Marcella Fogaça "se joga"

No clipe do novo single, cantora convida todos a se divertirem com amor nesse verão


  • 07 de dezembro de 2017
Foto: Raul Aragão


Mineira, a cantora Marcella Fogaça já virou “mineiroca”, por viver há oito anos no Rio. E mais do que isso, ter feito uma legião de amigos e conhecidos na Cidade Maravilhosa. No clipe do single Me Jogar, lançado hoje nas plataformas digitais e em seu site oficial, ela mostra um pouco dessa acolhida. E define a canção como um hino ao verão e ao amor, “É uma música alegre, quente. Fala do verão, do carnaval, uma época de festa, alegria, que a gente sai mais para a rua. É um incentivo às pessoas fazerem isso com amor. Saia com amor, se jogue com amor...”, explica ela.

No clipe gravado nas ruas da zona sul do Rio, se vê desde atores como Isabella Santoni, Fernanda Vasconcellos, Marcelo Serrado e Paula Burlamaqui, como “artistas” das ruas, como o pipoqueiro de Ipanema e a vendedora de milho. A música fará parte de seu terceiro CD, produzido por Alexandre Kassin, com lançamento em 2018. O trabalho, que virá mais moderno, com programações eletrônicas, terá composições próprias, de Manno Góes, parcerias com Antonio Villeroy e Priscila Campos, além de inéditas de Carlos Colla, e um dueto com Nando Reis em uma regravação.

Antes de “nos jogarmos” com Marcella Fogaça, leia a entrevista ou clique no vídeo.

"A música fala do verão, do carnaval, uma época de festa, alegria, que a gente sai mais para a rua. É um incentivo às pessoas fazerem isso com amor. Saia com amor, se jogue com amor...”

“Me Jogar”

“Essa música chegou até mim pela Pri Campos, uma amiga querida, compositora, cantora. Ela me apresentou a Me Jogar à capela. Trabalhei um pouco na letra, aí nasceu a Me Jogar. E ela tem um cheiro baiano. Quando ela cantou, já me veio o arranjo, vi a programação eletrônica, o arranjo veio na hora na minha cabeça. E aí a gente fez essa parceria linda.”

Clipe

“A ideia do clipe me veio antes mesmo de lançar a música. Porque é uma música que vejo multidão, o brasileiro, esse povo misturado, lindo, alegre. Via muito rosto. Já comecei fazendo o teaser, eu mesma filmei amigos cantando, fiz uma montagem e o clipe nasceu dali. Dessa vontade de convidar amigos, conhecidos, amigos atores, que torcem por mim, e pessoas do meio da rua, que eu achava interessante, que representassem bem o povo brasileiro. Tem o seu Luis, o pipoqueiro, a Rosana do milho. Para mim, foi um presente. Teve muito carinho envolvido!”

“A paixão pela música vem desde que me entendo por gente. Fecho o olho e me vem aquela imagem de coroinha, cantando Ave Maria, no coral, ou no carro, viajando, e toda a família cantando."

Paixão pela música

“A paixão pela música vem desde que eu me entendo por gente. A minha mãe canta, o meu avó cantava e tocava violão. Desde nova, comecei a estudar, minha família tinha uma escola de música. Então, fecho o olho e me vem aquela imagem de coroinha, cantando Ave Maria, no coral. As primeiras lembranças que tenho é a gente viajando de carro e toda a família cantando. Entrei no teatro com 13 anos e comecei a fazer musicais. Aí quando fui para a faculdade, disse, ah, não, eu vou cantar. Montei minha primeira banda e nunca mais parei.”

Estilo musical

“Essa pergunta sempre me deixava um pouco desconfortável, é difícil definir. Claro, tenho minhas influências. Sou de Minas, desde nova escutei muito Clube da Esquina, pop rock, vim de uma época em que Skank e Jota Quest estavam muito fortes. Minha mãe sempre ouvia Marina Lima, Bossa Nova. Então, sempre tive essa influência do pop rock, da MPB e da bossa fortes na minha vida. Mas hoje em dia a música é tão plural, a gente tem tantas maneiras de acessar e conhecer, no mundo inteiro. Você entra nas plataformas digitais, escuta música da Rússia, da Espanha, rap holandês, é uma loucura. Então, hoje, me defino como uma artista plural, canto a canção, canto aquilo que consigo expressar minha verdade.”

"Sou de Minas, desde nova escutei Clube da Esquina, pop rock, Skank, Jota Quest, Marina Lima, Bossa Nova. Hoje, me defino como uma artista plural, canto aquilo que consigo expressar minha verdade.”

Pegada eletrônica

“Os meus dois primeiros CDs são autorias. Nesse terceiro, eu estou me aventurando. É a primeira vez que canto músicas de outros compositores, como o Carlos Cola, gravei com o Nando Reis. Esse CD vem bem mais plural, não escolhi a canção pelo estilo, mas pela história. E a roupagem que dei a todas elas é que faz essa costura. Os meus primeiros álbuns também tinham uma pegada mais MPB, acústica, violão de aço, mais banda, e tem um ano e meio que já venho fazendo shows com programação eletrônica, tem guitarra. Também virão outros singles, até chegar no álbum que vem com uma roupagem mais moderna, programação eletrônica, timbres mais universais.”

Compositora

“Compor é uma terapia. Sempre escrevi poesia, conto, livros inacabados, sou geminiana, difícil acabar um, mas um dia eu consigo... E a primeira vez que escrevi uma música foi muito natural. A melodia foi vindo e abraçando aquela poesia, e, desde então, foi isso. As histórias que conto nas minhas músicas tem muita coisa pessoal, autobiográfica, mas me inspiro em filmes, é uma catarse constante. Uma música que eu escuto, às vezes, me desperta um lugar íntimo e aquilo brota. Não é só sobre mim, é sobre o que me toca. Esse mundo hoje é muito diferente de quando comecei a compor. As informações agora chegam numa velocidade muito maior. Então, tento não só falar sobre amor, o romântico, mas ao próximo, e sobre esses movimentos, esse grito de tolerância, de respeito, o empoderamento feminino, desse novo lugar da mulher. Tudo isso me inspira muito, acho que isso vem com a maturidade.”

"Dá orgulho ver a mulher ganhando cada vez mais espaço no mercado musical. A MPB sempre teve um pouco dessa força, agora ela está mais abrangente, no rap, no funk, no sertanejo, gritando a sua voz, na sofrência, no amor..."

Mulher no topo 

“Me dá muito orgulho hoje ver a mulher ganhando cada vez mais espaço no mercado musical, não só como intérprete. Acho que o lugar como intérprete sempre teve ali, mas agora está crescendo muito. Você vê o sertanejo, um meio totalmente dominado pelos homens, e as mulheres vindo aí com tudo, gritando a sua voz, na sofrência, no amor, em sua posição na traição, é muito legal essa voz que a mulher está ganhando. Também no funk, no rap. A MPB sempre teve um pouco dessa força, agora ela está sendo mais abrangente. E também como musicistas, hoje você vê muito mais mulher tocando bateria, guitarra, violão. Acesso na internet alguns sites e vejo mulheres tocando, meu Deus, arrebentam. Quando comecei, não tinha muito isso e hoje em dia a mulher está realmente dominando.”



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