Camilla Camargo, além do sobrenome

Filha de Zezé mostra brilho: “São aí 20 peças, passei maus bocados, me fez crescer”


  • 05 de dezembro de 2017
Foto: Patricia Canola


Por Ana Júlia

Ela carrega o sobrenome famoso Camargo. É a filha do meio do cantor Zezé Di Camargo e de Zilu, irmã de Wanessa e de Igor. Mas Camilla Camargo tem provado estar muito além de parentescos, apesar da pressão. “A gente não pode ser hipócrita de dizer que não existe uma cobrança maior, mas tenho muito orgulho da família que tenho. E isso sempre me fez querer buscar o meu espaço, me aprimorar e crescer como artista. Então, sempre vi isso como um lado positivo, que me fez evoluir”, ressalta.

Ela foi à luta e conquistou o seu lugar! Camilla tem feito um caminho tão lindo na carreira de atriz. Além de estar no ar como a Diana em Carinha de Anjo; nos cinemas, estrelou o elogiado Travessia, e, no teatro, brilha a cada novo papel. Em 2010, protagonizou Zorro, o Musical, em 2016, fez parte do elenco da premiada Caros Ouvintes.

"A gente não pode ser hipócrita de dizer que não existe cobrança maior por ser filha de quem sou, irmã de quem sou, mas tenho muito orgulho da minha família, da minha mãe, do meu irmão. E isso sempre me fez querer buscar meu espaço."

Como os seus pais têm visto a sua ascensão na carreira?

Ah, meus pais são suspeitos (risos). Mas eles super me apoiam em tudo o que faço. E tenho certeza que eles estão contentes e felizes por tudo o que tem acontecido comigo. E a gente tem uma torcida muito grande um pelo outro e vibra com as vitórias um do outro.

Você é cria do teatro, agora também fez TV e cinema. Passou por perrengues?

Ah, a gente sempre passa. Essa é uma profissão que, por mais que as pessoas enxerguem com glamour, não é fácil, é de altos e baixos, inconstante. Então, a gente sempre passa por coisas, que eu falo que são até boas para passar, para realmente ver se é isso o que a gente quer. Porque tem que amar muito, principalmente quem ama teatro como eu. E, infelizmente, não tem uma visibilidade tão grande, há até um certo ‘pré-conceito’ com ator de teatro. Tenho aí mais de 20 peças, em mais de 10 anos de carreira. Já fiz peça que começava à meia noite, na Praça Roosevelt, em São Paulo, já passei por alguns maus bocados e isso só me fez crescer e ter mais certeza do meu amor pela minha profissão.

"Por mais que as pessoas enxerguem com glamour, é uma profissão que a gente tem que amar muito, porque é de altos e baixos, inconstante."

Qual o balanço de sua participação em Carinha de Anjo?

Um presente, onde realmente aprendi muito, onde eu pude conviver com pessoas que me engrandeceram como ser humano, profissional. Um trabalho pelo qual eu tenho o maior carinho. Até porque trabalhar com criança é especial, digo que não tem tempo ruim. Sempre à base de muito sorriso, amor. Um texto primoroso da Leonor Corrêa, que transmitia tantas coisas boas para as crianças, ensinamentos. É um marco para a minha carreira.

O que mais aprendeu com a personagem?

Nossa, aprendi muito com a Diana. Principalmente, essa questão de fazer tantas coisas e sempre com um sorriso no rosto. Não ter tempo ruim, uma mulher pé no chão, que trabalha dentro de casa, fora, cuida dos dois filhos, é muito enérgica e sempre faz isso com muito amor. 

"Às vezes, penso muito nos outros e acabo esquecendo um pouquinho de mim. E acho que isso tem que ser equilibrado, a gente não pode se anular."

E como foi atuar nas três áreas, TV, cinema e teatro?

Foi um ano abençoado. Consegui emendar novela, teve o lançamento de Travessia, do João Gabriel, filme maravilhoso com Chico Diaz, Caio Castro, Cyria Coentro. Vivi a Marina, completamente diferente da Diana. E estava em cartaz com Caros Ouvintes, onde eu fazia a Leonor Praxedes, uma cantora boêmia, de rádio, dos anos 60. Então, eu pude transitar por personagens completamente diferentes. Essa é a graça da minha profissão.

Você tem feito muitos musicais. O que mais curte nesse gênero?

Comecei no teatro musical em 2005 no Musical dos Musicais, do Wolf Maya. Desde nova era apaixonada por Grease, por todos os musicais, eu amo, porque você pode cantar, dançar, interpretar, tudo junto. É um gênero complicadinho de se fazer, exige muito estudo, dedicação, mas como eu sou, como dizem, muito CDF em tudo o que faço, gosto daquela rotina maçante de ensaios, de canto, de dança, de interpretação. Gosto disso e de poder colocar tudo isso num trabalho só.

"Musical é um gênero complicadinho de se fazer, exige muito estudo, dedicação, mas como eu sou, como dizem, muito CDF, gosto da rotina maçante de ensaios."

Quem são as suas referências no teatro musical?

Sou apaixonada pela Liza Minnelli, desde nova, ela sempre foi uma inspiração linda para mim. Aqui nós temos pessoas incríveis, como a Naíma, que faz muito teatro musical, a kiara Sasso, a Sara Sarres, são artistas incríveis que admiro muito. Na TV e no teatro, amo a Lília Cabral, a Cyria Coentro, eu disse até que eu tive orgulho de fazer dois trabalhos com ela, sou apaixonada pela Cyria.

Quais são as suas maiores qualidades?

Deixa eu pensar... Acho que eu sou muito fiel às pessoas que eu amo, muito dedicada, me entrego de coração, gosto de ajudar quem está ao meu redor.

E quais os seus defeitos?

Acho que isso que falei antes, não sei se chega a ser defeito. Às vezes, penso muito nos outros e acabo esquecendo um pouquinho de mim. E acho que isso tem que ser equilibrado, a gente não pode se anular. E outro defeito é que eu sou muito indecisa. Para escolher desde o que vou usar, restaurante que vou comer, tudo é sempre uma indecisão sem fim.

Quais os seus sonhos na profissão?

Ah, meu sonho, na verdade, é continuar vivendo do meu trabalho, é ter o meu lado profissional mais estabilizado. É poder viver da minha arte, em paz, sem essas nuances de estar trabalhando, não estar trabalhando, de ter isso mais linear e poder fazer muito cinema, teatro, TV, poder brincar entre as artes aí. E que nunca me falte trabalho. 



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