Prazer! Jaffar Bambirra, de Pega Pega, o orgulho da mãe, diretora de TV e teatro: "Está babando"


  • 08 de novembro de 2017
Foto: Sergio Baia


Por Ana Júlia

Quem já é apaixonado pelo romântico Márcio, de Pega Pega, vai se encantar ainda mais por seu intérprete, o ator e músico Jaffar Bambirra, de 19 anos. Ele é o tipo de cara meio tímido, mas gaiato, boa praça... Bem humorado, repete várias vezes antes da entrevista que a pronúncia do seu nome é “Jáffar”. Ok, não erramos mais!

Durante a conversa, ele conta que o seu grande sonho era ser jogador de futebol. Mas parece que o talento para a arte tem dado de goleada nos gramados. Sua primeira investida foi a música. “Um dia me inscrevi num curso de teatro para melhorar a minha presença de palco. Aí foi uma mudança total em mim como artista. Comecei a amar a atuação”, conta.

Jaffar também abre o jogo sobre a relação com a mãe, Nadia Bambirra, diretora de TV e teatro. “Apesar de todo o profissionalismo dela, de ser coach de atores, eu vejo uma mãe coruja ali. Ela está babando ao me ver na novela!”, entrega ele.

O que mudou desde a estreia na TV?

Muita coisa. Pensava, caraca, vou fazer algo grande, o Brasil vai me ver, como vai ser agora? Foi um baque! Mas assim que cheguei, todos da equipe do diretor José Luiz Villamarim me receberam muito bem. Eu e a Valentina Herszage, que também faz seu primeiro papel em novela. Cheguei e já parecia que estava em casa. Não senti como se fosse algo novo. Agora eu estou vivendo isso e está muito bom.

"Nos primeiros dias de gravação, fiquei tenso. Não era psicológico, o corpo mostrava isso, de ficar com a boca meio parada."

Chegou a dar algum receio de que não ia segurar o tamanho do papel?

Sim, aconteceu! A gente chega a pensar, será que realmente eu sou bom, será que aguento? Nunca tive problema em decorar texto, mas no início da novela, pensava, será que vou conseguir? E estou conseguindo. Nos primeiros dias fiquei tenso, meu corpo mostrava isso. Não era psicológico, era de ficar com a boca meio parada. Mas depois começou a soltar e foi...

Você é musico... Mas já foi picado pelo “bichinho” da atuação?

Sempre cantei, toco violão. Queria ser músico desde os 12 anos. Isso depois que eu desisti de ser jogador de futebol, porque vi que não ia dar certo. Aos 15 fui fazer a escola de teatro do Wolf Maya, mas era mais para me melhorar como músico, presença de palco. No meio do curso, senti, cara, vou levar isso a sério. Quando pisei no palco pela primeira vez numa peça, disse, nossa, não sei mais o que eu quero... (risos) Eu amei estar ali. Hoje em dia acho que quero seguir a música e a atuação, eu amo muito fazer os dois. Não conseguiria escolher um ou outro.

O fato de o Márcio, o personagem, também ser músico, ajudou você?

Ele parece muito comigo. De início, me atrapalhou um pouco. Para mim, como ator, sempre achei mais fácil fazer o que fosse mais longe de mim, desafiador. E aí quando vem algo muito perto, penso: 'como eu serei eu?' Só que é um personagem muito próximo de mim.  De início, estava criando muita coisa e o Luiz (diretor) chegou e me disse, cara, calma, faz na sua energia.  Aí eu consegui criar o personagem perto de mim. O fato de ele tocar violão, de ser de uma família de artista, o aproximou muito de mim.

“Apesar de todo o profissionalismo, de ser coach de atores, eu vejo uma mãe coruja ali. Ela está babando ao me ver na novela! Tenho que dizer, menos, mãe...”

O que você está aprendendo com o Márcio?

Eu sou tranquilo, mas tem coisas que o Márcio lida muito bem e eu estou vendo que também posso lidar. Como a relação familiar, de você ser independente, mas, ao mesmo tempo, estar junto da família. Você quer o bem de todo o mundo, mas também quer a independência dentro desse núcleo. Então, eu estou aprendendo muito com ele.

Como é a sua relação com a família, sua mãe também é da área artística, não é?

Minha mãe é a Nádia Bambirra. Desde sempre foi atriz, fez novelas até se transformar numa grande diretora. Eu admiro muito ela. Agora voltou a atuar, fez um monólogo lindo, em que eu pude fazer a assistência de direção. A gente sempre foi muito junto, só a gente, a minha avó também. E quando novo, eu vivia nos palcos acompanhando ela. Via a mãe dirigindo, produzindo. Achava lindo, mas meu sonho era ser jogador de futebol. (risos) Na verdade, queria muito ter aproveitado mais isso. Além de sermos mãe e filho, conseguimos trocar num lugar profissional, porque ela é coach de atores. Me apoia, me ajuda no meio artístico, a entrar em algumas áreas, porque tem muito mais experiência. Sou bastante feliz de tê-la como mãe.

Como ela está recebendo esse seu sucesso?

Nossa! Está muito feliz. Apesar de todo esse profissionalismo, existe uma mãe coruja ali, que eu vejo muito. (risos) Ela está babando!  Eu falo: ‘mãe, menos’. Aí ela dá uma maneirada para as pessoas, mas para mim ela vai ser sempre babona.

"Meu sonho era ser jogador de futebol. Desisti, porque vi que não ia dar certo..."

Agora começa o assédio, como tem lidado com isso?

Eu acho que estou recebendo bem. Quando soube que ia fazer a novela, muita gente me avisou, cara, não se deixa levar, não deixa de ser você. Achei que ia ser difícil. Mas como está sendo gradual, vou me acostumando aos poucos. Não foi uma coisa, 'pá e aí veio'. Estou sentindo que cada vez mais as pessoas me reconhecem, mas não está sendo aquele assédio todo. Estou até gostando, é legal sentir o carinho. Muitas pessoas falam comigo para elogiar o trabalho. E eu digo, obrigado, de verdade!

Quem você tem como inspiração na profissão?

No Brasil uma das minhas maiores referências é o Rodrigo Santoro. Acho ele incrível, o seu trabalho, tudo o que conquistou na carreira. A Fernanda Montenegro não tem como não falar dela. Tem o Selton Mello também que admiro muito. Lá fora eu tenho um ídolo, o Christoph Waltz, ele me fez querer ser ator. Foi quando eu vi Jango, do Tarantino, a primeira vez que olhei para um personagem e falei, caraca, ele existe mesmo. Tem também o Daniel Day-Lewis, um ator incrível.  

Quais os seus sonhos na carreira?

Como músico, quero poder lançar meu álbum, minhas músicas autorais. Como ator, quero fazer qualquer personagem, em novela, cinema, série, teatro, que me toque, que eu ache que vai tocar as pessoas e tenha algo a comunicar. Vejo isso como o mais importante. A arte é para mudar e transformar. Minha vontade é fazer personagens como o Márcio, que mostra para o mundo a arte dos bonecos. Uma coisa linda!

"Apesar de eu não ter vivido ainda um amor, minhas músicas falam desse tema." 

Sobre o que falam as suas músicas?

Muitas são de amor, apesar de eu não ter vivido ainda um grande amor. Algumas são sobre o ser. Gosto de falar coisas que estão acontecendo no ser humano...

Qual é o seu estilo musical?

Pergunta difícil... Sempre escutei muita MPB, Paulinho Moska é o meu ídolo, Cazuza. Acho que eu faço MPB, mas é um pouco mais pop. Um pouco John Mayer, é romântico. Mas é essa pegada, eu não consigo definir...

 



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