Ivete Sangalo credita sucesso à sorte e a uma “energia” de amor

Estrela diz como está sua “louca” e apaixonante rotina com vinda das gêmeas


  • 13 de julho de 2018
Foto: Globo/Raquel Cunha


Por Redação

*Veja a entrevista também em vídeo, abaixo.

Até pode ter uma ou outra pessoa que não curta Ivete Sangalo... Mas olha que é difícil, já que a baiana virou praticamente unanimidade no Brasil. Seja pelo talento, o carisma, a simplicidade, a transparência, o fato de rir de si mesma ou de ser “gente como a gente”. A verdade é que ela contagia a todos em qualquer lugar que esteja. E foi assim também no lançamento da sétima temporada do The Voice Brasil, nos Estúdios Globo, do qual é uma das técnicas.

Entre as curiosidades sobre a cantora, uma delas era saber como tem lidado com a nova rotina, agora com a chegada das gêmeas, Marina e Helena, de 5 meses, da união com o nutricionista Daniel Cady, e como o primogênito Marcelo, de 8 anos, tem lidado com isso tudo.

Sem cerimônia, a gaiata cantora provocou gargalhadas ao falar de seu dia a dia. “É atenção para o Marcelo, para as gêmeas, para o pai, ai, vou desmaiar... É o dia inteiro com vontade de fazer cocô, porque não dá tempo, só quando todos dormem. Falo isso porque muitas mães vão se identificar”, ressalta a estrela.

Na entrevista, Veveta, que cantará o tema de abertura da nova trama global das 7, O Tempo Não Para, também falou sobre a gravação do novo DVD, Ivete Sangalo Live Experience, em dezembro, em comemoração aos seus 25 anos de carreira. E revelou que muito de seu sucesso tem a ver com “vozes” do universo...

Agora com as gêmeas, como você está administrando seus compromissos profissionais?

Eu fiz um planejamento. As minhas nenéns têm cinco meses e agora eu retomo aos pouquinhos a agenda. Como o meu trabalho é de deslocamento, eu fiz um planejamento de vida onde eu só me desloco 'xis' dias do mês. Eu consegui organizar a minha agenda. No The Voice a gente já sabia que ia fazer essa edição, e todas as mudanças feitas foram ditas muito antecipadamente. Então eu vou e volto, vou e volto, e irei esperar mais um pouquinho para trazer elas também comigo.

Com as gêmeas Marina e Helena. Foto: Reprodução Instagram

Qual o segredo para ter um casamento de 10 anos, três filhos lindos e uma carreira de sucesso?

Não sei se pode falar (risos). Primeiro, a gente tem que ter uma comunhão do que a gente quer. Quando você encontra uma pessoa que ama, começa a compartilhar com ela semelhanças de sonhos, das expectativas sobre a vida. E quando tem amor, o tempo passa e você nem percebe, e aí vem os frutos, que são os filhos, os consolidadores da relação. Não é um segredo. Em toda casa, casamento ou relacionamento que quer ser duradouro, é preciso haver discussão, diálogo, um pouco de estresse, discordâncias, rotina. Honestamente, a rotina não me incomoda. Sou uma mulher muito caseira. Eu acho que respeito é duradouro para qualquer relacionamento, gera a admiração, que gera um convívio bom. Apesar de vivermos juntos, cada um tem a sua vida, a sua rotina, seus interesses muito particulares e, no meio dessa caminhada, os pontos de interseção.

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E como é a divisão das tarefas dentro de casa, quem melhor troca a fralda?

Eu tinha um filho único, o Marcelo. De repente, veio mais duas. Daí é aquele amor... Você quer fazer tudo o que está rolando com as duas ao mesmo tempo, e não é possível. Você fica querendo segurar as duas, trocar as duas juntas, botar para dormir. Aí você precisa fazer um planejamento, e o pai entrou com tudo, e o Marcelo também foi muito maravilhoso. A casa ficou uma loucura, mas não tem coisa melhor.

Em algum momento o Marcelo ficou com ciúmes?

O Marcelo sempre teve uma vida de muito amor, atenção. Ele não é uma criança carente. Quando as irmãs chegaram, viu aquilo como um presente. Agora, ele se impõe, tipo: ‘Mãe, eu queria jogar futebol com você’. Ele não envolve elas na discussão da minha atenção para ele. Aí eu entendo a mensagem e, como todas as mães de muitos filhos, tenho que dividir a atenção.

Com o primogênito, Marcelo. Foto: Reprodução Instagram

O Marcelo já apareceu em vídeos tocando instrumentos. Como fica o coração de mãe e artista sabendo que o filho tem esse dom?

O pai toca também, e ele vê a rotina dentro de casa, onde entram músicos incríveis. Quando ele era pequeninho, o Carlinhos Brown foi almoçar lá em casa, na Praia do Forte. Ele ouve Carlinhos desde a minha barriga, pari ele com uma música de Carlinhos que chama Cachorro Louco. Pensei: 'O menino vai ser da pá virada'. E não deu outra, é o Carlinhos mini. E nesse dia que Carlinhos estava lá em casa, ele ainda bem pequeno, pegou um bongozinho e começou a tirar som. E Carlinhos disse: ‘Pelo amor de Deus, o que é esse menino tocando?’. E quando vimos esse potencial nele, não alarmamos. Meus pais não fizeram isso comigo. Eu tinha uma liberdade de escolha grande e só fui entender que queria ser cantora já grandona. Então, não é uma preocupação, é mais prazeroso. E no meio disso, de tocar bongo, ele gosta de velejar, de pescar, de jogar futebol e de tantas outras coisas. Seria muito louco da minha parte ser tendenciosa. Isso não é educação, é pressão. Tudo o que ele se dispõe a fazer eu estimulo, eu e o pai participamos.

Em dezembro você grava o DVD Ivete Sangalo Live Experience para comemorar seus 25 anos de carreira. Como estão os preparativos?

São 25 anos de uma carreira maravilhosa, vitoriosa. Eu posso falar de boca cheia, não é nem uma análise de quem está de fora, é uma análise minha, eu tenho muita sorte na minha carreira, no desempenho dessa minha vida musical. E é massa porque é uma coisa que eu gosto de fazer, não é um trabalho. O trabalho é o deslocamento, o desfazer mala, pegar voo, mas o contato com a música, o público, isso tudo é uma sorte. Eu quero comemorar esses 25 anos de carreira em dezembro, vai ser no Allianz Parque. E para eu fazer isso com a excelência e o amor que eu tenho sobre as coisas, eu não posso ter tantas coisas entrelaçadas porque eu tenho os meus filhos agora. Tenho que ter equilíbrio, fazer com calma.

Você pode falar um pouquinho mais sobre esse DVD?

Chama Experience porque vão ser muitos momentos. Coisas que precedem a gravação do DVD e pós DVD. Então, é uma experiência que vai englobar esses 25 anos de carreira. É uma tentativa de a gente trazer para o meu público uma coisa nova, embora a gente já se conheça muito. Digamos que será uma roupa nova, mas quem veste é a mesma pessoa.

Com Brown, Telé e Lulu no The Voice. Foto: Globo/Raquel Cunha

Por que São Paulo foi escolhida como palco desse DVD?

Porque lá é um centro de encontro, o país inteiro pode estar ali. Na Bahia eu tenho o Carnaval, que é uma experiência, uma presença exclusiva na minha terra. Só que eu tenho fãs no Brasil inteiro e eu tenho que pensar neles. E uma coisa muito legal é que nesses 25 anos de carreira, eles ficaram amigos entre si. Então, tem uma mobilização de cuidar, de um ir no casamento do outro, na formatura. É muito massa isso! A experiência vai ser esse encontro, onde todo mundo vai poder estar junto.

As crianças do The Voice Kids participaram do seu último DVD, gravado na Bahia. Há chance dos adultos dessa sétima temporada do The Voice serem levados para o Experience em dezembro?

Tudo nessas experiências têm que vir de uma espontaneidade, de uma emoção. Calhou de eu não conseguir me desvencilhar das crianças. É muito difícil no Kids, é uma loucura aquilo. Eu chegava em casa e não dormia, chorava pensando nas crianças que sairam e nas que irão sair. O adulto já tem um preparo, embora as crianças tenham me ensinado muito. A gente cristaliza a negativa, eles não. Eles perdiam uma batalha, choravam, mas meia hora já estavam correndo pelos corredores. E eu dizia: ‘Meu Deus do céu, será que eu estou subestimando eles? ’. Foi uma vontade de ter eles comigo para eternizar aquele encontro, de eu ter feito parte daquilo. Então, não é uma carta marcada. Não gosto de nada premeditado como um joguete. Eu tenho um pouco de medo disso.

Um participante falou que o The Voice não é uma fábrica de carreiras meteóricas. Como você analisa essa relação do vencedor ser talentoso e a fama?

Até na carreira de um artista que já está consagrado, gravando os discos, não existe nada meteórico. São pequenas etapas que a gente tem que fazer. Você não atropela, senão você vira uma máquina, um produtão mesmo. O sucesso não pode ser pelo olhar do outro e, sim, por um olhar íntimo. O que eu mais ouço é: ‘Ivete, e quando você não era ninguém e depois...’. A gente é alguém. E nessa vida de alguém tem uma carreira, uma música, a família, o filho. O sucesso de um artista é, primeiramente, muito íntimo. Essa coisa de determinar o sucesso a partir de muitos números ou poucos, preconceitos ou preceitos, só atrapalha. Às vezes, um cara tem um público de ‘xis’ pessoas, vende ‘xis’ discos, a música dele faz downloads tantas vezes, e aquilo para ele já é uma grande vitória. Então qual o equívoco? Com arte a gente não padroniza absolutamente nada. As diferenças são o que incrementam a vida da gente. Só porque fez o The Voice, o cara tem que gravar com fulano, fazer tal coisa? Será que o sucesso daquele artista já não é pisar naquele palco se realizando?

Foto: Globo/Raquel Cunha

O que passa pela sua cabeça ao perceber que vai completar 25 anos de carreira sendo um nome de referência na música brasileira?

Eu nunca imaginei. Às vezes, passo uma semana dentro de casa.... Aí vou buscar meu filho na escola, entro no carro e começo a ouvir buzinas e fico: ‘Meu Deus, será que passei no sinal vermelho? Daí eu ouço: ‘E aí, cantora? ’. Então, eu lembro. Às vezes, encontro pessoas na rua que falam coisas e têm enxurradas de amor, e eu chego em casa falando: ‘Rapaz, nunca pensei, nunca planejei isso’. Entre outras coisas que vão acontecendo fora do meu controle. Tem muita coisa que acontece que não tem nada a ver com empresário, equipe, planejamento, quando o homem quer, ele organiza e vai. O que penso é que sou uma mulher de muita sorte porque há muitas boas cantoras nesse país, pessoas talentosas. Então, o fator sorte e privilégio eu estou sempre contemplando na minha vida. Às vezes, dou risada, fico emocionada porque ouço muita coisa de pessoas que transformam momentos através de uma música ou de uma frase que a gente diz. Tem coisas que não são da nossa responsabilidade, alçada, que caminham junto com a gente, que vão guiando ali. Às vezes, sinto, parece que estou ouvindo: 'Fale isso, faça assim...'. É uma loucura. Eu só digo: “Continue falando, não desliga, tá, amor?...”

Seria o “universo” falando para você?

Eu ouço muito, 'Ivete, te amo', 'Minha mãe adora você', 'Eu fui num show seu', isso tudo vai gerando uma energia, isso falado, pensado, sei que muita gente ora por mim. Quando eu vejo, estou me sentindo uma espaçonave, e eu sinto isso mesmo. Dou a responsabilidade de muita coisa que acontece, a isso também. Não é, ah, eu acordo com una criatividade maravilhosa, menitra, tem dias que a gente não sabe onde está, para onde vai...

Recentemente, saiu uma notícia de que que você não estava ligando muito para dieta. É verdade?

Tem tantas opiniões mais esclarecidas do que as minhas e que podem até mudar o meu conceito sobre isso, mas na minha opinião, a dieta não pode ser um impedidor de felicidade. Tem que ser uma coisa natural, necessária.

A alimentação está muito restrita por conta da amamentação?

Eu acho que o leite está muito mais ligado ao emocional. Óbvio que você não pode ser uma mãe desnutrida, vai ser ruim em vários aspectos. Você não vai dar o leite, nem a atenção, nem o amor, vai estar sob um estresse absurdo. Eu acredito em saúde porque eu já me deparei em situações de a estética estar impecável, e os resultados serem terríveis. E como eu já me deparei com gente muito sem saúde na estética deplorável. O que eu assumo? Eu assumo a minha condição de lucidez sobre a minha vida. Sou uma mulher saudável, vaidosa, dentro de um limite, quero estar linda, sem barriga e tal. Mas se isso não é possível no meu tempo, a barriga vai ficar e vai esperar até a hora dela sair, ou não. Porque isso é um casulo, o tempo vai dar conta disso. Não adianta eu tomar isso como a minha verdade absoluta, não vai me levar a lugar nenhum. E nós mulheres sabendo que enquanto uma tem um cabelo lindo, não gosta do joelho, a outra não gosta do braço... Cada uma de nós tem a melhor parte, ninguém vai ter todas as partes. Não existe isso. Até quem a gente acha que está perfeito, quando conversa vê que não é nada disso. Eu acho que a gente fica buscando essas coisas meio que para sair de uma monotonia, do problema, da rotina. Eu sou uma mulher completamente da saúde.



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