Roger Gobeth avalia 20 anos de carreira. “Sem arrependimento"

Ator, que deixou a Record após 12 anos, está com novo escritório


  • 24 de abril de 2018
Foto: Vinícius Mochizuki


Por Luciana Marques

Ele se formou em Arquitetura, no início dos anos 90, mas fez um único projeto: o de seu apartamento. É que ao conhecer o teatro, a paixão pelas artes falou mais alto. Desde então, fez inúmeros trabalhos na TV e no teatro.

Em 1999, estreou como o Touro de Malhação. Depois, mais sucesso ainda como o Frederico, protagonista de Floribella, da Band, em 2005. Teve também o Félix, de Vidas Opostas, em 2006, e as tramas bíblicas.

Entre os personagens de destaque na RecordTV, o Anrão, na primeira fase de Os Dez Mandamentos. Seu último trabalho na emissora foi em O Rico e Lázaro, em 2017. “Tudo aconteceu muito rápido. Mas ainda há muito o que fazer...".

Com certeza, Roger! E, antes que ele volte com um novo projeto, mate as saudades aqui nessa entrevista super bacana para o Portal ArteBlitz.

Foto: Vinícius Mochizuki

Ano que vem você completa 20 de carreira. Como avalia a sua trajetória, tudo aconteceu como devia ser, ou há alguma mágoa, arrependimento?

Arrependimento nenhum! Mas esses 20 anos passaram voando! Tudo aconteceu de forma muito rápida. Se há alguma coisa a dizer sobre algo que pode ter faltado, é que gostaria de ter participado mais da cena do cinema nacional. Mas o que tem que ser, é. Ainda há muito o que se fazer, em todos os seguimentos: teatro, cinema, TV aberta, canais de streaming.

Qual o personagem que mais marcou e que as pessoas comentam até hoje?

Isso depende muito da geração do telespectador. Digo isso, pois em 2000 fazia Malhação para um público jovem. Então, para esse público, que hoje tem entre 30 e 35 anos, se perguntarmos, eles citarão o Touro. Mas em 2004 fiz um outro trabalho emblemático para o público infantil, que hoje tem entre 20 e 25 anos, Floribella, na Band. E essa turma até hoje me  procura, e me acha, e fala sobre como a nossa novelinha foi importante para infância de cada um deles. E depois tem aqueles que só veem as séries da Globo, os outros que só vem as bíblicas da Record. Tenho a felicidade de ter estado presente neste cenário geral.

Foto: Vinícius Mochizuki

Você fez umas quatro tramas bíblicas. Quais os ganhos para você como ator e como pessoa, já que os personagens passam muitas mensagens de fé?

A Bíblia é um livro com histórias riquíssimas e personagens complexos e, portanto, é um excelente nicho para desenvolvermos do nosso trabalho. As possibilidades são muitas e o mergulho pode ser denso e profundo. É sempre enriquecedor participar de trabalhos assim.

Qual a principal diferença daquele Roger de 26, 27 anos que iniciava na TV para hoje?

Já estava quase formado em Arquitetura pela USP. De lá pra cá, muita água passou debaixo da ponte, e agora com 45 sou um ator mais experiente, maduro e seguro. Porém, a cada novo trabalho, aquele frio na barriga continua o mesmo, o que é ótimo!

Você vê a carreira hoje de uma outra forma ou ela própria se modificou muito, as TVs estão trabalhando por obras com a maioria dos atores. Como avalia tudo isso?

A TV mudou. Hoje é apenas mais uma janela para acessarmos conteúdo. Precisou se reinventar para continuar competitiva num mercado que explodiu com a chegada do streaming. Estamos neste lugar. E é natural que as peças desta engrenagem sejam mudadas de lugar. Vejo como algo bom para o ator. Pois agora mais do que nunca, seremos atores do mercado global, podendo desenvolver trabalhos aqui, para uma novela de uma emissora fechada ou fazer uma obra do Netflix, e ser visto por 190 países simultaneamente, abrindo portas antes inimagináveis.

Foto: Vinícius Mochizuki

E o teatro ainda enfrenta um momento difícil com essa crise toda na cultura...

No teatro, temos que resgatar e formar um público que foi embora pela falta de investimento em cultura, por estarmos longe das criança das escolas. Precisamos que nossos governantes entendam que a arte é fundamental para uma sociedade saudável. Então, ao contrário daquilo que tivemos, uma tentativa de acabar com o Ministério da Cultura, deveríamos ter era um estudo de alternativas para o fomento de uma cultura plural, diversa, de reflexão; porque somente por este caminho é que acabaremos com muitos dos males que hoje se encontram intrínsecos em nossa sociedade. A arte deve ser livre. Sempre. 

Alguma vez já pensou em desistir da carreira ou a paixão pela atuação falou mais alto?

Na vida estamos todos lutando. Batalhando por possibilidades de demonstrarmos nosso valor. Para o artista, é igual. Como disse, minha primeira escolha foi Arquitetura. Me formei, mas nunca exerci, apesar do projeto de reforma do meu apartamento, meu primeiro e, por enquanto, único projeto. Projeto que me orgulho demais e que ficou bacanérrimo. Mesmo! Também gosto de fotografia e não me incomodo em cozinhar e lavar a louça lá em casa. Então, acho que tenho um bom leque de outras possibilidades além dos palcos, da TV ou do cinema. Mas me distanciar deles, nunca.

Você deixou a Record após 12 anos. Quais os seus próximos passos na profissão, já há alguma novidade de trabalho?

Isso. Depois desse longo período onde pude desenvolver trabalhos variados que muito me orgulho, estou de volta ao mercado, com um novo agente, o escritório Montenegro e Raman. E, sem dúvida, logo estarei mais uma vez imerso em algum projeto

Roger por Roger, como você se definiria?

Pergunta que talvez precisarei de uns 10 anos de terapia para responder, ou uma vida! (risos) Sou esse cara que saiu do interior de São Paulo, Piracicaba, no início da década de 90 para estudar Arquitetura, que se apaixonou por teatro, foi parar na TV e cá estou, remando meu barquinho por estes quase 20 anos. E meu barquinho tá sempre aprumado em direção à felicidade.

 

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