Pai, francês, de Yara Charry não conhecia novela até ver Malhação

Atriz festeja sucesso da “nojentinha” Jade e diz do que mais sente falta em Paris


  • 05 de julho de 2018
Foto: Globo/João Cotta


Por Redação

Quando estreou nas novelas em Velho Chico, Yara Charry, natural de Paris, não precisava esconder o sotaque porque o papel era de uma francesa. Agora, no ar como a Jade, de Malhação: Vidas Brasileiras, nem parece que ela mora somente há dois anos no Brasil, porque o seu português está praticamente perfeito. “Fiz muita fono, umas cinco vezes por semana, e ainda hoje eu tenho algumas dificuldades”, conta.

Feliz com a repercussão de seu segundo trabalho na TV, ela só faz questão de ressaltar que não tem nada a ver com a “nojentinha” de sua personagem. “Ela não tem filtro”, avalia. Filha de mãe brasileira e pai francês, a atriz tenta driblar as saudades focando no trabalho. A jovem diz que está bem adaptada ao Rio, mas, claro, sente muita falta da família, dos amigos e do seu café preferido na França.

Jade (Yara Charry). Foto: Globo/Mauricio Fidalgo

Como é a Jade para você?

A Jade para mim, ela é nojentinha mesmo, é muito crua como pessoa, não tem filtro. Então, se ela quer falar alguma coisa, ela vai falar, goste a pessoa ou não, para mim ela é isso.

Você tem alguma coisa a ver com a Jade?

Olha, eu odeio mentir, e se a pessoa me perguntar alguma coisa, eu vou falar a verdade. Mas eu vou saber falar de um jeito para que a pessoa não fique chateada ou para que ela entenda o que eu quero falar, a diferença é essa.

E como é para você poder cantar também em Malhação?

Eu fiquei muito feliz quando eu soube que a Jade iria cantar, porque eu, Yara, sou apaixonada por música, sempre cantei, eu gosto muito, acho lindo. Quando eu soube que eu iria cantar e atuar, juntou as duas coisas que eu mais gosto de fazer no mundo. Ela gosta muito de cantar, o foco dela é cantar, ela quer ser uma grande cantora, então esse negócio da banda, ela sempre quer e ela canta com o Tito, que é uma coisa que também aproxima eles dois.

Jade (Yara Charry) e Tito (Tom Karabachian). Foto: Globo/Mauricio Fidalgo

A gente vê que a Jade comete bullying com muita gente na escola. Na sua época de colégia, você sofreu com isso ou fez algo do tipo?

Não, eu não fiz bullying com ninguém, graças a Deus. Eu tinha uma amiga que sofreu muito bullying e eu defendi muito ela de todas as maneiras. Essa palavra bullying é muito forte, eu morava na França, e onde eu estudava não tinha muita morena, mas não era tipo um bullying, era tipo: “Pô, você é diferente da gente e tal, que legal”. Não era um bullying pesado como a Jade faz.

Em relação à representatividade, como você se sente pelas pessoas se verem em você?

Falando nisso, esses dias eu recebi uma mensagem de uma menina que falou que estava feliz, porque mesmo não gostando muito da Jade, ela tem um cabelo cacheado, ela não tinha problemas de se assumir e ser diferente de todo mundo e tal. Eu fico muito feliz por isso, porque eu acho que os adolescentes olham a TV, eu também olho séries e filmes e eu fico muito interessada com os atores ou com uma atriz. Eu acho que os adolescentes aqui olham a Malhação e se imaginam ali também.

Sua família ainda mora em Paris, né? E eles assistem à novela?

Minha família sempre morou lá, nunca veio para cá, mesmo depois de Velho Chico. Eu fui para lá várias vezes para visitar os meus amigos e a minha família, de férias, e também eles vieram no Natal e Carnaval. Minha mãe veio agora uns dias também. Mas eles estão assistindo, minha mãe ama Malhação, e isso é muito legal porque eu nunca pensei que ela iria gostar, ainda mais porque sempre gostou só de série, aquelas coisas dramáticas. Meu pai também está assistindo e gostando, por incrível que pareça, porque ele não conhecia novela, ele é francês, e eu, antes de morar aqui, também não conhecia.

Jade (Yara Charry). Foto: Globo/Mauricio Fidalgo

Você não pensa mais em voltar a morar em Paris?

Pelo trabalho, tudo o que eu faço aqui, eu não penso em voltar. Minha profissão agora é aqui, sempre gosto de ir a passeio. Eu nasci lá e estou há dois anos morando aqui, nunca tinha morado no Brasil e tudo mais. Até então voltar para lá para morar, se tiver alguma coisa de trabalho, é obvio que eu volto, porque eu amo Paris, eu amo viver lá, eu amo minha cidade natal.

Agora em Malhação você está sem sotaque, mas em Velho Chico era um pouco seu mesmo, não?

Era meu mesmo, porque quando eu cheguei, foi muito de repente. Então, não teve tempo de criar um sotaque ou tirar o meu, mas também a personagem era francesa, então tudo bem, era isso. Quando acabou Velho Chico e eu decidi me mudar para cá, eu fiz muita fono, umas cinco vezes por semana, e ainda hoje eu tenho algumas dificuldades, faço aulas de português e tudo mais e continuo estudando.

Na profissão de atriz foi o Brasil que te abriu as portas, lá em Paris você trabalhava como modelo?

Não, eu trabalhava no marketing da moda, na verdade. Eu modelava só por hobbie mesmo, mas não era o foco da minha vida. O Brasil me abriu as portas para ser atriz, porque lá eu nunca pensava em ser atriz na vida.

Gabriela (Camila Morgado) e Jade (Yara Charry). Foto: Globo/João Cotta

Mas como surgiu esse intercâmbio para você vir para cá trabalhar?

Então, me chamaram para fazer teste para Velho Chico, eles me ligaram de lá para saber se eu poderia vir e se eu poderia fazer o teste. Eu vim, fiz o teste e passei, mas eu não era atriz.

Mas como chegaram até você?

Eu era amiga, de uma amiga, da amiga da minha mãe... (risos) Então, foi muito louco! Eles estavam procurando uma francesa, que falasse português, mas que também era de Paris, aí uma amiga que eu nem conhecia na época, trabalhava aqui e soltou que conhecia uma amiga que tinha uma filha que era francesa. E acabou que eu vim para cá.

O que você sente falta de Paris?

Além do meu irmão, da minha mãe e do meu pai, porque eles vêm aqui, mas quando eu estou sozinha, eu sinto muita falta deles, meus amigos, a minha rotina de lá. Eu saia com as minhas amigas e tomava um café, meu café preferido, meu restaurante preferido, as coisas bobas que a gente fazia de rotina.



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