É tombamento mesmo! Conheça single da cantora Ohana Azalee, a Rainha Barbada

“Não sabem a diferença de draq e mulher trans”


  • 11 de dezembro de 2017
Foto: Betina Polaroid/Divulgação


“Ser um homem feminino. Não fere o meu lado masculino. Se Deus é menina e menino. Sou Masculino e Feminino...”. Esse trecho do hit Masculino e Feminino, de Pepeu Gomes, traduz bem a forma como a drag queen Ohana Azalee quer aparecer no mercado da música. Assim, o seu criador, há dois anos, o tatuador Wallace Oliveira, pode até se inspirar no estilo musical do fenômeno pop Pabllo Vittar. Mas pára por aí!

Seu visual está longe do de “princesa”, já que não esconde os traços fortes do lado masculino de Wallace. O sonho da "Rainha Barbada" é agitar as pistas do país com o recém lançado single, Piridrag, um batidão vibrante, que, em um dos trechos, diz: “Novinha e abusada, se joga na balada!".

“É para ir até o chão, tombamento mesmo! Quanto mais piridrag melhor! A música fala de uma pessoa que é tipo abusada, que dança na frente do meu boy, mas tudo é uma brincadeira e uma questão de limite. Sou a favor que cada um possa ser quem quiser, se jogar! Mas, lembrando que a sua liberdade termina onde começa a do outro”, diz ela, que compôs letra e música. Formada em artes e fotografia, Ohana começou a estudar música desde novo e chegou a cantar em igreja, depois em bandas e grupos de vocais.

E sobre o nome “diferente”? Ela explica que queria um africano e encontrou Azalee, que significa menina cantora. Já Ohana veio da paixão por filmes da Disney e saiu de Lillo & Stitch. Já entre as referências musicais, no Brasil, a já citada Pabllo, além de Glória Groove e Suzy Brasil, e internacionais, Shea Coulé, Tyra Sanches e Bianca Del Rio.

Rainha Barbada, um nó na cabeça das pessoas

“O lado positivo de optar por ficar com barba é justamente o nó que a gente dá na cabeça da sociedade, porque a maioria das pessoas não sabe a diferença de uma drag para uma mulher trans. Se deparar com aquela figura feminina, que explora sexualidade e feminilidade, com barba e pernas peludas, faz as pessoas pararem e pensarem. Muitas vezes já fui questionado sobre 'O que eu sou' quando estava montada, e é demais poder abrir um canal de interação com as pessoas só por existir”

Quebra de preconceitos

“Comecei a ser drag na época em que me envolvi com movimentos de militância negra e LGBT. Estava numa fase de quebra de preconceitos e de desconstrução e a Ohana surgiu para me ajudar a ser uma pessoa melhor. Depois eu comecei a pensar um pouco mais no lado artístico, mas no início foi mais por desconstrução mesmo”

Eclético

“Nunca tive uma preferência musical só. Venho do gospel e tenho um carinho por esse tipo de música, mas tenho calafrio da maioria dos cantores e suas filosofias de vida. Ouço desde pagode até folk. Realmente não tenho critérios!”



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