Gabriela Petry, a Sophie, de As Aventuras de Poliana: "Papel rico!"

Atriz exalta crianças da trama e lembra experiências no Faustão e em filme iraniano


  • 18 de junho de 2018
Foto: Toia Oliveira


Por Luciana Marques

* Entrevista também disponível em vídeo, abaixo.

Quem está adorando ver no ar a professora de música Sophie, de As Aventuras de Poliana, do SBT, vai se encantar ainda mais pela sua intérprete, Gabriela Petry, nessa entrevista exclusiva ao Portal ArteBlitz. A atriz e cantora de 31 anos é falante, divertida e revela até que o Jogo do Contente, sobre focar no otimismo, o mote da trama, instintivamente já faz parte de sua vida.

“Tento ver sempre como a gente consegue melhorar uma situação, mesmo sendo ruim”, diz a atriz, que também participou de tramas como A Regra do Jogo e recentemente, Carinha de Anjo.

Atriz também de musicais, Gabriela participou ainda durante quatro anos do Domigão do Faustão, primeiro fez parte da banda do programa, depois foi repórter. “Foi incrível! Só tenho recordações boas dessa época”, ressalta. A atriz também teve recentemente uma oportunidade rara para um ator brasileiro. Ela participou do filme iraniano Texas, rodado no Brasil, com estrelas de lá como Sam Derakhshani e Pejman Jamshidi, tendo que falar em persa. O longa é o maior sucesso no país.

Deleite-se com a entrevista em que Gabi também elogia a atuação dos parceiros mirins de As Aventuras de Poliana, e conta se torce para um futuro romance da misteriosa Sophie com o professor Iuri (Emilio Farias).

Sophie (Gabriela Petry). Foto: Lourival Ribeiro/SBT

O que tem mais instigado você ao viver a Sophie em As Aventuras de Poliana?

Eu acho que o fato desse personagem ser muito rico. Ela é francesa, então, já tem o desafio de falar com o sotaque frâncês, o que eu acho muito legal como atriz de fazer. Eu posso trabalhar também com a música com esse personagem, porque ela é professora de música na Escola Ruth Goulart, então, é uma boa oportunidade de eu tocar os instrumentos, e estudar mais eles. Por exemplo, não tocava piano. E para fazer algumas cenas, eu faço aula para ter uma desenvoltura maior. E ela é uma pessoa misteriosa. Mais para a frente vão ser revelados alguns segredinhos do passado dela. E isso é muito legal, a gente trabalhar com mistério no ar.

O Iuri vai estar sempre dando uma insvestidas na Sophie. Você acha que ela vai abrir a guarda, tem futuro essa relação?

Ah, meus amores! Eu não posso falar! Mas eu, Gabi, torço para que sim, porque se o amor deles for verdadeiro, se realmente for rolar alguma coisa bacana, eu acho que é válido, sempre. Então, tomara que ela perceba se ele realmente tiver boas intenções com ela. Que ela relaxe um pouquinho e dê essa oportunidade, mas não sabemos... Isso sou eu, Gabi, falando, eu não sei mesmo. A gente recebe os capítulos aos poucos, mas eu espero que, se tem química, que role. Para que se privar do amor, de uma relação gostosa?

Como tem sido o contato com as crianças, gravar com elas, estão bem preparadas?

Nossa, as crianças dessa novela, elas não são crianças, elas são incríveis, estão mais preparadas do que a gente, eu acho (risos). Dão um banho na gente, são maravilhosas. Além de ir para a escola, estudam, depois ainda vão para a gravação. É demais, elas todas, sem exceção, são crianças lindíssimas, queridas, lindas por dentro que eu falo, com os pais ali sempre presentes, cuidando, botando os pezinhos delas no chão. Elas são incríveis! Eu tenho muito orgulho de trabalhar com essas crianças.

Foto: Toia Oliveira

A novela trata muito da questão de ser positivo na vida, o que você tem mais aprendido nessa novela?

Olha, instintivamente, eu jogo o Jogo do Contente. Se você for perguntar para os meus amigos, a minha família, as pessoas que me conhecem há muitos anos, geralmente, elas falam... Gabi é uma pessoa muito para cima. Na verdade, não é que eu seja para cima, eu sou transparente, e se estou feliz, os meus amigos vão saber, se estou chateada, vão saber. E tento ver sempre exatamente como a gente consegue melhorar uma situação, mesmo sendo ruim. O que posso tirar dessa situação, porque é óbvio, ninguém é otimista e feliz 100% do dia, todos s dias. A vida até seria muito chata se fosse assim. O que nos torna bacana e maduros é justamente a gente saber lidar com as situações ruins da nossa vida. Acho o Jogo do Contente muito bacana, tentar sempre ver o lado bom de uma situação ruim. E eu faço bastante isso, e não estou falando por causa da novela. Quem me conhece, sabe.

Então, na sua vida, você é assim, otimista?

Sim! Eu aprendi também faz um bom tempo, que mesmo as coisas ruins, tudo tem um tempo... Se a gente não está num momento bom, se alguma coisa aconteceu, dá tempo ao tempo, que tudo se resolve no final. Óbvio, a não ser a morte, mas acho que até isso, se a gente souber lidar da melhor maneira, e dar tempo ao tempo, e saber que uma hora vai acalmar, melhorar o sofrimento, acho que a gente vive uma vida mais leve.

Você trabalhou um tempo no Domingão do Faustão, foi da banda dele, depois repórter. O que mais se recorda dessa fase?

Foi uma fase maravilhosa da minha vida. Vinha geralmente quase toda a sexta-feira ensaiar com a banda aqui, e essa banda virou uma grande família. Três dos meus melhore amitos eu conheci nessa banda, são tipo irmãos para mim, cuidam de mim como uma irmã mesmo. Foi uma fase maravilhosa. Além de a gente estar ali num programa ao vivo, ao lado do Faustão, uma pessoa incrível, estar no programa dele, ouvir a voz dele, você fica, meu Deus, que demais. E ele é uma pessoa generosíssima, super querido, e te dá o aprendizado, essa coisa do ao vivo, do se vira nos 30, aprendi muito nesse programa. Depois como repórter foi uma experiência super legal também. Foi mais se vira nos 30 ainda, a gente ficava ali, era tudo muito rápido, às vezes estava combinado uma coisa, chegava na hora e mudava tudo. Realmente foi uma fase muito boa na minnha vida, de 2011 a 2015. Agradeço muito a família Domingão inteira. Só tenho boas recordações!

Foto: Toia Oliveira

Depois você partiu mais para a área de musicais, o que mais te encanta no gênero?

Poder fazer três coisas que eu amo num trabalho só, atuar, cantar e dançar. A magia do palco, o cheiro da coxia, ouvir a orquestra tocando ao vivo. Quem faz musical, sabe do que eu estou falando, é uma coisa muito mágica. E você poder explorar, como os americanos falam, 'triple threat', ameaça tripla, quem faz os três, dança, canta e representa. Para quem estuda, estudou isso, é demais.

Como avalia a sua carreira, acha que tudo tem acontecido como deve ser, faria algo diferente?

É difícil dizer... Se tivesse feito algo diferente lá atrás, talvez eu não estaria onde estou hoje. Estou muito feliz onde estou. Então, acho que tudo aconteceu no seu tempo. Às vezes, a gente tem pressa, quer que as coisas aconteçam rápido demais, mas sem pensar que tudo tem um tempo. E tudo o que passei, até as demoras, as esperas, me fizeram aprender alguma coisa. Então, calma, a gente tem que se esforçar, estudar e não deixar de acreditar, ir atrás dos sonhos. Senão, nada acontece, e a gente não vai para a frente. Pelo menos comigo é assim, nada cai do céu.

Ser artista no Brasil não é nada fácil, né? Alguma vez pensou em desistir da carreira?

Opa, só uma 500 vezes... Mas tenho uma base familiar muito bacana, pais artistas, então, eles sempre estiveram do meu lado, acreditaram em mim, me incentivaram, meu irmão também. Então, cada vez que pensava em desistir, eles também estavam do meu lado. E diziam: 'Gabi, quer fazer outra coisa? Quer fazer uma faculdade de Medicina?'. Já passou isso algumas vezes na minha cabeça... Meu irmão é médico, acho linda a profissão, entre outras. Mas cada vez que me imaginava em outra profissão, não ficava feliz, não ficava contente, nem o Jogo do Contente resolvia (risos). Então, falei, não dá para desistir, por mais que seja difícil, vamos em frente. Somos artistas, e a gente não desiste!

Foto: Divulgação

E como foi a experiência no cinema internacional, no filme Texas?

Isso foi uma loucura, depois de muita indicação, não foram testes, porque já mandaram meu material meio que pronto, e foi através desse material que me escolheram. Mas eu fui chamada para ser uma das protagonistas de um filme iraniano, que ia ser filmado aqui no Brasil, com astros do cinema de lá, e eu sou a mocinha do filme. Até então, ia fazer tudo em Português. Chegando a hora do meu primeiro dia de gravação, com todo o texto em português decorado, falaram, não, espera, tem que ser em persa esse jogo dela com os iranianos, senão, não vai fazer sentido. Gabi, fala essa frase aqui, me deram uma frase para falar em persa, eu repeti, falaram, bacana, você consegue. A gente vai te passar o filme inteiro assim, frase por frase, você vai falando, estudando para o dia seguinte, e você consegue. Foi uma experiência maravilhosa, a mais louca da minha vida, eu acho. O filme é sucesso no Irã, número 1 de bilheteria, está há dois meses bombando lá. Em breve eu estou indo para lá.



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