Mc Rebecca: De Rainha das Passistas a sucesso no funk

Canção Cai de Boca foi presente de Ludmilla: “Um sonho”


  • 06 de agosto de 2018
Foto: Duh Marinho


*Entrevista também disponível em vídeo, abaixo.

Há três anos como Rainha das Passistas do Salgueiro, de repente, Rebecca viu sua vida se transformar. Tudo por causa de um presentão daqueles de Ludmilla: a canção Cai de Boca, produzida pelo DJ Zebrinha. O funk proibidão ganhou uma versão light, com produção do DJ JP, e está estourado nos bailes e favelas do Rio. Assim, nasceu a Mc Rebecca. “Hoje estou conseguindo realizar um sonho”, diz.

Apesar de ter só 20 anos, Rebecca já é mãe de Morena, de 1 ano, e tem um discurso feminista. Tanto que, para ela, é importante uma mulher poder cantar coisas que antes só os homens podiam. “Eu acho que todas as mulheres devem gritar, falar que tem que cair de boca mesmo...”, ressalta ela que, em breve, lançará o clipe da música.

Foto: Duh Marinho

Como, de repente, de passista, você virou MC?

Eu comecei no salgueiro desde pequenininha, e sou a Rainha das Passistas tem 3 anos. E agora acabei ganhando esse presente da Ludmilla, que é a música Cai de Boca. E a canção explodiu e eu estou trabalhando muito nela, fazendo shows.

Você e Ludmilla se conheciam?

Eu e a Ludmilla já éramos amigas. E a gente tem uma amiga em comum, e ela pediu a música para a Lud me dar. Aí eu procurei os Djs para produzirem, o Zebrinha, e explodiu.

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Mas ser cantora passava pela sua cabeça, era um desejo?

Sempre foi um sonho ser cantora. Eu comecei a fazer aula de canto aos 16 anos. Quando fiz 18, eu engravidei, aí tive minha filha, a Morena, que está com 1 aninho. E hoje eu estou conseguindo realizar esse meu sonho de poder cantar. Eu tenho que agradecer muito à Ludmilla por isso tudo estar acontecendo na minha vida. Eu estou muito feliz!

Por que você acha que a música explodiu?

Ah, porque tem aquele lance do feminismo, que todos os homens cantam coisas que ofendem a mulher. E eu acho que todas as mulheres tem que cantar também. Por que o homem pode e a mulher, não?

O funk hoje está repleto de mulheres empoderadas fazendo sucesso, Anitta, Ludmilla, Lexa, Valesca, Iza... Você também se sente uma mulher empoderada, acha importante mostrar isso através de sua música?

Eu acho que é muito importante, porque os homens acham que eles podem fazer tudo, e as mulheres ficam meio que oprimidas. E eu acho que todas as mulheres têm mesmo que se soltar, se quiser usar roupa curta, tem que usar mesmo. E os homens tem que respeitar isso.

Você ainda sente que rola muito preconceito com a mulher funkeira, com a mulher passista?

Rola, rola, sim. Porque eles acham que se a mulher está vestida de tal maneira, eles podem passar a mão. Fica meio que constrangedor. Eu acho que isso tem que acabar. A mulher pode usar qualquer roupa, do top ao short, e eles não tem o direito de passar a mão ou chamar de gostosa. Eles têm que respeitar.

Foto: Reprodução Instagram

Quem são as suas referências na música?

Eu gosto da Ludmilla, da Anitta e da Iza.

O que você ouve muito hoje?

Eu ouço muito hip hop, funk, samba, pagode. Gosto de todos os ritmos.

E como vai ser agora com esse sucesso, vai conseguir se manter passista?

Eu estou tentando conciliar os dois, mas eu acho que não vai dar. Mas eu nunca vou deixar de gostar do samba e tudo o que eu puder fazer pelo samba, vou continuar fazendo, vou continuar indo, participando de tudo. Podem ficar despreocupados, tá? O Salgueiro é a minha segunda casa.

E você vai misturar nas apresentações samba e funk?

Isso é surpresa, vocês só vão poder saber vendo o meu show. Mas é uma ideia.

Dizem que quando se tem um filho, ele vira meio que um amuleto da sorte. Mudou muita coisa com a chegada da Morena?

Eu engravidei com 18 anos. Foi um choque, mas foi um presente. Hoje eu devo tudo a ela, porque se ela não existisse, eu não estaria fazendo todas essas coisas. Porque eu quero dar um ótimo futuro a ela, e a Morena é uma inspiração para mim.

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