Juliano Laham, o gay Luccino: “O amor não se julga, se vive”

Ele festeja papel e diz que as pessoas precisam evoluir no quesito respeito ao próximo


  • 19 de setembro de 2018
Foto: Brunno Rangel


Por Luciana Marques

Aos 25 anos, e em seu segundo papel na TV - ele fez Malhação: Pro Dia Nascer Feliz, em 2016 -, Juliano Laham figura como um dos destaques de Orgulho e Paixão. Na pele do Luccino, ele emocionou o telespectador, mostrando com sensibilidade e, ao mesmo tempo, força, desde a descoberta da homossexualidade do mecânico, culminando com o beijo dele no capitão Otávio (Pedro Henrique Müller), em capítulo exibido na semana passada.

Feliz com a oportunidade de viver um personagem tão especial, Juliano admite deixar a novela “mais maduro”. E conta qual foi o seu maior aprendizado. “Enfatizei ainda mais na minha vida que o amor é livre e tem que ser vivido da maneira mais feliz”, assegura.

Na entrevista ao Portal ArteBlitz, o ator faz um balanço de sua participação na trama das 6, e só lamenta constatar que ainda há tanta homofobia no Brasil e no mundo. 

Luccino (Juliano Laham) e Otávio (Pedro Henrique Müller). Foto: Globo/César Alves

Qual o balanço você faz para o Juliano ator, ter vivido um personagem tão especial como o Luccino?

Termino a minha participação como um homem mais maduro. Mesmo sabendo da importância do respeito de gêneros e orientação sexual, esse personagem me mostrou ainda mais o quanto o preconceito existe nos tempos atuais. 

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A relação dele com o Otávio é muito bonita. Por que você acha que esse casal deu tão certo, a ponto do público torcer?

Porque estamos muito conectados, num único propósito, mostrar o amor entre duas pessoas do mesmo sexo como qualquer outro amor. A nossa vontade de dar certo em contar essa história ajudou muito. 

Qual foi a sua maior dificuldade?

Eu diria preocupação, em conseguir passar a mensagem, e modificar de alguma forma o pensamento de quem está assistindo.

Foto: Brunno Rangel

Qual o feedback você recebeu durante a novela dessa curva toda do Luccino, até assumir sua homossexualidade... Houve muitas pessoas que se identificaram com ele?

Sim, recebi diariamente muitas mensagem de carinho e de pessoas se sentindo representadas. Pessoas relatando sobre suas histórias, famílias agradecendo por terem conseguido entender e respeitar a orientação sexual do outro. Sem sombra de dúvidas, esse é o melhor presente para o ator, saber que está modificando para o bem a vida das pessoas.

Por outro lado, sentiu algum preconceito nas redes contra ele ou até mesmo contra você, pelo fato de ele ser gay?

Sim, infelizmente a homofobia existe. Eu respeito a opinião do outro, mas não agrego na minha vida aquilo que não acredito. As pessoas precisam evoluir no quesito respeito ao próximo. O amor não se julga, se vive. 

O beijo de Luccino (Juliano Laham) e Otávio (Pedro Henrique Müller). Foto: Reprodução Globo

Que conselho você daria a “Luccinos” que estão por aí e sentem receio em se assumir e serem felizes com suas próprias escolhas?

Que a vida é única e que devemos viver da melhor forma possível, com muito amor e felicidade. Jamais devemos deixar nossa felicidade de lado.

O que o público pode esperar do casal Luccino e Otávio nessa reta final?

Que esse amor vai suprir qualquer tipo preconceito, mostrando o amor deles de uma forma genuína, pura e romântica. 

Você tem uma carreira recente na TV, mas já fez um trabalho bacana em Malhação, e agora esse grande destaque como o Luccino. Sente que esse papel fez as pessoas, colegas, diretores, críticos, público, terem um novo olhar para você como ator? 

Acho que cada personagem tem suas características e aprendemos coisas novas com eles. Em especial, o Luccino aborda um tema que deveria ser normal como qualquer outro casal. Conforme vou fazendo novos personagens, consigo ir mostrando minhas vertentes, talvez seja por isso que as pessoas estejam tendo um olhar mais maduro aos meus trabalhos. Ainda tenho muito o que aprender e vivenciar na arte. Espero poder emocionar e tocar novas pessoas com meus novos projetos.



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