Juliana Betti dirige Sexo, Champanhe e Tchau: “Mesmo com o empoderamento, continuamos românticas”

Artista fala do desafio de estrear peça online, de seu jeito livre e expansivo e diz se há pressão por ser filha de ícones das artes


Foto: Divulgação

Por Luciana Marques

Atriz, cantora e diretora, Juliana Betti está sempre encontrando uma maneira de se manifestar artisticamente. E mesmo em tempos difíceis para a cultura, ela encarou o desafio de dirigir uma nova montagem de Sexo, Champanhe e Tchau, de Mônica Montone, que estreou há 8 anos. A temporada do espetáculo, que aborda o tema relações e o ato de amar nos dias de hoje, é gratuita e transmitido ao vivo e online, do Teatro Petra Gold, nos dias 24 e 31 de março, às 17h. “Acho que a mensagem principal é que, apesar de todas as dificuldades, nós acreditamos no amor, acreditamos nas relações!”, diz ela.

Na história, em que atuam Ana Cecília Mamede e Jordana KorichJezebel (Ana Cecília) é uma escritora de quase trinta anos que vive uma desilusão amorosa e tenta se adaptar à vida adulta. Após ser rejeitada e ter sua autoestima abalada, conhece ELA (Jordana Korich), uma mulher misteriosa que passa a questioná-la sobre seus sentimentos e colocá-la de frente para seus próprios medos, obsessões, carências e vaidade. Para Juliana Betti, o fato de conseguir montar um espetáculo nesse momento de pandemia, é uma vitória. “Vimos que a gente sempre dá um jeito. O teatro está vivo”, fala Juliana, que é filha dos atores Eliane Giardini e Paulo Betti. No bate-papo, a artista comenta ainda sobre as suas divertidas lives com a “JuBetinder”.

As atrizes Jordana Korich e Ana Cecília Mamede em cena de Sexo, Champanhe e Tchau. Foto: Cristina Granato

O que mais instigou você desde o primeiro convite para dirigir Sexo, Champanhe e Tchau, há 8 anos? A peça fala da dificuldade de se relacionar e acho que hoje, e já naquela época que montamos a peça pela primeira vez, nós estamos com essa dificuldade. Um amigo me falou uma vez que estava perdido em relação às mulheres. Nós não precisamos mais dos homens, como era antigamente, podemos trabalhar, nos sustentar. Se quisermos, até podemos ter filhos sem um parceiro. Acho que os homens estão meio perdidos, mal sabem eles que, no fundo, mesmo com todo o empoderamento, continuamos românticas.

O que mudou da primeira montagem para hoje, precisaram adaptar algo em relação à pandemia ou a situação da mulher hoje? Muita coisa mudou. Várias gírias, colocamos uma live no final da peça onde era uma palestra. O cenário mudou, a trilha, o figurino...  E a atriz Jordana Korich trouxe muito humor para o espetáculo!

Qual o maior desafio de estrear uma peça, online e presencial, em tempos tão difíceis para a cultura do brasil? O que você mais aprendeu nesse processo como diretora? Fico pasma como conseguimos estrear em plena pandemia, fizemos o PCR, usamos máscara, e por conta do decreto não teve presencial. A estreia tinha um público ótimo, mas senti muita falta da reação do público na plateia. Ainda mais na estreia, quando é normal ter amigos e família junto. O que mais aprendi é que no meio teatral a gente sempre ouve que o teatro está acabando ou vai acabar. Nós vimos que não, a gente sempre dá um jeito. Ontem tivemos 150 pessoas online, de tudo quanto é lugar! Isso prova que o teatro está vivo, ainda tem interesse da plateia, mesmo em um formato tão diferente.

Foto: Divulgação

 

Nas suas redes sociais, a gente acompanha o quanto você é uma mulher livre, empoderada, fala o que quer, ri de você mesma, brinca, mostra brinquedinhos sexuais... O quanto fazer parte de uma família com mulheres fortes, a sua avó, a sua mãe, a sua irmã, ajuda nisso, você sempre foi assim, desde nova? Eu sempre fui muito exibida, desde de pequena. Minha mãe é mais reservada, acho chique, mas eu não sou. Se vou para um lugar em que não conheço ninguém, em cinco minutos já faço cinco amigos (risos)... Minha avó é assim, acho que puxei a ela nesse sentido. Meu pai também é muito social, puxei a ele também nesse quesito.

As pessoas se divertiram com você nas redes durante a quarentena, principalmente com a JuBetinder. Explica pra gente como surgiu e o que é, é uma “persona”, um sentimento, uma marca? A JuBetinder foi acaso total. Eu não sabia o que era uma live. Achava que era uma ligação para uma pessoa, um amigo. Estava na banheira da minha mãe e resolvi experimentar, achei que estava ligando para uma amiga por vídeo. De repente começou a entrar um bando de gente, e eu na banheira. Podia ter encerrado a live, mas achei engraçado e continuei. Agora que a peça estreou, quero voltar a fazer lives.

Ser filha de dois dos maiores atores do Brasil sempre ajudou mais você ou também atrapalha a sua caminhada nas artes, por cobranças, comparações? Ajuda muito e atrapalha também. Ajuda porque sempre estive no meio e aprendi muito com eles, mas a comparação é o tempo todo, e a minha cobrança também. Acho que me cobro muito em ser sempre perfeita no trabalho, mesmo sabendo que isso é impossível.

Jordana e Ana Cecília autam em Sexo, Champanhe e Tchau. Foto: Cristina Granato

Em algum momento, você pensou em não seguir a carreira artística? Quando entrei na faculdade de geografia acho que estava tentando fugir um pouco, até pela cobrança que eu mesma tinha de mim, mas fiz a peça Feliz Ano Velho durante a faculdade, e não parei mais.

Qual a importância da mulher, artista, empreender hoje? Você faz muito isso, né? Para mim é muito importante produzir meus trabalhos, fazer as coisas com gente que gosto e admiro. Acho que não dá para ficar sentada esperando acontecer. Tem que fazer acontecer. É a mesma coisa nos relacionamentos, o príncipe no cavalo branco só aparece nos filmes... Tem que movimentar a vida para aparecer alguém!

Você fez uma participação em Salve-se Quem Puder, como foi a experiência, quer fazer mais TV? Eu fiz cinco cenas na novela Êta Mundo Bom! também, gostei muito. Mas confesso que o que mais gostei foi quando uma música que eu canto foi tema do casal principal na Malhação! Ganhei dois fã clubes, ganhei dinheiro e vibrava quando minha música tocava.

Tem alguma novidade na música? Tenho várias músicas na gaveta ainda para lançar nas redes e fazer clipes.

Sexo, Champanhe e Tchau. Comédia romântica. Até 31 de março. Sempre à quartas feiras, às 17h. Duração: 60 min. RETIRADA DE INGRESSOS PARA TRANSMISSÃO AO VIVO E ON-LINE: www.sympla.com.br