Carmo Dalla Vecchia se identifica com papel humanista em Malhação

Budista há 20 anos, o Rafael da trama exalta ainda frescor de atuar com jovens


  • 05 de maio de 2018
Foto: Globo/João Cotta


Por Redação

Um dos atores mais requisitados de sua geraçao – seu último papel em novelas foi como o problemático César de A Regra do Jogo, em 2015 –, Carmo Dalla Vecchia ressalta o frescor de estar atuando com dezenas de jovens atores em Malhação: Vidas Brasileiras. “Está sendo uma delícia, é um elenco jovem com quem temos muito a aprender”, reitera ele.

Na trama teen, o ator interpreta Rafael, diretor de uma ONG que insere jovens carentes como bolsistas em uma escola particular. Segundo ele, budista há 20 anos, o humanismo do personagem os aproxima. Já sobre um possível romance com a professora Gabriela (Camila Morgado), sua ex-namorada que hoje é casada, ele não sabe dizer o que vai resultar desse reencontro.

Rafael (Carmo Dalla Vecchia). Foto: Globo/João Cotta

Como foi a preparação para viver o Rafael na trama?

Tivemos um trabalho muito bacana com a TV Globo, e pudemos ter contato com jovens que viveram em sua vida situações que serão retratadas na novela. Tivemos uma troca de experiência muito legal, e talvez minha preparação para o personagem tenha a ver com a minha prática religiosa. Ele é dono de uma ONG, tem um espírito de humanismo muito grande, e quer tirar jovens da periferia e colocá-los em escolas bacanas para que eles estudem e tenham a possibilidade de uma vida melhor. E como sou budista há 20 anos, talvez tenha um pouco a ver com o que acredito.

Você já chegou a levantar alguma bandeira por alguma causa?

Levanto várias no meu dia a dia, mas o budismo que pratico já é uma ONG, pois é uma instituição que não tem o clero, e todas as as atividades que pratico lá têm esse formato.

Tanto seu personagem, como a personagem da Camila Morgado vivem suas vidas em função de ajudar o outro. Você também é assim?

Sinceramente, sim. Para você ser feliz, as pessoas ao seu redor precisam ser felizes também. Não existe só você estar bem e os outros não estarem. Você é você e a sua circunstância.

Gabriela (Camila Morgado) e Rafael (Carmo Dalla Vecchia). Foto: Globo/Marília Cabral

Quando a Globo te convidou para este papel de protagonista, teve alguma insegurança?

Não. Insegurança nenhuma. Fiquei muito feliz de poder trabalhar com a Camila (Morgado), Natalia (Grimberg - diretora), e fazer esse texto maravilhoso. Tudo o que a gente quer em nossa carreira é fazer bons personagens, e Malhação está cheia de bons personagens.

Como está sendo trabalhar com este elenco jovem?

Uma delícia, um elenco jovem com quem temos muito a aprender. Eles trazem um frescor para as cenas, e tem sido um prazer muito grande fazer Malhação.

São 17 atores novos em Malhação – Vidas Brasileiras. Quem vem se destacando na sua opinião?

Se eu falar de um, os outros vão me odiar (risos). Pelas coisas que vi na minha carreira, isso não tem regra. Eu já vi atores que começaram bem e desaparecerem, já vi ator que gaguejava em cena e hoje é estrela, então tem de tudo. Eu fiz Chiquititas, vi crianças crescerem, não trabalharem depois e irem para outros caminhos. Realmente não tenho como saber. 

Seu personagem, o Rafael, chegou para atrapalhar o casamento da Gabriela, personagem da Camila Morgado?

Ele era um namorado de 15 anos atrás, e por alguma razão se perderam um do outro e se encontraram 15 anos depois. Vamos ver o que acontece. Apesar de ele não ser um santo, ele é um cara ético, e a princípio ele respeita a entidade casamento, e talvez comece a iniciar um encanamento entre os dois, mas como vai se resolver, isso não sei, porque temos muitos capítulos. Parece-me que será a Malhação mais longa da história.

 Márcio (André Luiz Frambach) e Rafael (Carmo Dalla Vecchia). Foto: Globo/João Cotta

A personagem da Camila é uma espécie de feminista. Você em sua vida, se considera um homem feminista?

Eu me considero um homem aberto ao diálogo. Acho que qualquer radicalismo é muito ruim. Estamos numa fase de muito radicalismo. É interessante as pessoas abrirem os olhos e demarcarem alguns territórios sim, mas espero que essa poeira baixe logo, senão ficará tudo muito chato. Às vezes, as pessoas se tornam radicais demais, e se tornam inviáveis as relações, diálogos e até o respeito ao outro. Acho o movimento importante, mas tomara que baixe a poeira.

Você é fotógrafo também, realizou até uma exposição, não é?

Já, é uma parte que adoro inclusive. Tenho que tomar cuidado para não me desconcentrar porque senão fico fotografando o dia inteiro. Aqui não fiz fotos de bastidores ainda, mesmo porque tenho uma coisa de respeito à TV Globo, mas hoje isso mudou um pouco. Hoje em dia todo mundo partilha tudo na mídia, e tenho que entender como funciona a filosofia da casa. Atualmente não posso fazer nada sem autorização.

Como você vê essa geração de youtubers que surgiu recentemente?

 

Eu tenho a sorte de não ter visão crítica sobre isso porque realmente não vejo. Mas não é por preconceito, é porque gosto muito mais de televisão.

Foto: Globo/João Cotta
 

Você chegou onde sempre sonhou?

Eu acho que não, porque o dia que você chega onde sonhou, acabou. O ser humano deveria ser uma máquina de sonhos, e ter sempre algo a conquistar. Se você vai conquistar o seu sonho ou não, isso é talvez o menos importante, o mais importante é o caminho que você percorreu para o lugar em que quer chegar. Eu que venho do interior do Rio Grande do Sul, não tenho nenhum ator na família, então ter conquistado algumas coisas na minha vida foi muito importante. Algumas delas eu nem esperava, mas depois que conquistei, vi que precisava sonhar mais alto, senão morreria.

Na sua visão, como está o Brasil?

Acho difícil responde a essa pergunta porque me sinto muito privilegiado. Sou um ator que mora no Brasil, trabalho com minha profissão e vivo dela, o que já é raro. Então pode-se dizer que o meu Brasil talvez não seja tão bacana porque está com muita violência e o que está ao meu redor faz parte de mim como eu disse. Muito triste nossa insegurança e tudo o que está se passando, sobretudo no Rio de Janeiro. Eu tenho fé que tudo vai melhorar, porque se pensamos que tudo vai piorar não é um bom presságio. Se a gente olha para o abismo, ele nos olha de volta. Temos que focar na luz e não na sombra.

Como você lida com rótulo de galã

Não penso nisso. Sempre imagino aquele galã antigo que fumava, que faz um olhar sedutor, depois se movimenta. Esse é cafona (risos). Eu não penso nisso não.

Veja também:

Saiba mais sobre Daniel Rangel, de Malhação, e se encante!

Alice Milagres: Talento e atitude além do sobrenome

Joana Borges: “Ninguém pede para ser assediada, abusada”

Rayssa Bratillieri: De menino Jesus nos palcos para Malhação



Veja Também