Bruna Spínola: "Homem ao Vento me põe em situações extremas”

Ela festeja Prêmio Shell da peça - atração no Festival de Curitiba - e atua em série e filme


  • 25 de março de 2019
Foto: Faya


Por Luciana Marques

*A entrevista também está disponível em vídeo, abaixo.

A atriz Bruna Spínola vive um momento especial na carreira. Depois de da participação como a Briana, em Orgulho e Paixão, em 2018, ela começa o ano vendo a peça Homem ao Vento, da qual faz parte do elenco, vencer o Prêmio Shell, edição São Paulo, na categoria Dramaturgia, para Marcos Damasceno. “Essa peça é um dos processos que eu mais gostei de participar", conta.

A montagem coloca o espectador em uma sala de ensaios. Ali, nove atores tentam entender e dar andamento aos preparativos de uma peça melancolicamente cômica, repleta de confusões e perturbações próprias da mente do homem contemporâneo. “É um trabalho que te coloca em situações extremas. Estou muito feliz com a premiação”, diz. O espetáculo será apresentado de 29 a 31 de março, no Festival de Curitiba.

Na entrevista, Bruna fala também do desafio de viver uma viúva viciada em cocaína e álcool, na série Impuros, da Fox, e da participação no longa Eduardo e Mônica, com direção de René Sampaio, com quem é casada, e tem estreia prevista para este ano. Bruna fala ainda do desejo de volta a dar aulas.

Cena de O Homem ao Vento. Foto: Daniel Walbenny

O que mais instiga você nesse trabalho na peça Homem ao Vento?

Nessa peça eu faço uma personagem completamente diferente de mim. Ela é uma mulher que enfrenta uma grave crise pessoal e profissional, acaba incompreendida pelos outros e vai surtando ao longo da peça. Então vai tendo estágios, cada hora num nível mais alto. E é muito legal você fazer um trabalho completamente diferente de você. Principalmente no teatro, porque cada dia é um dia diferente, cada apresentação é uma. Claro que a gente sempre tem uma base, mas a cada dia lida com emoções diferentes, questões inesperadas. Para mim o barato de fazer teatro e fazer esta peça é poder me experimentar e buscar caminhos com uma mesma base. A gente tem o mesmo texto, não muda, mas a cada dia a gente trilha algo diferente.

 

 

O que o teatro significa na sua vida e carreira?

Eu comecei a minha carreira no teatro, fazia curso técnico, fiz um teste e passei para uma peça. E comecei a viajar com esta peça pelo Brasil. Então toda a minha base, tudo o que eu aprendi em termos de atuação vem dos palcos. E eu fiquei um tempo afastada, acho que três anos. A última peça que eu fiz foi em 2014. Aí eu fiz uma série, duas nvelas na Globo, cinema. E só no ano passado que voltei a fazer teatro. Então foi um grande reencontro pra mim. E estar numa companhia que eu admiro muito, do Damasceno, com a Rosana (Stavis), foi um grande presente esse encontro que a gente teve. E estar indicada aos principais prêmios também é muito importante e eu estou muito feliz.

Foto: Faya

Como foi atuar no longa Eduardo e Mônica, ainda mais sendo a história deste clássico da Legião Urbana... Você também vivenciou muito essa canção na época?

Gravei ano passado o filme, eu faço a Karina, irmã da Mônica. E pra mim foi um grande presente fazer esse personagem, fazer esse filme, porque eu sempre fui apaixonada por Legião Urbana. Eu não lembro, não sei exatamente quantos anos eu tinha, mas eu era novinha, devia ter 9, 10 anos. Eu estava com a minha mãe, e comecei a ouvir. E sozinha, comecei a entender que era uma historinha. Minha mãe colocou de novo, a gente foi ouvindo... Então, tantos anos depois estar fazendo esse filme e estar nesse projeto tem um sabor bem especial.

A direção do filme é do seu marido, René Sampaio, com vários outros trabalhos de sucesso na publicidade e também no cinema. Como é trabalhar com ele, e qual característica dele como diretor que mais lhe chama a atenção?

A direção é do René Sampaio, ele é meu marido, a gente é casado há 10 anos. Acho que é a segunda vez que a gente trabalho junto, não é comum. Mas pra mim é ótimo trabalhar com ele, a gente se entende muito bem, tanto em casa quanto no set, é super tranquilo, não tem problema, crise. Eu adoro o que eu faço, então eu adoro estar num set de filmagem, e normalmente eu me dou bem com todas as pessoas, eu faço o possível para que o trabalho flua bem, com o René é a mesma coisa. Então foi uma parceria super legal, que deu certo, só coisas positivas.

Foto: Faya

Como está sendo a participação na série Impuros?

Eu faço a Rebeca, uma personagem diferente de tudo que já fiz. Uma mulher dos anos 60, viúva, que tenta cuidar do filho com amor e dedicação. Mas o vício não a permite ser uma boa mãe. Ela é viciada em cocaina, álcool e não consegue estabelecer limite para os vícios. Mesmo com todo amor que sente pelo filho, não consegue largar essa vida. Ela se sente culpada, mas não sabe agir de outro modo. O envolvimento com o personagem está sendo intenso. Tenho assistido a filmes e documentários de viciados em drogas e conversado com ex drogados pra tentar entender as motivações de cada um, o estrago que a cocaína faz na vida da pessoa.

A gente sabe que antes de atuar, você foi professora. Tem vontade de voltar a dar aula?

Eu me formei em letras, fiz bacharelado em licenciatura na PUC em São paulo. E no último ano a gente tem que estagiar. E eu fui pedir estágio para a professora com quem eu estudei e, coincidentemente, a professora de Português tinha acabado de sair de licença, e ela me contratou. Fou uma experiência muito legal, enriquecedora. Acho que ser professor é uma das profissões mais bonitas de uma sociedade, uma pena que no Brasil seja tão pouco valorizada, mas eu, particularmente adorei. E eu tenho muita vontade de dar aula de novo. Depois que eu dei aula de Português eu fiz um projeto social, dei aula de teatro para crianças em uma escola pública de São Paulo. Mas um dos projetos que eu tenho é voltar a dar aula, hoje em dia eu quero dar aula de teatro, tem a ver com o que eu faço. Quem sabe em breve?

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