Joana Borges: “Ninguém pede para ser assediada, abusada”

Destaque em Malhação, atriz comemora função social de sua personagem


  • 06 de abril de 2018
Foto: Globo/Marília Cabral


Por Luciana Marques

Protagonista da segunda história de Mahação: Vidas Brasileiras, que a cada 15 dias foca no drama de um aluno da professora Gabriela (Camila Morgado), Joana Borges ficou feliz com o feedback do seu trabalho nas últimas semanas. Sua personagem Verena foi vitima de assédio por parte de um professor e, até descobrirem, chegaram a culpá-la. “Queria que outras garotas assistissem à Verena e se identificassem, porque a culpa nunca será da vítima...”, ressalta a atriz.

Joana, que atuou em Rock Story e nos primeiros capítulos de Deus Salve o Rei, conta ao Portal ArteBlitz um pouco sobre o seu início na carreira. Aos 16, deixou sua casa, no Espírito Santo. E antes de se mudar para o Rio, morou na Alemanha e em São Paulo, onde se formou em jornalismo e começou a cursar teatro. Sobre a adolescência, lembra que era bem diferente da Verena. “Era muito insegura nesta idade. Não tinha uma boa relação com meu próprio corpo...”, conta.

Leia a entrevista e se encante com a história dessa jovem atriz que já está mostrando que veio para ficar.

Verena. Foto: Globo/João Miguel Junior

- Como foi o seu início nas artes?

Já tinha feito uma peça infantil em Vitória quando adolescente e depois participei de um grupo de teatro em São Paulo com quem fiquei em cartaz com duas peças. Foi com a segunda peça que tive um clique de que queria fazer teatro profissionalmente e cursar artes cênicas. Na época eu estudava jornalismo e a partir daquele momento passei a fazer os dois cursos paralelamente.

- Você é natural de Vitória. Como foi a mudança para o Rio e como supera as saudades da família?

Vim sozinha. Minha família sempre morou no Espírito Santo. Estamos acostumados, sentimos saudades, mas somos muito presentes mesmo na distância. Antes de vir para o Rio eu já havia morado na Alemanha por um ano e em São Paulo por quatro anos.

- Você acabou tendo a oportunidade de quase atuar simultaneamente em Deus Salve o Rei e em Malhação. Como é para você, tão nova, já tendo essas oportunidades?

É um aprendizado constante e um desafio toda vez que faço teste para uma personagem. Isso me permite estar sempre habitando o novo e me renovando. Aprendo muito com cada experiência e procuro sempre fugir da zona de conforto. Não é fácil trabalhar como atriz e ter a oportunidade de dar vida a uma personagem com tamanha visibilidade. É preciso muita força de vontade e estudo para estar aqui.

Foto: Globo/Raquel Cunha

- Como tem sido essa experiência em Malhação, o que mais tem aprendido?

Tenho entrado mais em contato com a minha adolescente interior e tenho tentado encarar as responsabilidades de maneira mais leve. É um desafio, mas aprendo isso observando o elenco adulto. Tivemos muita sorte, eles são muito experientes e amorosos.

- O que tem mais instigado você ao viver a personagem Verena?

A função social da Verena, sem dúvida, é o que mais me motiva. A história dela não foi escrita à toa. Ela levanta questões extremamente delicadas e recorrentes no Brasil e que atingem diariamente milhares de mulheres. Assédio, cultura do estupro, machismo, feminismo são temas de imensa importância e que merecem ser tratados com muita responsabilidade. Por isso tentei ter o máximo de cuidado com essas cenas e trazer o máximo de realismo para elas. Queria que outras garotas assistissem à Verena e se identificassem. Entendessem que ninguém pede para ser assediada, abusada; que a culpa nunca será da vítima, não importa a roupa que ela esteja usando, curta ou não. Recebi recentemente mensagens de garotas falando que já passaram por situações parecidas e que ficaram felizes de verem esse assunto sendo retratado na malhação. Para mim, foi uma alegria imensa sentir que consegui representá-las de alguma forma.

- Ao mesmo tempo que ela parece determinada, vive os dilemas da adolescência, conflitos. Como foi a sua fase de adolescente, alguma semelhança com Verena?

Ao contrário da Verena eu era muito insegura nesta idade. Não tinha uma boa relação com meu próprio corpo, e sempre tentava escondê-lo de alguma forma. Usava muito boné, bermudas, cabelo sempre preso. Justamente pelas minhas inseguranças nesta época, eu sempre me dediquei muito às matérias da escola. Queria me sentir inteligente, capaz. Isso mudou depois dos meus dezesseis, quando fiz intercâmbio. Foi lá que me descobri bonita, interessante e a ter mais paciência comigo mesma.

Verena (Joana Borges) e a professora Gabriela (Camila Morgado). Foto: Globo/Sérgio Zalis

- Você já disse que uma semelhança entre vocês é a determinação. Você é assim em tudo na vida?

Em tudo que tenha uma importância real na minha vida, que esbarre nas minhas prioridades e sonhos.

Ela pratica ginástica rítmica. E você, fez que tipo de esporte na infância e adolescência?

Na adolescência fiz um pouco de tudo. Capoeira, natação, futsal... mas o esporte a que mais me dediquei foi a ginástica olímpica. Hoje faço alguns treinos de ginástica rítmica e musculação.

- Qual o seu sonho na carreira?

Como atriz, quero expandir muito mais as minhas potencialidades corporais, vocais e dramáticas. Quero me experimentar em uma personagem de caráter totalmente diferente do meu, trabalhar no cinema, em outras novelas e voltar ao palco.



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