Bruno Ferrari: “O desfecho que Vicente tiver, será incrível”

Ator festeja personagem íntegro de Tempo de Amar e com ideais parecidos aos seus


  • 10 de março de 2018
Foto: Globo/Rafael Campos


Por Redação

Com 15 anos de carreira e importantes trabalhos na TV e no teatro, Bruno Ferrari vive um momento especial na profissão. Desde o seu retorno à Globo, após quase 10 anos de RecordTV, ele vem se destacando em papeis como o Xavier Almeida, em Liberdade, Liberdade, em 2016, e, agora, com o Vicente, de Tempo de Amar.

Aliás, na próxima semana o público irá saber se o coração da mocinha Maria Vitória (Vitória Strada) será para sempre de Vicente, o amigo que se tornou o amor, ou de Inácio (Bruno Cabrerizo), primeiro amor, arrebatador, mas que o tempo distanciou. “Nunca neguei que a minha torcida é para o Vicente”, avisa.

Mas o ator garante que, qualquer final que o autor Alcides Nogueira decidir, o fará feliz. “Claro que se for com a Maria Vitória, melhor”, diverte-se ele, pai de Antônio, que completa 2 anos em abril, da sua união com a também atriz Paloma Duarte.

"Acho que tudo a gente tem que lutar na vida, se a gente quer alguma coisa muito, a gente tem que lutar, e o amor faz parte disso também."

O casamento de Vicente e Maria Vitória. Foto: Globo/Marília Cabral

Vicente tem dito nas cenas que vai lutar até o fim por esse amor da Maria Vitória, é isso mesmo?

Acho que essa chegada em Portugal dos personagens, tanto da Maria Vitória, Vicente, Inácio, trouxe um amadurecimento para os personagens muito interessante, da forma como eles olham a relação. O Vicente, em alguns momentos, se sente inseguro, pede para a Maria Vitória conversar com o Inácio, para deixar tudo certinho para eles seguirem adiante.

Há limite para essa luta?

Acho que tudo a gente tem que lutar na vida, se a gente quer alguma coisa muito, a gente tem que lutar, e o amor faz parte disso também. Se você quer se dar bem profissionalmente, você tem que lutar e ir atrás disso, no amor, na profissão, na vida, com amigos, os amigos são conquistas também, acho que em tudo.

Vicente era o melhor amigo dela, e a amizade virou amor. Como avalia essa união?

É uma relação que foi construída aos poucos. O Vicente conheceu ela por acaso, e foi se envolvendo. É da índole dele ajudar as pessoas, família, amigos, a irmã, o tio, e não seria diferente com Maria Vitória. Então, ele vai ajudando ela e, aos poucos, vai se apaixonando. Aí chega uma hora que ele não consegue deixar de demonstrar isso, e ela vai retribuindo também essa paixão. Acho que é uma relação muito bem construída, uma relação de amizade que se transforma em amor, isso que acontece com eles.

Personagem Vicente. Foto: Globo/João Miguel Júnior

Já com o Inácio, foi algo arrebatador, à primeira vista. Você, Bruno, acha que qual desses tipos de amores têm mais chance?

Não acredito que exista um segredo para isso. A minha relação, eu e a minha mulher, nós éramos amigos. Começamos a nos relacionar depois de anos, no momento que os dois estavam separados, solteiros, e a gente se reencontrou. Éramos muito amigos e começamos a nos relacionar, e estamos casados a sete anos. Acho que quando você se apaixona por uma pessoa, você só mostra o seu lado bom, né? No começo, quando você é amigo da pessoa, ela já sabe tudo que você já é, o que você tem de bom, de ruim, então já não tem mais tanta surpresa nesse sentido. E, mesmo assim, a pessoa te quer. Acho que a probabilidade de dar certo é maior.

"Mandei um email para o Alcides e falei: 'Alcides, depois de tudo que você fez por mim, você pode me mandar até para Marte que eu já estou feliz (risos)'. Essa novela para mim já foi de um ganho tão grande, eu fui tão feliz nessa novela..."

Você usou dessa experiência sua, pessoal, para construir essa relação na ficção?

Claro! (risos) Outro dia falei numa entrevista, quanto mais velho, mais experiência a gente vai tendo, mais a vida vai dando experiência para a gente, mais a gente vai podendo colocar no trabalho. A minha relação hoje com uma criança em cena é completamtente diferente do que era quando eu não tinha filho. E eu já tinha sido pai outras vezes em outros trabalhos. Hoje, olho para uma criança e é completamente diferente. A perda de um pai, de uma mãe ou de uma paixão, traz uma outra experiência que você pode colocar em cena. E isso não deixa de ser nas relações amorosas.

O ator em cena de Liberdade, Liberdade, de 2017, com Mateus Solano. Foto: Globo/Pedro Cury

Também sente a torcida bem dividida entre Inácio e Vicente?

Sim, porque são dois mocinhos. O Inácio é um cara extremamente íntegro também. Um personagem de uma índole boa também, um cara super do bem. E o Vicente também. Então, é difícil. Inácio foi a primeira paixão, ela tem um filho com ele. E isso traz um pouco de insegurança para o Vicente, porque foi uma relação mal resolvida. Porque relação bem resolvida, a gente não tem preocupação, mas quando é mal resolvida... Foi a vida que distanciou os dois, não foi algo que os dois quiseram.

Houve notícias de que o Vicente iria sumir da novela nos últimos capítulos. O que você acha se esse for um dos caminhos possíveis?

Eu não sei, eu até mandei um email para o Alcides e falei: 'Alcides, depois de tudo que você fez por mim, você pode me mandar até para Marte que eu já estou feliz (risos)'. A novela para mim já foi de um ganho tão grande, eu fui tão feliz nessa novela, fui e estou sendo tão feliz, que eu não sei... Para mim, o desfecho que ele der ao meu personagem já vai ser incrível. E se for com Maria Vitória, melhor ainda.

E como é para você interpretar um homem tão íntegro, num momento triste, de grandes escândalos de corrupção no Brasil?

Eu acho tão legal as coisas que ele fala, os discursos que o Vicente fez, os ideais dele são bem parecidos com os meus, então, para mim, me dá uma gana de fazer, uma força. O Alcides escreveu uns dois ou três discursos que eu fiz durante a novela, que foram lavadas de alma para mim, e é tão bom transformar isso em arte e poder falar isso na TV para uma massa grande de pessoas. O Vicente tem sido um personagem muito íntegro. É bom demais de fazer!

Com Bruno Gagliasso e Marcos Palmeira, em Celebridade, em 2003. Foto: Globo/Renato Rocha Miranda

"Os ideais do Vicente são bem parecidos com os meus, então, para mim, me dá uma gana de fazer, uma força. O Alcides escreveu uns dois ou três discursos que fiz durante a novela, que foram lavadas de alma para mim."

Você é um ator novo, mas veterano na TV, como está sendo contracenar com a Vitória Strada, que faz sua estreia em novelas?

A Vitória é uma atriz muito inteligente, e muito disponível também. Isso é muito importante para o trabalho dar certo, ela está fazendo um trabalho lindo, é a primeira novela que está fazendo, difícil para caramba, uma personagem protagonista, e ela está dando mais do que conta. E, para mim, está sendo maravilhoso de contracenar com ela.

E com o Bruno Cabrerizo?

O Bruno é um cara incrível, um garoto de um grande coração, que eu adoro! Contracenei pouquíssimas vezes com ele, a gente está trabalhando só agora no finalzinho da novela,parece que fazemos duas novelas diferentes. E agora no final que a gente está se encontrando, e foi um encontro maravilhoso também, adoro ele!

Ter sido pai mudou muito você?

Acho que filho muda, muda muita coisa. Ouvi uma entrevista de um cara que eu admiro muito, e ele fala disso. Acho que o amor que você sente pelo pai, a mãe, a sua mulher, o amor completo você só tem quando você tem um filho. E isso é indiscutível, só dá para conversar com quem tem mesmo. Um amor absurdo! É claro que o meu filho me trouxe um amadurecimento maior para a vida. E eu acho que isso vai sendo refletido no trabalho também. E as portas vão se abrindo. Vem com um pãozinho debaixo do braço.

O ator em cena de Malhação com Grazi Schimdtt, em 2004. Foto: Globo/João Miguel Júnior

Como é o Bruno pai?

Um babão, um pai que está sempre presente. Levei ele hoje paro o colégio, inclusive. Sou completamente louco e apaixonado por ele. Tony me fez ver a vida de outra forma, a gente começa a voltar a perceber os detalhes das coisas, tudo é novo pra ele, o cantinho da parede, o cantinho da bolsa, da mochila, um papel, qualquer coisa é diferente Isso faz a gente voltar a olhar as pequenas coisas, os pequenos detalhes, volta a ver a vida de uma maneira mais simples.

Está passando a reprise da novela Celebridade. Na época, você tinha 21 anos. A essência daquele Bruno continua aí?

Com certeza, continua! Era bem mais verdinho assim como ator, olho hoje em dia, penso, podia ter feito assim, assado. Mas era o que podia dar ali no momento. Claro, a gente vai amadurecendo, mas eu gosto de ver personagens mais antigos, porque tenho um certo distanciamento. Quando você olha uma coisa atual que está fazendo, fica um olhar muito crítico. Mas eu gosto de ver, acho bem interessante, mas acho que amadureci. Estou ficando velho, com ruga na cara, cabelo branco (risos).

O ator e o filho, Antônio. Foto: Reprodução Instagram

Você integra hoje a família Duarte. E o seu Lima Duarte está brilhando em O Outro Lado do paraíso, tem praticamente uma escola dentro da família?

Total! Não só ele como a minha esposa também, mesmo antes de me relacionar com ela, conhecendo, eu já achava ela uma atriz incrível. Para mim, uma das melhores de sua geração. Quanto a mãe (Débora Duarte), quanto ao Lima, está ali no sangue. Lima é um ator brilhante, é uma escola mesmo, ouço muito o que eles tem para falar ali.



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