The kraken Music: Um caso de sucesso brasileiro no exterior

Autodidata em inglês e espanhol, jovem é destaque no mundo da música eletrônica 


  • 11 de maio de 2018
Foto: Divulgação


Por Claudia Dias

Aos 24 anos, Carolina Martins, ou melhor The Kraken Music, já é sucesso no exterior. Autodidata em inglês e espanhol, ela literalmente conquistou o mundo com a música eletrônica, mesmo antes de ser conhecida em seu próprio país.

E as contradições não param por aí: ela também não foge da raia se o assunto for canto lírico, ou qualquer outro. Afinal, até mesmo seu nome artístico é uma espécie de homenagem à sua versatilidade musical.

Mas a jovem confessa que tem uma “quedinha” especial pelo lírico. Para ela, o trabalho feito ainda durante sua preparação foi uma das bases para uma melhor estruturação de sua carreira.

Só engana-se quem pensa que, por ter o seu trabalho conhecido pelo mundo, ela pretende viver apenas lá fora. Apaixonada pelo Brasil, confessa que amou ver seu hit You and I ser bem aceito no país. Assim, ela tem a oportunidade de voltar a trabalhar por aqui.

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NOME ARTÍSTICO

Quem viu Piratas do Caribe conhece o monstro dos mares, que é o Kraken, e a minha inspiração vem daí. Quando eu comecei a trabalhar lá fora, primeiro na Suécia, depois na Itália, a gente trabalhava muito com músicas diferentes, eletrônica, depois o pop. E a minha versatilidade como compositora começou a ficar muito evidente. E como eu ia para muitos estilos diferentes, começaram a brincar, dizendo que eu era um polvo, por conta da minha versatilidade de culturas. Aí, acabei virando The Kraken Music.

COMEÇAR A CARREIRA FORA DO BRASIL

Na verdade, não foi uma coisa planejada. Como eu escrevia músicas em inglês, acabava cantando e produzindo em inglês também. E quando eu apresentava isso para gravadoras brasileiras, eles respondiam que não trabalhavam, que não exportavam músicas em inglês. E perguntavam por que eu não cantava em português. Diziam que seria muito mais fácil. E eu fiquei até meio chateada, porque eu queria ter começado no Brasil. Então, comecei trabalhando com produtores lá de fora, com essa parte de música eletrônica. Isso acabou abrindo um leque maior, eu peguei uma experiência diferente, e agora estou conseguindo voltar para o Brasil. Principalmente porque, depois do Alok, mudou a situação e a aceitação das músicas em inglês.

VOLTANDO ÀS RAÍZES

A gente começou de passo em passo, não foi uma coisa planejada. Depois de 2016, eu fui para a Itália, fiquei lá um tempo e depois para os Estados Unidos, onde comecei um projeto com rappers do Brooklin. Então, no final do ano, vim para passar três dias de férias aqui no Brasil, e quando cheguei, vi que a realidade tinha mudado. Aí pensei: por que não começar aqui? Por que não trazer a música eletrônica que eu aprendi lá fora aqui para o Brasil também? E, realmente, a primeira música que eu apresentei foi aceita, o You and I, e estamos com esse trabalho aí até hoje.

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DIFERENÇAS ENTRE O BRASIL E O EXTERIOR

Eu tive muita experiência com o trabalho de produção musical. E eu achei que que os produtores com os quais eu comecei trabalhando e sigo até hoje, fazem muito bem a música eletrônica, e a gente conseguia trabalhar muito bem tanto perto ou à distância. É muito difícil responder isso, porque eu trabalhei muito mais lá fora do que aqui. No exterior, me deparei com gente muito profissional, a gente conseguia trabalhar de uma forma bem tranquila. Eles se surpreendiam com a minha versatilidade e eu também gostava muito do material. E foram cinco anos construindo essa confiança, para poder apostar em novos estilos.

AUTODIDATA EM INGLÊS E ESPANHOL

Sim. É muito difícil falar sobre isso, porque as pessoas perguntam sempre como aprendi. E eu aprendi sozinha mesmo. Eu tive muita facilidade, primeiro com o espanhol e depois, com o inglês. Minha mãe desconfiou e me colocou para fazer um teste com um professor que dava aulas para cursos. Ele disse para a minha mãe que não tinha o que me ensinar. Às vezes, quando estava escrevendo as músicas, usava umas expressões que eu mesma não sabia. E, quando ia procurar no dicionário, era daquele jeito mesmo. Nós, brasileiros, temos mesmo uma facilidade maior com as culturas e as línguas. Nós somos uma mistura. Faz parte!

YOU AND I

A You and I foi totalmente diferente para mim. Foi a primeira música que eu dirigi, inclusive, a produção musical dela. As músicas que eu tinha trabalhado antes, foram sempre em conjunto. Assim, eu recebia o instrumental e ia trabalhando a música a partir daí, pelo menos a primeira demo. As músicas com a gravadora da Itália, inclusive o hit, também foram feitas assim. Nessa não! Eu peguei a música desde o início. Eu queria que ela fosse do meu jeito. E quando eu recebi a música, fui controlando, compondo e organizando toda a parte instrumental.

 

 

DIVISOR DE ÁGUAS

Como era a minha primeira música, a minha primeira aposta aqui no Brasil, eu decidi fazer um pop eletrônico, construir uma música para cá. Então, ela foi um divisor de águas na minha carreira.

CANTO LÍRICO

Eu tive dez anos de preparação, canto, teoria musical e piano, me preparando como artista mesmo. Nessa parte do canto, teve dois anos de treinamento lírico. E esse treinamento foi em um tempo importante, porque você tem que ter uma musculatura para suportar esse tipo de voz. É como se fosse um atleta. Isso foi muito immportante, e hoje em dia me dá mais confiança porque eu consigo apostar em vários estilos, mas tenho confiança na minha própria musculatura. Eu acho que a técnica me dá mais chão, para que o meu talento consiga ser mais aproveitado.

MORAR NO BRASIL?

É difícil responder isso! Eu acredito que vou ficar mais um tempo aqui no Brasil, mas vou ficar nesse indo e vindo. Eu não pretendo ficar lá fora direto, porque a minha identidade está aqui. Eu sou daqui e levo isso comigo. É uma das coisas que eu pretendo levar sempre. Mostrar cada vez mais o Brasil, não só através da arte. Nosso país é muito grande, tem muitas culturas diferentes e a gente tem que mostrar isso, inclusive na música eletrônica. Então, pretendo fazer sempre essa ponte. E não tem como largar o Brasil, aqui é muito bom!

Agradecimento: Tea Shop Rio Design Barra. Av. das Américas, 7777 – Barra da Tijuca. Piso Térreo – loja 156.



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