Angela Vieira, um amor para Alberto: “Há um encanto, identidade intelectual entre ele e Vera”  

Personagem entra em Bom Sucesso e também vira confidente do neto, Vicente


  • 10 de novembro de 2019
Foto: Globo/João Cotta


Por Luciana Marques

Se há uma paixão platônica de Alberto (Antonio Fagundes) por Paloma (Grazi Massafera), em Bom Sucesso, isso já é perceptível pelo público. Mas agora a personagem Vera, vivida por Angela Vieira, chega para dar uma mexida na trama e também no coração do empresário. “Ela vem de um casamento em que foi traída. E vai se encantando com isso, de ter um homem tão gentil, inteligente e culto que está olhando pra ela, valorizando ela como mulher e profissional”, conta.

Angela ainda não sabe dizer o que o futuro reserva ao casal. O que se sabe é que eles irão se envolver, inclusive passarão uma noite juntos em capítulo um pouco mais adiante. E para atriz, mostrar o amor na terceira idade é algo muito bacana. Até porque ela conheceu o atual marido, o escritor e cartunista Miguel Paiva, aos 50 anos. “Eu achei um espetáculo, a gente sente aquela coisa efervescente no peito”, conta ela, longe das novelas desde Pega Pega, em 2017, quando viveu a Lígia. 

Como está sendo entrar em uma novela que é o maior sucesso? Chegar em uma trama na metade, é sempre meio complicada. Todo mundo já está em outro esquema, as relações já estão desenvolvidas. Mas tive uma sorte porque eu realmente acompanhava a novela e mandei muitos recados para colegas que fazem a trama. Especialmente para a direção, porque foi com 90% dessa equipe que eu fiz Pega Pega. É uma equipe que trabalha com muita tranquilidade. Eu vejo que está todo mundo muito feliz aqui, então foi uma chegada muito legal.

Alberto (Antonio Fagundes) e Vera (Angela Vieira). Foto: Globo/João Cotta

Você já sabia que viria para a novela? Não. Tanto que essa semana eu tive uma reunião de produção porque eu iria estrear um espetáculo em janeiro. Na novela, provavelmente a Vera não fique até o fim, pelo menos é o que me falaram. Mas agora eu estaria em processo de ensaio e seria impossível, porque eu estou gravando praticamente todos os dias. E aí eu adiei a minha estreia para março, mas foi uma agradável surpresa.

Porque ela não fica até o final? Sendo sincera, eu não sei. Eu acho que ela veio para dar essa mexida assim, porque eu também não sei como vai terminar a novela.

Como é a Vera Fialho? Ex-Fialho (risos). A Vera é uma personagem muito legal e muito bonita. Ela é a porta-voz de algumas coisas que eu acho que não só são boas de falar, como que serão bem recebidas pelo público. Ela tem quatro relações distintas.

Uma muito muito bacana é com o neto, Vicente (Gabriel Contente), certo? Sim, eles têm uma relação muito bonita. Ela se despe de qualquer coisa e faz do neto quase que um confidente. Ele está em uma família em que os pais têm uma certa dificuldade de chegar e perceber aquele menino. E ela entra exatamente no canal porque ela entende o que está acontecendo. Duas gerações muitos distantes que se completam. E ela quer voltar ao mercado de trabalho, foi uma publicitária de muito sucesso, mas está defasada, não sabe nada de internet. Então esse neto vira o professor dela. E ao mesmo tempo ela vira uma confidente dele, ele vai se abrindo e eles vão se completando. Ela tem uma relação com essa filha, não que elas não tenham uma boa relação, mas a Vera acha a Eugênia (Helena Fernandes) dissituada em certas coisas. Ela tem uma relação com o novo trabalho, que está na editora, batalha por esse trabalho e consegue, mas vai sempre pedindo a ajuda do neto.

E tem ainda um envolvimento com o Alberto, né? Sim. Eles são duas pessoas da mesma idade. E ela vem muito machucada por ter sofrido uma traição do marido com quem foi casada por muitos anos. E ela está realmente com vontade de mudar a vida dela e vê no Alberto um homem inteligente, culto, eles têm uma afinidade intelectual.

Sabe se essa relação vira algo sério ou é só um encantamento inicial? Eu não sei ainda. Eu estou na fase do encantamento, mas ela fica lisonjeada ao ver o Alberto dizer que ela é uma profissional competente, de ele estar muito feliz dela ter entrado na Prado Monteiro. E ela está sendo afagada, porque uma mulher da idade dela quando é traída fica achando que não tem mais chance de ser cortejada, admirada, de ter uma relação amorosa. Isso eu acho que passa pela cabeça da maioria das mulheres, principalmente no Brasil. O importante é a mulher não acreditar nisso, porque é possível, então sai para a vida. Essa coisa com o Alberto deixa ela feliz, porque ela se sente bem tratada.. E eles têm essa identidade intelectual, eu gravei uma cena em que eles falam dos filmes prediletos, ele diz uma frase e ela completa… Então existe essa identidade e ele completa ela.

Alberto (Antonio Fagundes) e Vera (Angela Vieira). Foto: Globo/João Cotta

Como é para você trabalhar a redescoberta do amor na maturidade? Eu acho uma maravilha, eu e meu marido (cartunista e escritor Miguel Paiva) éramos amigos íntimos antes de começarmos a namorar. Nós começamos a namorar eu estava com 50 anos e eu achei um espetáculo. Eu achei aquela coisa no peito que é efervescente, você se sente tendo uma emoção latente. É muito bom!

Você acha que pode acontecer um certo ciúme entre Vera e a Paloma (Grazi Massafera), você sabe como vai ser a relação delas? Eu ainda não sei, mas eu acredito que irá acontecer uma certa estranheza. Não só por parte da filha (Nana - Fabíula Nascimento), como da Paloma que está muito próxima a ele, de ver uma outra mulher por perto, que está tendo uma relação muito legal, muito cordial, muito alegre. Eu não sei exatamente como isso vai se desenrolar, mas não sei se é ciúme, mas uma estranheza certamente.

Como que ela lida ao saber que esse homem está muito doente? Eu vou roubar a frase dos autores Rosane Svartman e do Paulo Halm, eu acho que sou totalmente adepta dessa frase. Ela diz que ‘prefere sofrer pelo que ela fez, do que se arrepender pelo que ela não fez’. Então ela vê ali um momento que pode dar um grande prazer a ela, já está dando um grande prazer, e eu acho que ela vai em frente. Vai sofrer provavelmente, eu não sei como vai ser esse casal, mas acho que ela vai sofrer com a possível morte dele ou com a ruptura… Não sei ainda o que vai acontecer.

Como está sendo gravar com o Antonio Fagundes? Gravei com ele esses dias pela primeira vez e é uma delícia. Eu não o encontrava desde Por Amor e eu nunca tinha feito par com ele, estava sempre na periferia, fazendo par com outros.

Ela tem esse desejo de voltar a trabalhar, mas a filha tenta atrapalhar isso. Como será mostrado isso? Inclusive ela fala sobre um processo que está acontecendo no Brasil. Ela ouve a filha pedindo para a Nana, ao telefone, que desconsidere aquilo, pedindo desculpas pela atitude da mãe. Ela fala isso para a Eugênia, que está desatualizada, porque o Brasil está em processo de envelhecimento da população e uma grande fatia do mercado está sendo ocupado por pessoas da minha idade. Eu acho que ser porta-voz disso em uma novela é muito legal, porque é verdade e de uma certa forma a gente sabe que a novela entra nas pessoas e essa situação é uma delas.

Você é boa com a internet? Praticamente uma Vera (risos). Meu marido e minha filha me salvam muito. Não sou como a Vera, mas sou mais ou menos.

A trama traz muitos trechos e diálogos de livros. O que você acha disso? A novela tem isso e é muito legal. Eu vi uma matéria de que isso está repercutindo e já existe pessoas fazendo movimentos de leitura com pessoas de idade mais avançada, tudo o que a gente precisava. Já que não temos ainda e eu tenho esperança de uma boa escola, o que a gente puder fazer para que isso seja difundido, principalmente incentivar a leitura, porque você além de abrir novos horizontes, você passa a falar bem, escrever corretamente… Então abre essa coisa e você se complementa.

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