Dandara Mariana sobre personagem: “Vivê-la tem sido um ato político”

Atriz, que vem roubando a cena em Verão 90, diz ainda se namoraria um “Quinzinho”


  • 08 de abril de 2019
Foto: Nana Moraes


Luciana Marques

A atriz Dandara Mariana, que brilha a cada aparição em Verão 90, exalta a força de sua personagem, uma professora de lambada, em plenos anos 90. “Dar vida à Dandara Brasil tem sido um ato político”, ressalta a atriz, referindo-se a situações vividas pela jovem na trama das 7, em relação ao racismo, machismo e ética.

Com tudo isso, o público vem se encantando não só com a beleza e malemolência da personagem, mas com sua atitude e potência. E claro que essa força toda tem muito a ver com a entrega de sua intérprete, que mais uma vez se destaca, agarrando com unhas e dentes uma oportunidade. O último trabalho da atriz na TV foi como a Marilda, de A Força do Querer, em 2017.

O romance na trama de Dandara com Quinzinho (Caio Paduan), apesar das falhas de caráter do ricaço, tem torcida e até ganhou “shipper” nas redes sociais: #Quindara. E será que a atriz torce por esse casal? E ela, Dandara Mariana, namoraria um “Quinzinho”? Leia a entrevista abaixo!

Dandara Brasil (Dandara Mariana). Foto: Globo/João Cotta

Como tem sido dar vida à Dandara, o que tem mais instigado você neste trabalho?

A personagem é maravilhosa! Todos os dias em cena me vejo diante de alguma situação importante de ser discutida, como por exemplo, os embates que ela tem com Mercedes e Quinzinho, personagens vividos por Totia Meireles e Caio Paduan, a respeito do machismo, do racismo, de questões morais e éticas.

 

 

De cara a personagem caiu no gosto popular. Você esperava isso, como tem sido a repercussão, o que ouve das pessoas?

A repercussão tem sido muito boa e fico feliz por isso. A personagem é carismática e o público se identificou facilmente com ela. O fato da Dandara ser dançarina e trazer consigo a lambada é um dos pontos fortes da relação da personagem com o público, que tem vindo falar com muito saudosismo dessa época. Na maioria das vezes a abordagem vem acompanhada da música tema de Dandara Brasil: “Preta, fala pra mim...” (risos).

O romance dela com o Quinzinho também já tem torcida na internet. Você esperava isso, torce pelo casal, acha que pode dar certo?

Os personagens dessa novela são muito bem desenvolvidos e a trama bem escrita. Essa torcida é consequência também disso. Torço pela felicidade da Dandara tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. Se o Quinzinho tiver peito para ter ao seu lado uma power mulher, que assim seja.

Foto: Nana Moraes

A Dandara apesar de se apaixonar pelo Quinzinho é uma pessoa retilínea, de caráter. Acha que quando ela descobrir o envolvimento dele na morte da Nicole (Bárbara França), por exemplo, isso poderá abalar a relação?

Sim, com certeza! Dandara é uma garota de caráter e bons princípios, íntegra, e não deixaria isso passar impunemente.  Inevitavelmente esse fato abalaria a relação.

Você, Dandara Mariana, ficaria com um cara do tipo do Quinzinho?

Não, o relacionamento deles começou com muita mentira por parte do Quinzinho. Isso para mim não é um bom começo.

A personagem, mesmo nos anos 90, já se mostrava essa mulher forte, que não leva desaforo para casa. Como é para você dar vida a essa mulher “empoderada” nesse passado não tão distante?

Trazer a história dessa mulher que viveu nos anos 90 lutando por espaço, correndo atrás de seus sonhos, se posicionando na vida, cheia de autoestima, perseverança, vontade de crescer e alçar voos cada vez maiores é sensacional! Dandara é uma garota potente que traz em sua fala e atitudes os anseios da mulher numa época onde somente assumíamos postos de gostosas e de objetos sexuais. Dandara Brasil, apesar de estar fadada a isso, tem posicionamento, é uma militante de sua época.

Dandara Brasil (Dandara Mariana) e Quinzinho (Caio Paduan). Foto: Globo/João Cotta

Você era nova ainda, mas chegou a curtir o “boom” da lambada, é um ritmo que você curte?

Eu era muito nova quando a lambada estourou, não tenho recordações da época. Fiz algumas aulas de dança com grandes profissionais e frequentei alguns bailes para me familiarizar com o ritmo. Por ser muito acelerado, se torna difícil de acompanhar. Mas rapidamente me tornei uma lambadeira. É um ritmo contagiante que requer muita malemolência. Haja coluna, viu (risos)! 

O que há em comum entre você e a Dandara personagem?

O amor pela dança, a coragem e a perseverança.

Você está em sua terceira novela com um papel de destaque. Fez recentemente o musical “Dona Ivone Lara – Um Sorriso Negro”, bastante elogiado, tem filmes importantes no currículo. Tudo tem acontecido no tempo certo para você, porque não é uma carreira fácil e você deve estar há tempo na batalha, né?

Sim, há 12 anos escolhi a arte como profissão e, desde então, venho tendo oportunidades maravilhosas e desafiadoras. Cada uma delas me instiga e me faz crescer como artista e como ser humano. Ser artista, na atual conjuntura, é resistir.

 

 

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