Luan Santana sem filtro no SóTocaTop: “Tento ser natural”

Cantor, que define carreira “marcada por quebra de barreiras”, festeja desafio


  • 21 de julho de 2018
Foto: Globo/Fábio Rocha


Com 10 anos de carreira, Luan Santana continua surpreendendo. Um dos mais consagrados cantores de sua geração, ele tem feito bonito em seu mais novo desafio: o de apresentador do SóTocaTop, ao lado de Fernanda Souza, nas tardes de sábado da Globo. “A minha carreira sempre foi marcada por quebra de barreiras, de coisas diferentes que eu venho fazendo. E eu acho que esse programa é um grande passo”, avalia o astro.

Como a atração global apresenta um ranking dos artistas mais tocados na semana, Luan diz estar feliz por poder conhecer novos artistas e trocar experiências. Mas, antes de tudo, ele lembra que não é apresentador, assim, a ideia é estar o mais natural no palco. “E isso pode ser até engraçado”, diverte-se ele, que também dedica-se ao novo projeto musical inovador Live-móvel.

Foto: Globo/Fábio Rocha

O Só Toca Top vai ajudar você e outros artistas a entenderem mais a diversidade da música brasileira?

Eu acho que sim. Eu acho que essas oportunidades e essas ideias vão acontecendo ao longo do tempo. Acho que isso é muito natural e eu sou muito feliz por tudo que venho construindo, porque eu tenho 10 anos de carreira. É mais que um presente apresentar um programa de música, em que a gente vai escancarar para todo mundo o que Brasil está mais ouvindo. Eu acho que precisa de um programa assim na TV. Hoje a gente vê ranking na internet, na rádio, em todos os lugares e não tinha um ranking na TV ainda. Então a gente resolveu juntar tudo isso, fazer uma média geral e jogar na TV.

Como você descreveria o programa?

O Raoni sempre fala, e eu concordo com ele, que nunca foi tão gostoso e tão fácil ouvir música. Hoje a gente ouve todos os estilos de música, não tem mais aquela coisa da sociedade ser dividida em tribos. Hoje em dia, a gente pode perceber que quem escuta samba, escuta rock, sertanejo, forró na mesma playlist, então isso é muito legal ao meu ver. E o programa é exatamente isso, é uma mistura de gêneros e só reflete o que as pessoas estão mais ouvindo no momento. A sensação que eu tive quando a gente estava gravando o piloto é que era uma pancada atrás da outra, não dava tempo nem de respirar. A dinâmica do programa está muito legal! Saia o Kekel, com Amor de Verdade, e já vinha Só Quer Vrau e, de repente, o Fernando e Sorocaba cantando a música deles que todo mundo canta. Eu e a Fernandinha olhava assim... Era uma festa.

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De onde você buscou inspiração para o Luan Santana apresentador?

Muita gente tem me perguntado se eu tenho visto algum apresentador para pegar os trejeitos. Eu acho que o legal dessa história vai ser eu ter o meu jeito, é claro que eu preciso estudar a questão de posicionamento das câmeras, de que jeito olhar para determinado lugar, entrar por uma porta e sair pela outra, isso demanda um certo tempo de estudo. Mas eu acho que as pessoas querem ver o Luan ali mesmo, a minha naturalidade e é isso que eu vou tentar passar. Quando eu estou vendo o Faustão, os grandes nomes, eu fico olhando como eles se portam. É como eu disse, as pessoas querem ver o Luan, não querem ver eu imitando ninguém, nem fazendo o que ninguém faz. Eu acho que a naturalidade é muito legal, porque as pessoas sabem que eu não sou apresentador, que eu sou cantor, e eu acho que essa naturalidade pode até ser engraçada.

Qual artista top você levaria para cantar no programa?

O Justin Bieber.

A Fernandinha disse que levaria a Beyoncé. Vocês dois estão bem interessados nos artistas internacionais...

Não precisa ser internacional? Ah, então o Roberto Carlos.

Como fica o lugar do compositor num programa que visibiliza a música, não só os artistas que estão em cima do palco?

Eu sempre fui um cara que valoriza muito o compositor, até por ser compositor também. Junto com o Caliman, eu tenho várias músicas, estou gravando duas, inclusive, nesse novo projeto meu. Essa linha de trabalho eu fiz com um parceiro, o Rafa Torres. Eu conheço o outro lado da moeda, também componho, conheço esses caras, eles frequentam a minha casa, a gente divide ideais. Eu acho que a composição é muito disso. Sempre que a gente puder mencionar quem foi que fez esse hit, de quem é isso aqui, a gente vai fazer isso no programa.

Com a parceira Fernanda Souza. Foto: Globo/Fábio Rocha

Antes dessa missão de apresentar um programa, você já fez uma participação na novela Rock Story, em 2016. Desafio é com você mesmo, né?

É como eu disse, as coisas vão surgindo e a gente vai vendo se enquadra no plano de carreira que eu tenho dentro de mim. A minha carreira sempre foi marcada por quebra de barreiras, de coisas diferentes que eu venho fazendo. Eu acho que esse é um grande passo, uma importante fase da minha vida esse programa SóTocaTop. Tem tudo a ver comigo, é um programa de música, de troca de experiência, vai me fazer muito bem trocar experiência com os artistas que estão passando lá, que pensam diferente de mim. Fazer som junto com eles vai ser muito legal para mim.

Você está preparado para as críticas que surgirão, isso te incomoda?

Ah, eu vejo o que é realmente pertinente. Eu sou um cara que sempre levou muito em consideração as críticas construtivas. No começo me fazia mal porque via de tudo, pesquisava meu nome no Google, para ter noção, para ver o que as pessoas estavam falando no começo da carreira. Então, isso me fazia mal e, muitas das vezes, sem fundamento nenhum a crítica, isso me machucava muito. De uns tempos para cá eu aprendi a separar mais as coisas e com o SóTocaTop não vai ser diferente. Se a crítica for construtiva eu vou levar em consideração sim.

Apesar de ter uma certeza experiência com apresentação, a Fernandinha disse que ainda está aprendendo sobre esse universo. Como você está avaliando a sua performance?

Pô, se ela ainda está aprendendo, então eu estou ferrado, vou largar mão (risos).

A sua rotina mudou após aceitar o convite da atração?

Por ser segunda-feira a gravação do programa é um dia, sim, que a gente reservou na agenda para gravar, é um dia tranquilo.  Geralmente, eu volto do show no domingo à noite, estou em casa e como é aqui em São Paulo facilitou minha vida num tamanho enorme. Se fosse no Rio ia complicar mais.

No palco com Eduardo Costa. Foto: Globo/Fábio Rocha

E o que você anda fazendo para aguentar essa rotina agitada, tem feito exercícios?

Eu não comecei esse trem ainda não, mas preciso começar (risos). Estou me achando gordo ultimamente, eu acho que tenho que voltar. Eu tinha uma rotina muito legal de exercício e de alimentação, confesso que estou meio relaxado nos últimos tempos.

Por ser um homem vaidoso, você sente que as pessoas ainda têm um pouco de preconceito com quem gosta de se cuidar?

Eu sou fissurado mais em cabelo. Eu gosto mais de mudar, mudo o tempo todo de cabelo, sou mais focado em cabelo. Eu acho que o estilo de qualquer pessoa começa no cabelo, é a primeira coisa que eu reparo numa mulher, por exemplo.

Fala um pouco sobre o seu novo projeto musical, o Live-móvel?

É um projeto que a gente não está falando ainda porque vai demorar uns dois meses para a gente lançar a primeira música dele. Como não tem esse compromisso de gravação de DVD, horário para o público estar lá, então a gente está gravando em várias cidades, levando um caminhão, que é um palco. A gente abre a porta do caminhão e ele tem um palco, daí a gente faz um show para as pessoas. Já levei para um assentamento em Lagoas, foi muito emocionante, as pessoas nunca tinham visto aquilo. Eu queria um lugar onde as pessoas não me conhecessem, mas quando a gente foi lá algumas pessoas já conheciam, têm TV. Talvez ainda role um lugar desse, onde as pessoas estão realmente isoladas do resto do mundo.

Então o foco é buscar regiões onde o acesso ao entretenimento seja mais complicado?

Isso! O brilho nos olhos das crianças que moravam lá, eu acho que nunca vi isso na minha vida. Tanto que até os músicos que estavam tocando comigo choraram. Levamos fogos, quando a gente estourava as pessoas não entendiam nada do que era aquilo. São várias situações, um outro a gente levou para a orla de Maceió. Tipo, o caminhão andando, a gente tocando e as pessoas começaram a ver que quem estava ali era o Luan e seguiam o caminhão.

Não tem horário e nem local marcado publicamente para o Live-móvel acontecer?

Nada marcado, isso que é muito legal. Está sendo muito legal esse projeto, mas a gente vai falar mais sobre ele quando for chegando mais perto.

Além de artisticamente, esse projeto te ajuda a renovar como ser humano também?

Muito, muito. Teve uma outra situação em que a gente encontrou uma fã no interior de Minas que nunca tinha tido um contato direto comigo. Já tinha ido num show, mas não tinha condições de me acompanhar direto. Estrela do Indaiá o nome da cidade, se não me engano, é uma cidade de 10 mil habitantes, até menos. A gente parou o caminhão na igreja, na praça central da cidade, começamos a tocar para aquela fã, para um fã. A gente está criando situações inusitadas para fazer um show para as pessoas.
 



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