As “emoções” de Liah Soares: Primeira gravidez e dueto com Roberto Carlos

Ela fala da expectativa com chegada da filha, do encontro com o Rei e do novo álbum


  • 11 de maio de 2020
Foto: Roberta Paro


Por Luciana Marques

Assim como a maioria das pessoas, Liah Soares, de 40 anos, vive uma fase mais introspectiva em meio à pandemia do Coronavírus. Mas para a cantora, os hormônios têm aflorado ainda mais. É que ela está grávida de seis meses de sua primeira filha, da união com o ator Carlo Porto. “Dias de reflexão e apreensão com tudo que está acontecendo. Viver minha primeira gravidez em isolamento é algo que realmente nunca havia passado na minha cabeça”, avalia. Por outro lado, a quarentena está fazendo com que ela e o marido se dediquem a cada detalhe para a vinda do bebê, como montar o quartinho. “Sinto que meus sonhos agora não são só meus”, fala a paraense.

E se na vida pessoal, ela vive esse “turbilhão de emoções”, a carreira também só tem lhe dado boas notícias. Liah acaba de lançar o single Baião a Dois, parceria com Iana Marinho, que fala de amor e de esperança. A canção faz parte de Infinito, quinto álbum autoral da cantora, com lançamento previsto para o segundo semestre. Outra novidade que deixa Liah bastante orgulhosa é o dueto com Roberto Carlos na canção A Cor do Amor, também uma parceria dela com Iana. A música fará parte da trilha de Um Lugar ao Sol, trama das 9 que substituirá Amor de Mãe, sem data de estreia definida. “Quando penso nisso parece que a ficha ainda não caiu direito (risos)”, conta.

Foto: Roberta Paro

Qual foi a sua reação ao saber que o Rei Roberto Carlos gravaria com você A Cor do Amor? Eu já sabia que ele havia gostado dessa música e que pretendia gravar, e já estava vibrando com isso. Afinal de contas, é uma honra ter uma composição minha gravada por um ícone da nossa música. Mas quando ele me fez o convite para gravarmos juntos realmente não dá nem pra explicar o que eu senti, sempre foi um sonho cantar com o Roberto Carlos.  

Vocês dois chegaram a se encontrar na gravação ou cada um gravou de estúdio? Essa gravação ocorreu depois de todo um processo, nos falamos algumas vezes pra falar sobre o caminho do arranjo e depois nos encontramos pra definir os tons, se havia necessidade de uma modulação ou não (pois cantamos em regiões diferentes) e o Roberto estava sempre preocupado em fazer o melhor pra música. Aliás, durante todo esse processo era lindo ver o cuidado e a dedicação que ele tem com a música mesmo depois de tanto sucesso e anos de carreira. Finalizamos juntos no estúdio dele, que sei que é um lugar quase que sagrado pra ele. É a sua segunda casa, e estar ali e viver toda essa experiência foi também um presente pra mim. O Roberto sempre muito gentil fazia questão de dizer que a canção era muito boa e o tocava profundamente.

Conta um pouco sobre a canção, qual a mensagem e em que momento da sua vida ela foi composta, junto com a Iana, né? Sim, compomos juntas essa música. E a ideia central da letra é contar uma história de amor que começa a partir de uma amizade. Acho que todo compositor busca escrever algo que as pessoas se identifiquem. E falar sobre uma amizade que desperta algo diferente em determinado momento era uma temática que a gente queria abordar, pois acreditamos que muita gente já viveu algo parecido.

Foto: Divulgação

E como foi saber que a canção estará na trilha da próxima novela das 9, ainda mais ao lado do Rei? Eu já tive algumas canções em novela, duas inclusive em novela das 9 (a música Você por Perto na novela Em Família e Girassol, que fez parte da trilha de O Sétimo Guardião). E é sempre emocionante ver a sua música ganhar novo sentido com as personagens, mas dessa vez tem um sabor especial por ser um dueto com o Roberto.

Viver de música no Brasil não é fácil. Que filme passa na sua cabeça, daquela menina que venceu um festival aos 12 anos, depois saiu de casa, do Pará, batalhou muito cantando em bares em SP... Deve ter levado muitos nãos, né, até conseguir seu espaço? Passa um longa-metragem com certeza! (risos) Levei muitos nãos, alguns dolorosos, velados. A falta de espaço numa grande cidade pra uma menina que veio do Norte com um violão e um sonho nas costas era, às vezes, cruel. Minha casca teve que ficar grossa pra não desistir e ainda assim conseguir manter a sensibilidade e a paixão pela música que foi o que sempre me moveu apesar das dificuldades. Hoje eu tenho plena consciência que chegar nesse lugar é de certa forma um privilégio, pois é um espaço que muita gente gostaria de estar. Batalhei muito pra alcançar cada etapa da minha carreira e valorizo cada vitória. Eu só agradeço!

Você acha que o mercado da música mudou hoje? Já há aqueles que nem contam mais com gravadora, usam a força das redes sociais. Como vê isso tudo? Sim, o mercado mudou bastante. A internet e outras tecnologias que permitem que qualquer pessoa grave em um home studio e distribua sua música nas plataformas digitais pulverizou bastante as opções. O mar de artistas que se lançam é gigantesco e alguns conseguem se destacar através das redes sociais. Portanto não existe mais aquela necessidade de se ter uma gravadora que te ajude com uma estrutura e tudo mais. Ao meu ver é uma mudança positiva, pois isso abre um leque de oportunidades pra muita gente e ao mesmo tempo o mercado fica mais competitivo e a música ganha uma velocidade como nunca antes. O público quer novidade o tempo inteiro e daí vieram os singles, canções lançadas individualmente, independente de qualquer projeto… Sinto saudade da época em que um artista lançava um álbum inteiro ao mesmo tempo e tudo ali fazia sentido e parte da concepção do disco. Hoje eu tento fazer isso, mas me adequando a demanda de necessidade de um mercado que anseia por novidade.

O que pode adiantar do próximo álbum? É um álbum muito verdadeiro e o mais intimista possível, as canções numa roupagem com poucos instrumentos, valorizando a canção e partindo sempre do meu violão e voz. Tem alguns duetos especiais, inclusive um com o Zeca Baleiro que é produtor do disco junto comigo. A gente acabou de lançar duas músicas: A Proposta e Baião a dois. E em breve, no final de maio, vem a próxima. A ideia é ir soltando aos pouquinhos pra dar tempo do público ir apurando cada música e até a metade do segundo semestre teremos liberado todas.

Além de várias novidades lindas na sua carreira, você vive um momento único na vida pessoal. Como recebeu a notícia da gravidez, foi planejado? Sim! Um momento único na minha vida! Já sonhávamos com um filho, mas a gente ainda iria começar a tentar esse ano. Só que veio antes, no final do ano passado. Descobri que estava grávida e realmente foi uma grande surpresa, mas creio que tudo acontece no tempo de Deus. Estamos muito felizes e sonhando com a carinha dela que com certeza já mudou nossas vidas pra sempre. 

E como tem passado a sua gravidez, porque muda tudo, né, corpo, cabeça... Muda muito, os hormônios e a sensibilidade afloram ainda mais. A própria gestação já traz um aprendizado muito grande de saber acolher e entender que seu corpo não é mais só seu, as necessidades e as prioridades agora são pra que ela se desenvolva com muita saúde. Tomo cuidados redobrados pensando nesse ser humaninho que está crescendo no meu ventre.  Sinto que meus sonhos agora não são só meus, tenho que me adaptar e pensar sempre que agora além de cantora, mulher, filha, e outras funções que eu já acumulava, agora sou mãe. E essa palavra vem imbuída de muita responsabilidade e amor.

A cantora grava em casa clipe de Baião a Dois com o marido, Carlo Porto. Foto: Divulgação

E como está sendo viver isso num momento tão delicado como a quarentena? Dias de muita reflexão e apreensão com tudo que está acontecendo no mundo. Viver minha primeira gravidez em isolamento é algo que realmente nunca havia passado na minha cabeça. Um momento em que eu gostaria, claro, de celebrar com minha família, passear com meu barrigão, fazer compras em lojas especializadas, sonhando com os detalhes do enxoval da bebê, etc. Nada disso agora é possível. Mas estamos nos adaptando à situação pra não deixar a tristeza chegar, temos que nos abraçar com os sorrisos da esperança, tentando ver o lado bom disso tudo. E um lado positivo é que estou tendo mais tempo, sem a agenda de shows a cumprir. E isso faz com que voltemos mais pra dentro, pesquisando, lendo tudo sobre maternidade. E estamos cuidando do quartinho do bebê, por exemplo, de uma maneira mais simples, mas ao mesmo tempo mais simbólica porque literalmente estamos colocando a mão na massa. Em relação ao mundo, é bonito ver a solidariedade das pessoas, uma consciência coletiva que se instaura para vencermos juntos essa batalha. Pensando assim o mundo nunca mais será o mesmo. Tenho convicção que sairemos dessa melhores.

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