Carolina Dieckmann vê a morte em série

“O que a gente leva dessa vida é sentimento, amor, relação”


  • 23 de novembro de 2017
Foto: Ale de Souza/Reprodução Instagram


Por Redação

Quem acompanha o Vale a Pena Ver de Novo está podendo matar as saudades de Carolina Dieckmann em um dos seus papeis de maior destaque em 26 anos de carreira artística, a Isabel, de Senhora do Destino. Mas a atriz, que vive há um ano, em Miami, EUA, com o marido, Tiago Worcman, alto executivo da MTV e Paramount Channel para a América Latina, e o caçula, José, de 10 anos, já está de volta em uma nova produção da Globo.

Longe das novelas desde A Regra do Jogo, no início de 2016, Carol dá vida a médica Marion Rupp, na série Treze Dias Longe do Sol, já disponível na íntegra para assinantes da Globo Play desde 2 de novembro. A obra de 10 episódios, no ar na TV em janeiro, traz a história sobre o desabamento de um prédio e um grupo de soterrados que luta pela vida. Marion é uma delas. “Saia cansada das gravações. No fim, só queria ver alguma luz... Realmente deve ser desesperador você ficar debaixo da terra”, imagina.

Nesse bate-papo, Carol, que diz estar adorando a vida de dona de casa e de estudante nos Estados Unidos, fala de seu amor pelos filhos, José, e Davi, de 18 anos, da relação anterior com Marcos Frota, do passar dos anos e de como esse trabalho na série, de certa forma, a transformou.

"Saía das gravações cansada, era muito trabalho corporal, de resistência. Mas, ao mesmo tempo, quando olhava a luz do dia, ou da noite, e via cores, farois de carro, pessoas, ficava ótima."

Houve alguma preparação especial para a série?

Qualquer pessoa que venha a passar por uma situação dessas, obviamente, não vai ter tido uma preparação... Mas, a partir do momento em que a Marion está vivenciando aquilo, ela tem que lidar com coisas que eu nunca tive que lidar. Então, o importante da preparação é dar para a gente esse panorama, essa gama de sensações. E o preparador fez uma coisa muito legal com a gente, sensorial, de colocar próximo a nós umas bexigas, cheias de ar, para a gente, de olho fechado, sentir a vibração de cada órgão. Você conhecer na hora que está falando, sentindo, o que está vibrando em você. E isso foi uma coisa que nunca tinha trabalhado.

Como você saía das gravações?

Muito cansada, porque era trabalho corporal, de resistência, a gente tinha cenas de ação. Mas, ao mesmo tempo, quando eu olhava a luz do dia, ou da noite, e via cores, farois, carros, pessoas, eu ficava ótima.

"Trabalhando, eu não tenho esse negócio de vaidade. Mas, claro, que era ótimo isso de não ter maquiagem nesse trabalho, troca de roupa..."

Não dava um certo pânico, vocês lá, cheios de areia?

Claro, dava. Mas, diferente de outros trabalhos, o bom é que nessa série eu não tinha que usar maquiagem. Por esse lado, eu já ficava feliz pela manhã. Era jogar uma poeira na nossa cabeça e vai... E também não precisava parar uma cena porque a atriz estava suando, toda suja, tinha que estar.

Então, deixou a vaidade de lado?

Trabalhando, eu não tenho esse negócio de vaidade. Mas, claro, que era ótimo isso de não ter maquiagem, não ter que trocar de roupa...

Várias atrizes se preocupam hoje muito com o Full HD. E você?

Eu quero ver esse Full HD bem de perto na série. Porque dizem que a poeira suja, mas também tampa alguma imperfeição. (risos)

"Acho importante quando a gente lida com a verdade, com emoções reais. É nisso que me baseio, mesmo quando a cara cair... É isso que quero que continue vivo em mim com o passar do tempo."

Como faz para manter a aparência jovial, nem parece que está chegando aos 40?

Eu estou aqui com as minhas marcas que nasceram comigo e foram se acumulando durante os anos. Realmente, não faço uso de procedimentos estéticos, ainda não. Talvez daqui a pouquinho recorra a eles. Mas não me preocupa muito isso. O que quero passar... Sabe quando a gente olha para alguém, se está rindo, feliz, é um pouco do que está vivendo naquele momento. E eu tenho vontade de ser alegre, de ter um olhar legal, um sorriso para dar, uma verdade para contar, toda a vez que encontro as pessoas. Acho importante quando a gente lida com a verdade, com emoções reais. É nisso que me baseio, mesmo quando a cara cair toda. É isso que quero que continue vivo em mim. Não é papinho, é o que acredito.

Num momento que você está numa situação como a da personagem, conseguiria avaliar o que não fez e poderia ter feito?

Eu pensei nisso em várias horas, nos meus filhos. Ficava pensando o que eu teria falado para eles se vislumbrasse a possibilidade de nunca mais vê-los de novo, porque a Marion não sabe se vai sobreviver. E quando você está numa situação em que não sabe se vai ver de novo uma pessoa, só isso já dá um desespero.

Qual mensagem, num caso desses, deixaria aos seus filhos?

Só queria falar que eu amo eles. Só isso é importante. Contato, olho, relação, todo o resto é bom, legal, uma vida confortável, mais fácil, mas o que a gente leva é sentimento.

Sai desse trabalho com qual tipo de lição?

Não sei se aprendi algo palpável, específico, mas lidei com esse tipo de sentimento, de tensão, e é obvio que o trabalho do ator ele é muito misturado. As nossas emoções, o que a gente dá, o que a gente troca... Fiquei uns 50 dias em contato com emoções que nunca tinha passado na vida. Você fica o tempo inteiro muito presente, então, claro que eu saí modificada.



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