Vitória Strada: “Tem algo muito especial, sagrado nesta novela”

Atriz fala da emoção e do desafio de viver três papéis em Espelho da Vida


  • 08 de outubro de 2018
Foto: Globo/César Alves


Por Luciana Marques

A gaúcha Vitória Strada, de 21 anos, vem provando ser uma das atrizes de sua geração mais requisitadas da teledramaturgia no momento. Em dois anos, ela vive a sua segunda protagonista, Cris Valência, em Espelho da Vida – a primeira foi a Maria Vitória, de Tempo de Amar, em 2017. “É muito surreal. É uma realização de um sonho que nem eu podia imaginar”, diz.

E na trama de Elizabeth Jhin, além de Cris, ela interpreta Julia Castelo, em 1932, e a personagem de Julia no filme que será rodado dentro da novela. “Na verdade, são três facetas da Cris. Não são três personagens separados. É um trabalho árduo, mas que está valendo muito a pena”, ressalta.

Vitória conta ainda não seguir uma religião só, mas que acredita em muitas coisa do espiritismo. Tanto que durante as leituras da trama, o diretor Pedro Vasconcelos olhava para ela e perguntava: “Você não sente que é você? E eu começava a chorar, me emocionava”, lembra.

E mais uma vez, Vitória está mostrando que veio para ficar!

Cris (Vitória Strada). Foto: Globo/João Miguel Júnior

CONVITE

"O Pedrinho Vasconcelos, diretor, me ligou. Não tinha feito nem um mês ainda que eu tinha entrado de férias. Ele me contou a história da novela e eu fiquei encantada. Perguntei se podia fazer um teste. E ele falou: ‘Não tem teste. É você’. Aí eu quis saber para qual papel, porque eu não estava entendendo. E ele disse: ‘É você a protagonista’. Eu não sei explicar a emoção que senti na hora. Ele pediu para eu ter calma porque era um desafio muito grande. E embarcamos juntos! O Pedrinho tem sido meu professor, meu mestre diariamente para contar essas três histórias."

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HISTÓRIA DA NOVELA

"Eu acredito em tudo que é puro, verdadeiro e no amor, acima de tudo. A Beth (Elizabeth Jhin) colocou um pouquinho de mistério e muito amor. Ela juntou três histórias em uma e ficou esse romance misterioso que fala de reencarnação, vidas passadas. O que eu digo para as pessoas que me perguntam por que devem assistir à novela é que ela nos ensina muito. Ensina que as pessoas não entram nas nossas vidas por acaso, que não devemos fazer o mal para as pessoas ou querer julgá-las, porque não sabemos o que elas passaram, ou nessa vida mesmo ou em vidas passadas."

PAPÉIS DE CRIS VALÊNCIA E JULIA CASTELO

"Vamos ver uma Cris vivendo a vida dela. Mas que, aos poucos, vai entendendo que foi essa menina. Quando ela volta para o passado, volta no corpo da Julia, mas com a cabeça da Cris. Ela vai conhecer o pai na vida passada, a mãe. É um mistério, um quebra-cabeça que a gente vai construindo. Ela quer saber a história dela e, ao mesmo tempo, é o destino dela. Sempre que tem algum receio, quando está muito pesado para ela lidar com tudo, parece que a vida puxa ela e diz: ‘Esse é o seu caminho. Você precisa descobrir como foi a sua história’. Então, ela volta para casa, faz a passagem do tempo, descobre mais alguma coisa e ela vai se reestruturando à medida que tudo vai acontecendo."

Cris (Vitória Strada) e Alain (João Vicente de Castro). Foto: Globo/João Miguel Júnior

ENREDO COMPLICADO?

"O complicado é bom. Que graça teria se a gente soubesse de tudo que fosse acontecer na nossa vida. Eu acho que o público vai se encantar cada vez mais por essa novela, justamente, por essa junção de mistério com história de amor e reencarnação, para quem acredita no espiritismo, e ensinamentos para quem não acredita."

PERFIL DA CRIS 

"Eu senti que é como se a Cris fosse um fio condutor de entender o que aconteceu com cada personagem. Do porquê que o Alain (João Vicente de Castro) começa a agir muito ríspido com ela no presente. Desde que eles chegam na cidade, ele começa a ser muito grosso com ela. No presente, ela tem medo de casar. Quando voltar para o passado vai explicar muitas coisas."

ESPIRITISMO

"Eu acredito! Eu não acredito em uma religião só, mas eu acredito em muitas coisas do espiritismo."

VIDAS PASSADAS

"Tenho um pouco de medo. Imagina descobrir e ter que lidar com isso. Não é um caminho fácil, imagino, para quem lida com isso, resolve descobrir ou fazer alguma espécie de regressão. Pelo menos, o que eu posso dizer pelo caminho da Cris é que não é uma coisa simples."

Cris (Vitória Strada). Foto: Globo/Estevam Avellar

ESCOLHA PARA PROTAGONISTA ERA DESTINO?

"Quando a gente começou a fazer as leituras, eu fui percebendo cada vez mais a responsabilidade que eu tinha nas mãos. O nosso diretor Pedro Vasconcelos falava assim: ‘Você não sente que é você?’. E eu começava a chorar. Eu não sei o porquê, mas tem alguma coisa muito especial nessa novela. Acho que não só eu, como todo o elenco, equipe sente isso. Quando a gente fala de alguma religião ou quando está tocando em um assunto tão especial, é como se fosse sagrado. É até mais ou menos isso que a minha personagem fala quando descobriu a casa. Ela fala: ‘Eu não sei o que está acontecendo, mas eu sinto que é sagrado’."

DUAS PROTAGONISTAS SEGUIDAS

"Se eu pudesse pensar, antes de tudo acontecer, o que eu queria para a minha vida e na minha carreira, eu queria ter grandes oportunidades como atriz, trabalhar com pessoas do bem, acima de tudo, e ter papéis que me ensinassem. E a vida uniu tudo isso em tão pouco tempo e de uma forma tão especial. Antes de fazer Tempo de Amar, fui protagonista de um filme (Real Beleza, de 2015) com a Adriana Esteves, Francisco Cuoco e Vladimir Brichta. Nada acontece do nada. As pessoas acham que as coisas caem do céu, mas na verdade tem uma jornada muito longa. Eu digo que as oportunidades chegam na hora que tem que ser."

TRAJETÓRIA 

"Se eu fosse parar para pensar, há dois anos, onde eu estaria hoje, eu pensaria assim: 'Um dia eu quero chegar lá’. Eu sei de todo o meu esforço, mas eu não consigo pensar: ‘Ah, era eu que devia estar lá. Eu devia ser a protagonista’. Eu apenas tenho a consciência do meu esforço todos os dias. Acho que cada vez que me dão mais oportunidades, mais eu me sinto com responsabilidades. Então, eu preciso me dedicar mais e mais. Não tem resultado sem dedicação, não tem trabalho sem esforço diário."



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