Giovanna Antonelli: “Luzia vai viver por esse reencontro com os filhos”

Sobre o tema da novela, atriz diz que todo o dia tem uma segunda chance


  • 19 de maio de 2018
Foto: Globo/Paulo Belote


Por Luciana Marques

Nesta primeira semana de Segundo Sol, a protagonista Luzia, personagem de Giovanna Antonelli, está passando por maus bocados pelas armações das vilãs Karola (Deborah Secco) e Laureta (Adriana Esteves). Segundo a atriz, a personagem vai ao fundo do poço. “É um tsunami de coisas. Ela sofre muitas perdas quando descobre o amor, irreparáveis. E volta 18 anos depois buscando seu 'segundo sol', sua segunda chance”, conta ela.

Já na fase que inicia a partir do capítulo do dia 24 de maio, na próxima quinta-feira, quando se passam 18 anos, Luzia é uma DJ badalada na Islândia, onde viveu esse tempo todo. Mas quando percebe que os filhos, já adultos, estão precisando de ajuda, ela decide voltar com outra identidade. E resgatar sua família, sem saber que tem um outro filho, que será criado por Karola e Beto (Emílio Dantas).

Será que a própria Giovanna Antonelli na vida real já teve uma segunda chance? Leia a entrevista com esta atriz talentosíssima, das mais requisitadas da Globo, que está prestes a completar 25 anos de carreira, e pela qual a gente se encanta a cada novo trabalho. Só para citar alguns, a Capitu, de Laços de Família, a Jade, de O Clone, a Bárbara, de Da Cor do Pecado, A Dora, de Viver a Vida, a Heloísa, de Salve Jorge...

Luzia (Giovanna Antonelli). Foto: Globo/João Cotta

Você definiria a Luzia como mocinha?

Ela não é mocinha, é uma mulher. Uma mãe protetora, guerreira, de fibra, uma leoa, batalhadora, uma mulher bem brasileira com a qual me identifiquei. Ela vai vivendo situações que jamais poderia imaginar que fosse passar, tem a sorte de conseguir ir embora, e volta anos depois para reconstruir sua vida.

Mas ela vai sofrer muito, não é?

Ela sofre, mas não é sofrida. Ela vai no fundo ao poço, e volta 18 anos depois buscando seu segundo sol, sua segunda chance, que é como estamos levando essa história. Ela é viva, tem brilho, tem luz. Na primeira fase é um tsunami de coisas, é uma novela densa, muito profunda, falando de ser humano, de família, de resgate. Todas as tramas são tão potentes e cada uma com suas questões latentes, bem definidas, que todos os atores têm um sentimento coletivo por essa trama. João (Emanuel Carneiro – autor) está inspiradíssimo.

Ela vai precisar abandonar os filhos?

Na verdade, ela não abandona os filhos. A situação é a seguinte: ou ela foge ou é presa. Então, não foi uma opção para aquela mulher com aquele nível de instrução, naquele momento. Quando você assistir, vai ver que ela está sendo levada por acontecimentos, o que é bem angustiante. Porque realmente fica o tempo todo entre dois lugares, fazendo escolhas sem ter muitas opções. Os filhos e ela são separados radicalmente, o que para ela é uma dor e ela vive para esse reencontro.

Foto: Globo/João Cotta
 

O que você faria no lugar dela?

Não faço ideia. É muito difícil a gente se colocar numa situação que não é a nossa, e nunca sabemos o que leva as pessoas a fazerem certas coisas. Nunca me sinto nesse direito, é uma coisa que só vivendo.

Você consegue imaginar um motivo que te levaria a ficar longe dos seus filhos (Pietro, de 12 anos, e as gêmeas Sofia e Antonia, de 7)?

Nossa, não posso nem pensar numa coisa dessas. Não vivo com essa realidade. Trabalho com a cabeça com foco no positivo, porque pensar nisso desestrutura qualquer ser humano, talvez a vida perca o sentido.

E qual será a reação dos filhos ao saberem que ela voltou?

Eu acho que os filhos não têm a noção do que aconteceu, nem a dimensão do que se passou. Ela é acusada por um crime que não cometeu, enrolada por uma pessoa que ela não imaginava. Passa a achar que um dos filhos morreu, e que o Beto também morreu. É muita tragédia, com as crianças muito pequenas ainda. Dezoito anos depois, eles são adultos vivendo com resquícios de um passado sem detalhes. E ela só volta quando se sente forte o suficiente para estar ali e entrar no país com outro nome. Então, é uma situação complicada.

Ela volta repaginada?

Depois de 18 anos na Islândia, ninguém volta impune, não é? (Risos).

Ela vai se tornar uma DJ conhecida na Islândia. Ela volta rica?

Não. Ela volta junto com o Groa (André Dias) que era o amigo que tocava violão enquanto ela cantava. Ela volta já como uma DJ, porque a música sempre permeou a vida dela. Não é uma DJ famosa, na verdade ela é mais conhecida na internet, cool, faz um som, e se aproxima da galera jovem ao participar de um rodízio com outros DJ’s. A música é um fio condutor onde ela extravasou seu sentimento. Foi através da música que Groa e Luzia levaram um pouco do Brasil para a Islândia. E foi através disso que ela voltou a se reencontrar com os filhos. A música é só pano de fundo.

Ícaro (Thales Miranda), Luzia ( Giovanna Antonelli ), Beto ( Emilio Dantas ) e Manuela (Rafaela Brasil). Foto: Globo/João Cotta
 

Você ficaria tanto tempo longe do seu país assim como a personagem?

Não sei. Adoro viajar, mas sou feliz em qualquer lugar. Vou para onde a vida me levar, minha família me levar. Claro que só iria com a minha família, mas sou aberta para a vida, não tenho nenhuma amarra.

Você está sempre lançando moda nas novelas que participa. O que a Luzia vai trazer nesse quesito?

Eu deixo a Heleninha (Helena Gastal – figurinista) doida, mas ela já trabalhou tanto comigo que já está até acostumada. Sempre tenho alguma ideia, e ela adora. A Luzia na primeira fase é bem simples, não usamos maquiagem, foi tudo de cara limpa mesmo, não tem acessórios, nada. Mas quando ela volta, vem com essa tendência bem street, uma pegada bem Nova York, porque tudo é feito com base em calça jeans, looks versáteis, é muito legal. O conceito da caracterização foi uma ideia do Fernando Torquato, porque tinha que ser uma mudança radical.

Você se gosta mais loira?

Eu amei, fiquei com uma cara que eu nunca tinha tido antes. Adoro mudar o visual e esse loiro mais branco nunca tinha usado e entrou para a minha lista de favoritos. Não sei como vai ficar o estado do meu cabelo no fim da novela (risos). Ficou bem moderno, com cara de quem chegou da Islândia (risos).

Suas personagens marcam muito as pessoas que sempre pedem na Central Globo de Atendimento um cabelo igual ao seu, uma roupa igual a sua...

Eu gosto quando as personagens chegam na 25 de Março e no Saara.  Isso é o que me deixa mais feliz, porque é onde a gente percebe que está na boca do povo.

Foto: Globo/João Cotta
 

Como está sendo trabalhar com a Deborah Secco e a Adriana Esteves?

Um sonho! Trabalhei com Deborah em Laços de Família, então já é minha amiga, e Adriana é minha musa, minha paixão. Nunca tínhamos trabalhado juntas. Temos amigas em comum que diziam para mim: ‘Você precisa se encontrar com a Adriana, porque vai se apaixonar por ela’. E realmente, ela é apaixonante. É bom poder estar com as duas.

Você chegou a gravar alguma coisa na Islândia?

Nada. É tudo a magia da televisão (risos).

Como é o seu trabalho com a música, já que a personagem é uma cantora?

Vou lançar um CD! Mentira (risos). Está sendo muito bacana porque meu pai sempre trabalhou com música. Cresci no teatro municipal, quando tinham óperas antigamente, meu irmão e eu dormimos ali naqueles bancos vendo o papai, e ouvi música de todos os gêneros. Fiz aulas de canto no passado, e quando soube que eu teria que cantar na novela, meu pai foi a primeira pessoa para quem eu liguei para contar. Fiz aulas, me preparei e na verdade Luzia não é uma cantora, mas ela canta no seu modo Luzia de ser.

Ela vai demorar para reencontrar o Beto?

Sabe que novela do João nada demora, né? Tudo acontece todos os dias, e é um thriller que a gente não consegue parar de ler os capítulos. Você quer que eu dê spoiler aqui? Vocês vão ficar chocados até na primeira fase. É tudo lindo, e tudo vai sendo descoberto para todos os personagens.

Qual conselho você daria para ela?

Ih, sou péssima de conselhos. Nunca dou palpite na vida de amigos. Eu sou daquelas que fala: ‘Amor, faz o que seu coração mandar’. Minha mãe me ensinou isso desde pequena e acho que é a forma correta de agir.

A novela fala sobre segunda chance. Você já teve uma segunda chance?

Toda semana eu tenho uma segunda chance (risos). Chance de ser melhor comigo, com meus filhos, no meu trabalho. Quantas vezes não estamos recomeçando e se reconstruindo? Não existiu nada que me traumatizou, mas passei por vários momentos de decepção e de desgaste. Acho que todos merecem uma segunda chance, mas será que todos tentam? Resta saber de que forma você aproveita a sua segunda chance, porque quando se tem uma, é necessário aproveitá-la melhor do que a primeira.

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