Fabíula Nascimento: “Espero que role o casal Nana e Mario, é bonito ver eles juntos”

Atriz vê sucesso da personagem por ser humana, que erra e acerta toda a hora, e exalta elenco e texto real da trama


  • 07 de outubro de 2019
Nana (Fabíula Nascimento). Foto: Globo/João Cotta


Por Luciana Marques

Ver Fabíula Nascimento atuando é um deleite para qualquer pessoa fã de dramaturgia. No ar atualmente em Bom Sucesso, ela conseguiu humanizar tanto a sua durona e sisuda personagem Nana, que o público já a adora. Principalmente, os rompantes românticos dela com o amigo de infância Mario (Lucio Mauro Filho). “É quando ela se solta, fica vulnerável. E isso de voltar ao passado, essas coisas mexem com ela. E o Mario é essa pessoa que traz isso pra ela”, avalia Fabíula.

Assim como o telespectador, a atriz torce para a personagem descobrir logo quem é esse “traste” do Diogo (Armando Babaioff), e fique logo com Mario. “Espero que role sim, é uma casal muito real”, diz. E como Fabíula acha que Nana reagirá ao descobrir a verdadeira face de psicopata do marido. “Não faço a menor ideia... Mas eu acho que ela seria muito fria com isso tudo. Não acho que é uma coisa passional, não acredito. Principalmente porque não envolve amor”, diz ela, que está no ar em Sessão de Terapia, no GNT, e a partir de hoje também no Vale a Pena Ver de Novo, em Avenida Brasil.

Como tem sido a repercussão da Nana, o que você mais tem escutado? Ah, é um elogio que engloba todo o mundo. Realmente a novela é um grande presente, independente da personagem. Acho que a gente precisava de uma novela com uma leveza, com dramas familiares, sem questões de vingança ou de ódio. É uma novela que traz muito essa leveza e a possibilidade de você mudar através do outro, da empatia e do contato com as outras pessoas. Então eu acho que é uma novela bem positiva. E isso escorre pra todos nós e está todo o mundo muito feliz com a novela.

Nana (Fabíula Nascimento). Foto: Reprodução Globo

E a Nana está tendo umas transformações, olhando até a filha Sofia de forma diferente, né? É, mas tem um caminho longo aí pela frente. Acho que a personagem é bastante humana. Então como todos nós, ela erra e acerta o tempo inteiro e está sempre em busca de melhorar, eu acredito. É uma personagem muito movida pelo afeto, embora não pareça porque ela é muito durona, sisuda. Mas ela é uma criança assim por dentro, é muito emotiva, mexida com tudo. E acha que está acertando, como muitas vezes a gente também acha que está acertando e está errando.

E a gente fica com raiva de ver aquele marido, o Diogo, sacanear ela, fica todo o mundo torcendo para ela enxergar isso... É porque não é um machismo convencional, não é um homem que poda e coloca limites nela, ele é um psicopata. E diferente. Ele é manipulador, ele é perigoso. Mas dentro da família dela, a única pessoa que a acolhe, está o tempo inteiro à disposição, o tempo inteiro dizendo que ama, é esse homem. Então não existe a menor desconfiança de que ele seja isso tudo.

Teve aquela cena em que ele transou com ela sem ela querer, e falar desse assunto é importante, né? É, mas a gente não fez de uma maneira que abrangesse tanto, porque estamos num momento muito difícil do país, está muito polarizado. Mas ficou o recado ali que isso também é um abuso. Não importa se é marido, não tem direito sobre o corpo de ninguém. 

Vamos falar agora Mario e Nana, todo o mundo está torcendo muito por esse casal, até já shipparam #Nanario... Pois é... Ah, eu espero que role sim o casal, porque é bem interessante. São duas pessoas que se conhecem há muito tempo, então ele sabe quem ela é real, quais são os valores dessa mulher. É um cara completamente apaixonado, e eu acho que o amor é capaz de modificar muita coisa, independente se é um amor de homem e mulher, o amor é transformador. Eu acho que se Nana embarcar nessa, teremos um casal muito bacana. E é muito legal porque são duas pessoas de 40 anos falando texto de pessoas de 40 anos, então é um casal muito real. É bonito quando os dois juntos.

E você já tem uma parceria longa com o Lucio Mauro Filho, né? Sim, eu e o Lucinho trabalhamos juntos há muitos anos. A gente se ama, então a gente tem a maior troca, a maior conversa sobre o que a gente quer fazer desses encontros. Porque eu acho que a gente tem que ter realidade também. O texto da Rosane (Svartman) e do Paulo (Halm) é um primor. São duas pessoas de 40 anos, a gente não fala nenhuma palavra adolescente, dizendo, agora vai dar tudo certo, como a gente está acostumado a ver casais numa certa idade como se fossem adolescentes. Não, são questões, olha, você tem chance de retomar a sua vida, de mudança, um beijo pode mudar o mundo. Pode, sim, acredita, “vambora”, larga isso, são coisas possíveis que pessoas mais velhas pensam mesmo. E dá muito certo por conta disso. Então a torcida é muito grande para que ela descubra quem é esse traste e que fique com o Mario.

Nana (Fabíula Nascimento) e Sofia (Valentina Vieira). Foto: Globo/João Cotta

A Nana nesses primeiro capítulos veio para ser a antagonista da Paloma (Grazi Massafera), mas a gente vê como o público está curtindo a personagem, torcendo por ela. Por que você acha que isso está acontecendo? Eu acho que é a identificação total, ela é muito todo o mundo. É uma pessoa que está ali tentando tocar uma empresa, é uma herança de família, não é o que ela queria, mas é o que tem. Tem boas relações, é uma pessoa inteligente, uma boa executiva. Não é uma boa mãe porque está repetindo valores e padrões que ela tem dentro de casa, ninguém pode dar aquilo que não tem. Mas ela está sempre em busca, e quando ela erra é porque é teimosa, não escuta, tem ciúme, ela erra porque age como menina de vez em quando. 

Ela vive meio que vida o pai, não quer que aquela empresa termine... Em qual momento você acha que isso muda? Ela é tão cega nisso que quer viver a dor do pai junto, está completamente equivocada. Mas a ficha vai caindo, o momento vai passando. E é muito natural que ela pense qualquer coisa assim, que ela ache eu a Paloma é uma usurpadora e que ela quer se aproveitar porque é uma mulher bonita. Vem todo o machismo também da personagem, de achar que uma mulher bonita com um cara velho, todo esse preconceito que foi passado pra gente durante uma vida inteiro, de que isso é errado. Tem todas essas quebrar. Isso de ela ocupar um lugar de filha que seria o dela, ela acha que é isso, mas não é, se ela conversasse, se colocasse no lugar da outra, de repente ela chegaria num lugar. Mas é uma novela, aí vem o marido e manipula, como houve na questão do assalto... E uma pessoa que está cega, tem um psicopata do lado, vai acreditar nessa pessoa.

E a parceria com o Antonio Fagundes? Ai, ótimo! Aqui a parceria com todos é maravilhosa. Esse elenco é um presente, Grazi, Fafa (Fagundes), Romulo (Estrela), que é como se fosse meu irmão mesmo. O Lucinho, o Baba (Armando Babaioff), meu amigo, meu parceiro, tão talentoso, tão bonito ver ele brilhar. É tão bonito ver isso tudo que está acontecendo. A minha filha (Valentina Vieira) é uma princesa, a menina é danada, tem uma coisa ali nela de artista mesmo. O elenco jovem, tem gente que nunca fez nada, como a Bruna (Inocêncio), e estão fazendo um trabalho lindo. A gente tem o maior respaldo dos preparadores, a Tati, a Beta, você vê o cuidado que eles têm com quem tá chegando. E dá muito orgulho, porque quem tá vindo aí é outra geração, outro tipo de pensamento, outras questões, zero preconceito, pessoas que vivem, que são e estão. E isso pra mim é o mais lindo.

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