Amandha Lee: “Encontrei meu equilíbrio e quero cultivá-lo”

Após fase sabática e 31kg a menos, ela vibra com desafio e êxito na peça Agora e Na Hora


  • 20 de fevereiro de 2018
Foto: Vinicíus Mochizuki


Por Luciana Marques

O período sabático de dois anos e meio trouxe transformações intensas na vida da atriz Amandha Lee, de 39 anos. A decisão de se dedicar integralmente aos filhos, Rafaela, de 8 anos, e Vitor, de 4, da união com o ex-jogador de vôlei e atual comentarista Nalbert, a partir do fim de 2014, lhe trouxe o tão sonhado equilíbrio. “Ouvi meu coração e segui em busca do que precisava”, diz.

Assim, ela voltou com força total à carreira. E, desde o ano passado, atua na comédia dramática Agora e Na Hora, ao lado de André Gonçalves e Rodolfo Mesquita, em cartaz até dia 25 de fevereiro, no Teatro Folha, em São Paulo. Na montagem de Luis Erlanger, que aborda temas como doença e religião de forma bem-humorada, Amandha segura firme cinco personagens. “Desde o convite, o que mais me motivou foram as diferentes possibilidades cênicas”, conta ela, que, em breve, deve estrear outra peça.

Em cena com André Gonçalves na peça Agora e Na Hora. Foto: Divulgação

Carreira

Amanda iniciou na TV em A Indomada, em 1997, depois fez Laura, de Coração de Estudante, de 2002, ambas na TVGlobo. Na RecordTV, entre os personagens de destaque, fez a Betinha, de Bicho do Mato, de 2006, e a barraqueira Ivonete, em Chamas da Vida, de 2008. Em 2011, foi uma das protagonistas de Vidas em Jogo, da mesma emissora, como a gordinha romântica Margarida. No teatro, são mais de 10 peças, entre elas Dona Macbeth, em que atuou e produziu.

"A peça Agora e Na Hora foi um excelente exercício para voltar a exercitar a minha atriz. O palco é a essência da arte. A mais pura e verdadeira, onde você está aberto totalmente para o jogo."

- Que balanço faz dessa temporada e qual a importância de sua volta ao teatro?

Foi um excelente exercício para voltar a exercitar a minha atriz. O palco é a essência da arte. A arte mais pura e verdadeira, onde você está aberto totalmente para o jogo, e vivo. Minha última peça foi Dona Macbeth, dirigida pelo Rafael Camargo, no Porão da Laura Alvim, no Rio, onde atuei e produzi.

- O que sente quando está palco?

Me sinto viva, inteira. É o melhor exercício para um ator, não tem cortes, é ao vivo, e cada dia diferente. É onde eu posso exercitar minha inteligência cênica de forma rápida e precisa. Ainda mais se tratando de uma comédia.


- Sente que essa veia do humor foi sempre forte em você?

A comédia vem entrando aos poucos na minha vida. Acho que os personagens nos escolhem. Estou me surpreendendo com esse meu lado. Sempre fui uma atriz mais dramática, adoro fazer um personagem intenso, mas a comédia nos dá uma leveza deliciosa de sentir e fazer.

"Foram dois anos e meio sabáticos, totalmente mãe. Cuidando de um lado que eu não olhava muito, um olhar mais para dentro. Chamo isso de amadurecimento, autoconhecimento e equilíbrio."

- Como tem visto a luta da classe teatral nessa crise gravíssima que atingiu em cheio a cultura?

Muito triste ver um país que investe tão pouco na cultura, assim como na educação, mas é a arte que nos salva. Precisamos dela para nos tirar um pouco dessa loucura toda que o mundo vem passando. Um artista que ama sua arte jamais entregará os pontos diantes de qualquer dificuldade! Por isso, como sou sempre otimista, acredito que um dia teremos alguém que realmente valorize e cuidade do nosso país.

 

Foto: Vinicíus Mochizuki


- Você teve um período grande longe do trabalho. Foi uma opção se dedicar integralmente à família, faria tudo de novo?

Quando meu segundo filho nasceu, resolvi parar e me dedicar a eles. Entrei numa fase de vários questionamentos, e fui atrás das respostas. Foram dois anos e meio sabáticos, totalmente mãe. Cuidando de um lado que não olhava muito, um olhar mais para dentro. Chamo isso de amadurecimento, autoconhecimento e equilíbrio. Isso foi uma necessidade minha. Precisava organizar a minha casa, o 'meu eu', para poder seguir em frente e descobrir que caminho seguir.

- Você se destacou em muitas novelas, tem feito bastante teatro. Como avalia a sua carreira, se arrepende de algo?

Não me arrependo de nada. Agradeço as dificuldades que passei, pois sem elas não me tornaria a pessoa que me tornei hoje. Equilibrada, centrada e certa do caminho que escolhi.

"Muito triste ver um país que investe tão pouco na cultura, assim como na educação, mas é a arte que nos salva. Precisamos dela para nos tirar um pouco dessa loucura toda que o mundo vem passando."

- Essa sua volta ao teatro coincide com uma fase em que você está super em forma, perdeu 31 kg desde a última gravidez. Foi por causa do triathlon? E como esse esporte chegou na sua vida?

Tenho dois filhos, a Rafaela e o Vitor. Precisava voltar aos palcos primeiros, o reencontro com a minha atriz. Foi nele que comecei tudo. O triathlon veio há um ano mais ou menos. O Nalbert começou a pedalar e me botou pilha para ir com ele. E eu fui. Tomei gosto, mas queria algo mais. Até que uma amiga a Nathalia, me apresentou o Léo Beer, que nos levou ao triathlon. Ele é o nosso treinador. E foi nos conduzindo de uma forma que, a cada dia, a superação descoberta era melhor do que a outra. Foi virando um vício. Hoje estamos começando a competir, a pôr em prática tudo o que fazemos nos treinos. O esporte me acalma, e a arte me liberta!

Na peça Agora e Na Hora. Foto: Divulgação


- Todas essas mudanças na sua vida tem acontecido próximo aos 40 anos. Como lida com o passar dos anos, sentiu alguma crise?

Essa mudança toda começou no final de 2014. Não sei se tem alguma ligação com a idade. O que posso dizer é que foi uma necessidade que senti e respeitei. Ouvi meu coração e segui em busca do que precisava. E foi maravilhoso. Hoje posso dizer que encontrei o meu equilíbrio e quero cultivá-lo para sempre.

- O que deseja nesse ano para a sua carreira?

A peça acaba dia 25 de fevereiro. Já tenho outra para fazer e planos de voltar às novelas, que, por sinal, estou morrendo de saudades.

"No triathlon, a cada dia, a superação descoberta era melhor do que a outra. Foi virando um vício! Agora vou começar a competir."

Agradecimentos: body, Niord; calça, DTA, brinco e pulseira, Fiszpan. 

 



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