Cacau Hygino lança a biografia da gloriosa Zezé Motta

Livro fala da carreira e lutas: “Cada trabalho, uma superação, nunca deixou esmorecer”


  • 14 de dezembro de 2018
Cacau e Zezé. Foto: Vera Donato


Por Redação

São 53 anos de carreira, 14 discos, 35 novelas e mais de 40 filmes. Mas mais do que os números extraordinários, uma trajetória de muita luta e superação, contudo sem nunca deixar esmorecer. Assim, Zezé Motta é retratada na biografia assinada por Cacau Hygino. “O que acho incrível é o fato do negro ter tão pouco espaço nas artes no nosso país e Zezé nunca ter deixado de trabalhar”, lembra Cacau, autor também das biografias de Irene Ravache e Nathalia Timberg.

Em Zezé Motta – Um Canto de Luta e Resistência, Cacau fala também da fase em que a estrela chegou a negar a cor, para, logo em seguida, mergulhar de corpo e alma no movimento negro. Entre outras curiosidades, conta que a música Tigresa, de Caetano Veloso, por exemplo, foi feita para ela, e não para Sônia Braga, como muitos acreditam.

Com prefácio de Cacá Diegues, o livro também traz depoimentos de amigos de Zezé como Lázaro Ramos, Alessandra Maestrini, Carlinhos de Jesus, Lúcia Veríssimo, Rosamaria Murtinho, Silva Pfeifer e Taís Araújo. Maria José Motta, de 74 anos, estreou profissionalmente na emblemática peça Roda Vida, em 1969, de Chico Buarque, e depois voou para o mundo como Xica da Silva, em 1976. E a partir daí, muitos outros trabalhos históricos, que só lendo o livro para relembrar. 

Nós conversamos com o autor Cacau Hygino e ele nos contou sobre mais detalhes da obra.

Capa do livro. Foto: Divulgação

O que o público pode esperar da biografia Zezé Mota – Um Canto de Luta e Insistência?

Não se trata daquelas biografias que fala desde o feto no útero até os dias atuais. Optei por dar um painel da vida de Zezé, onde coloco várias curiosidades sobre sua carreira, coisas que as pessoas não sabem. Claro, os grandes trabalhos estão lá também! 

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O que foi mais difícil no processo de escolher o que entrava ou não na obra?

Eu sou muito tranquilo em relação a isso. Deixo o biografado bem à vontade. Peço pra ele me contar tudo e quando acabo de escrever, sempre pergunto: 'O que quer tirar?'. Ou eu mesmo indico o que acho bom tirar. Não gosto de fazer biografias polêmicas. Depois a dor de cabeça é minha! E quando o livro vai para a gráfica, já era! Aí Inês é morta! Foco muito mais na carreira no que na vida particular. 

Você já conhece Zezé há muito tempo, mas durante as pesquisas sobre a vida dela, o que mais o surpreendeu?

Olha, nada me surpreendeu, pois eu já sabia muita coisa da vida dela. Da sua luta, dos conflitos, das dificuldades , da garra... Inclusive eu já atuei com Zezé. Ela fez minha mãe no musical Abre Alas da Maria Adelaide Amaral, em 1998 , com direção de Charles Moeller e Cláudio Botelho. Agora, o que acho incrível é o fato do negro ter tão pouco espaço nas artes no nosso país e Zezé nunca ter deixado de trabalhar. Trabalha sem parar, seja no teatro , cinema, TV e até mesmo como cantora. Isso é incrível! 

Zezé é ícone também de luta contra a segregação racial, uma das atrizes que abriram caminho para vários jovens negros que hoje fazem sucesso, estão apresentando programas de TV, protagonizando novela. De que forma você mostra isso no livro?

De forma natural. Não enfatizo isso. Zezé passou por momentos de preconceito e os superou muito bem. A cada trabalho, uma superação. Não deixou esmorecer, não desistiu. E desse forma foi abrindo espaço para os negros que vinham atrás dela. Mas sabe o que acho bacana na Zezé? É que ela não é uma negra que vive patrulhando 24 horas, achando que tudo é preconceito, reclamando de descriminação, levantado bandeira o tempo todo. Ela sabe que o problema existe, mas conduz tudo de forma muito natural e madura, sem sofrimentos, sem mágoas e sem achar que tudo é racismo. 

Tem alguns casos divertidos também que você possa citar?

Ela passou por um momento de negação da cor e usava uma peruca chanel. Quando fugia da polícia na época da Revolução em São Paulo, num dia de perseguição, sua peruca voou e ela nem reparou! Quem avisou a ela foi a Marília Pera. Aí Zezé ficou desesperada!

Livro: Zezé Motta – Um canto de luta e resistência. Autor: Cacau Hygino. Editora: Companhia Editora Nacional. Páginas: 256. Preço: R$ 39,90.



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