto as Crianças não Dormem, um antimusical tragicômico, que questionava até onde vale a pena ir por um sonho. “Acredito que a arte tem o poder de mexer com o outro; fazer pensar. É nosso dever”, ressalta.

Carol vive Karla na comédia A Banheira. Foto: Divulgação

Qual tem sido o maior prazer de atuar na peça A Banheira?

É minha primeira comédia e é gratificante levar alegria para o público e fazer as pessoas rirem. E rir é fundamental! Sei que durante essa uma hora e meia em que estão no teatro, seus problemas ficam do lado de fora. E eu estou adorando a oportunidade de me experimentar em outro lugar.

O que tem mais instigado você ao viver a personagem Karla?

Fazer a Karla é uma delícia. É uma personagem que tem um tom acima, engraçada, tem uma risada estranha. Mas também tem uma certa ingenuidade e é livre de julgamento. Ela vai vivendo a história, deixando acontecer. Às vezes, escuto as pessoas na plateia dizendo: - Ai meu Deus, lá vem a amiga louca! Eu me divirto em cena e até hoje descubro novas possibilidades.

Qual a mensagem que você acha que a peça passa ao público?

A peça tem uma mensagem de aceitação. De compreender e respeitar o outro do jeito que ele é. Estamos vivendo um momento tão triste de intolerância; de julgamento gratuito. Se conseguirmos fazer algumas pessoas na plateia pensarem sobre isso fico feliz. Acredito que devemos usar a arte para levantar questões, tocar o outro. Fazer o público refletir.

A veia cômica é algo que você já tinha ou está descobrindo?

Estou descobrindo que eu já tinha! Oba, eu sei fazer rir também!

Fazer humor é mais fácil ou difícil?

Fazer humor não é nada fácil. É preciso descobrir o tempo certo da piada, senão não funciona. Na Banheira, divido o palco com dois atores comediantes e aprendo com eles todos os dias. Preciso ficar ligada o tempo todo, pois, de repente acontecem improvisos e piadas inesperadas. Acho ótimo! Lidar com o inesperado é fascinante. Teatro é vivo.

Foto: Divulgação

Você começou no teatro. Atuar sempre foi uma paixão?

Eu nem sei de onde veio essa vontade, porque desde criança eu dizia que queria ser atriz. Ficava horas assistindo novelas e filmes e desejando estar lá vivendo aquelas histórias. Eu queria ser a amiga do E.T, (risos). No teatro, a mesma coisa. Desde criança eu pensava em estar lá no palco, e não na plateia. Quando tive a primeira oportunidade fui para o Rio estudar na CAL. É a minha base, foram três anos respirando arte intensamente. E desde que me formei estou no palco. Tenho paixão. Fico emocionada quando vejo um ator incrível atuando. É uma profissão muito difícil e instável e eu sempre corri muito atrás e tive oportunidades e pessoas que acreditaram no meu trabalho. Sou muito grata ao teatro por me sorrir sempre.

Acha que ainda tem aquele “preconceito” por ser só atriz de teatro ou só de TV, sente isso ou não existe mais?

A televisão exerce um fascínio sobre as pessoas. Então, acho normal que me perguntem se já fiz uma novela ou se quero fazer. Elas torcem para me verem lá. É um veículo que atinge um número enorme de telespectadores, chega em todos os cantos do país e isso é incrível. Uma novela consegue fazer um país inteiro discutir sobre a violência contra mulher, o preconceito ou o abuso infantil; ou ainda fazer com que empresas participem de campanhas para divulgar fotos de crianças desaparecidas... É claro que isso tem valor.

Como tem visto essa questão da crise da cultura, no Rio a situação está bem feia. Quem faz teatro hoje acaba sendo guerreiro, não?

Não é só no Rio. Está complicado para todo mundo. Sabemos que a cultura no nosso país não é valorizada. Alguns teatros estão fechando as portas. Essa é uma luta dos artistas que não conseguem viver sem isso, acreditam e não desistem. Mas não gosto de ficar lamentando. Vou atrás! No ano passado fizemos um espetáculo montado através de um financiamento coletivo. Foi lindo ver tanta gente envolvida acreditando num projeto, vibrando para que saísse do papel e se tornasse realidade. E cada projeto que fazemos é assim... Às vezes, temos patrocínio, mas muito mais vezes, não. O amor pelo ofício é muito maior que as dificuldades.

Quais os sonhos para a sua carreira?

Atuar. Atuar sempre. Amo o que eu faço. Tenho o privilégio de exercer minha vocação. Que venham novos personagens e desafios.



Veja Também