DJ Cady, 15 anos de sucesso e nova fase: “É libertador”

Expoente da música eletrônica, baiana agora canta, compõe e produz suas canções


  • 04 de setembro de 2018
Foto: Divulgação


Por Luciana Marques

Natural de Salvador, Ana Clara Cady, a DJ Cady, ainda nova, ficava vidrada nas coleções de Lps e fitas do pai, Willlian. Quando ele fazia “mixtapes” (fitas cassetes mixadas), então, ela adorava. “Beatles fez parte do meu 'beabá'. E a primeira vez que me senti artista foi quando fiz uma apresentação de uma composição própria para a minha mãe”, lembra.

Toda essa paixão pela música a fez se mudar para São Paulo, aos 20 anos, a fim de se aprimorar como DJ e produtora. Logo depois, uma temporada no exterior lhe permitiu se aperfeiçoar nos seguimentos da house music, do main stream ao bass. Nessa época, começava uma carreira no exterior, quando morou seis meses na Índia.

Desde então, são 15 anos de sólida carreira como DJ, tocando em mais de 14 países, e os principais clubs ao redor do mundo. Sua versatitilidade nos sets, energia e conhecimento musical a fazem atingir públicos do mais jetset ao popular. E se hoje se fala muito dessa “nova mulher”, imagina como era estar à frente das carrapetas há 15 anos? Cady diz que sentia, sim, um certo preconceito naquela época, por “não ter cara de DJ”.

Atualmente, a artista vive uma nova fase profissional. Além de DJ, ela canta, compõe e produz as próprias músicas. “É libertador”, define. Após lançar Nothing Wrong, já disponível em todas as plataformas digitais, ela está prester a apresentar, ainda este semestre, Better Place, em parceria com o DJ Breno Rocha.

Foto: Reprodução Instagram

Quais sempre foram as suas maiores referências na música?

Sempre fui muito eclética, e o Brasil ajuda muito isto.  Do lado nacional, curto muito Novos Baianos, Carlinhos Brown, Gal Costa, Gilberto Gil, Marisa Monte, Seu Jorge, Tim Maia, Lulu Santos, Legião Urbana, Cassia Eller; sendo que o ritmo do Olodum sempre esteve em minhas veias. Minhas influências internacionais variam muito, como os Beatles, Led Zeppelin, Michael Jackson, Aretha Franklin, Donna Summer, Madonna, Guns n’ Roses, Earth Wind and Fire, Jimmy Hendrix e Aerosmith. A lista é infinita, e sei que minha música exala isso.

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De que forma você foi parar no universo da música eletrônica?

Meu interesse começou na adolecência, morando num prédio onde tinha uma boate a qual eu escutava tudo da varanda. Minha irmã mais velha sempre ia, e quando chegava me dizia os nomes das músicas, aí eu pesquisava e curtia quando ia em lojas de discos.

Você já trabalha como DJ há 15 anos, e esse mercado sempre foi dominado, principalmente no início por homens. Você sofreu algum tipo de preconceito no início?

Sim, por ser mulher e DJ numa época em que a música eletrônica no Brasil não era tão popular. O esteriótipo relacionado a DJ’s era de pessoas obscuras que se identificavam somente com a noite. Ou seja, “eu não tinha cara de DJ”. Muitas vezes permiti que pessoas subissem ao palco durante minhas apresentações, sabendo que na verdade queriam “conferir” que eu realmente estava mixando.

A gente vê hoje todo este momento desta nova mulher do feminismo, e como mulher trabalhando na noite, em festas, se sente hoje mais respeitada?

A profissão de DJ vem ganhando mais relevância a cada dia no mercado de trabalho, através de grandes artistas. O momento da mulher e o espaço que segue conquistando é muito importante. Fico muito feliz de ser mulher e poder expressar minha arte com tanta liberdade.

 

 

Como é para você como DJ brasileira, ter tocado em várias partes do mundo e ver todo este reconhecimento do seu trabalho?

Minha percepção de tudo isso é de realização, de poder todos os dias transformar em realidade os meus sonhos. O Brasil é 'um país que é um mundo', aprender e dividir com outras culturas, cruzando fronteiras, é inspirador e muito gratificante.

Agora em 2018 você está numa fase de carreira, onde além de DJ você canta, compõe, produz. Fale um pouco deste novo momento, pode vir mais novidades nos shows?

Me emociono ao descrever este momento. É libertador, pois estou conseguindo realizar algo que vem sendo criado há muito tempo. Toda minha experiência de vida e trabalho está exalando na minha criatividade. Novidades sempre! Com detalhe e carinho vem muita coisa por aí.

O que mais inspira você na hora de compor? Do que falam a maioria das suas letras?

Felicidade. O que me inspira é inspirar, é saber que através da minha história e do meu trabalho posso tocar outras pessoas. Tudo é questão de perspectiva, tudo se transforma, todos temos as nossas histórias. Quando colocamos outro protagonista podemos vê-la de uma forma mais leve, com sabedoria.

Apresentação no Japão. Foto: Reprodução Instagram

O que você tem mais ouvido hoje na sua playlist?

As músicas mais antigas sempre fazem parte de minhas seleções, é muito boa a sensação de captar uma nova mensagem da mesma letra. Minha curiosidade também me faz viajar em artistas novos todos os dias. Hoje estou curtindo Rufus du Sol, Odesza, Christine and the Queens, Bob Moses, Jonas Blue, e outros.

Fale um pouco do seu próximo lançamento, a música Better Place?

É sobre o aqui ser um lugar melhor. Cada um de nós pode fazer isto acontecer.

Você já fez uma parceria com a sua cunhada, a Ivete Sangalo (cantora é casada com o nutricionista Daniel Cady, irmão da DJ). Vocês trocam muito sobre música, como é a relação de vocês?

Foi uma experiência incível, a Ivete tem um conhecimento técnico e musical infinito. Além de ser uma pessoa maravilhosa, a habilidade que ela tem de inspirar é indescritível. Sempre que nos encontramos trocamos muitas figurinhas musicais, principalmente sobre o que cada uma está criando. Tenho muita sorte de tê-la em minha vida, uma mulher, mãe e profissional maravilhosa.

E como é ser tia do Marcelo e das gêmeas Marina e Helena, você é do tipo babona que mima muito?

Sou apaixonada por crianças, todos os meus sobrinhos são maravilhosos e sou babona mesmo! São todos lindos, me considero uma tia de muita sorte.



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