Samira Carvalho: Das passarelas para a telona, com Boliveira

Modelo estreia em Tungstênio como par do ator. “Só coisas lindas a dizer dele”


  • 25 de junho de 2018
Foto: Reprodução Instagram


Modelo brasileira reconhecida por seus inúmeros trabalhos em campanhas, editoriais ou desfiles, Samira Carvalho acaba de encarar um outro grande desafio na carreira, assim como faz desde 2004, quando venceu o concurso de uma revista voltada para o público negro. Ela estreia como atriz no longa Tungstênio, de Heitor Dhalia, em cartaz nos cinemas. “Um dos maiores desafios foi a entrega total em um dos ensaios”, conta.

Queridinha de nomes da moda como a estilista Diane Von Furstenberg, de quem já abriu e fechou desfile em Nova York, ela dá vida no longa à intempestiva Keira. A personagem vive um relacionamento violento e tóxico com o marido, o policial Richard, papel de Fabrício Boliveira, no ar em Segundo Sol, como o Roberval. “Parceiro leal, só tenho coisas lindas a dizer sobre ele”, elogia.

O novo longa de Dhalia, baseado no quadrinho homônimo de Marcello Quintanilha e ambientado em Salvador, mostra retrato da exclusão e tensões sociais do Brasil. Assim, acaba explorando as tensões que permeiam as relações humanas, onde situações banais podem acabar em consequências imprevisíveis.

Keira (Samira Carvalho). Foto: Divulgação

Confira a entrevista de Samira:

Como surgiu esse convite?

Conhecia Chico Accioly e a produtora Marcella Bergamo de outro projeto, então quando começaram a pesquisa, me convidaram para fazer o teste para Keira. Foram duas etapas, a primeira aconteceu em São Paulo e outra em Salvador, e no final fui aprovada. Fiquei muito feliz! Primeiro trabalho é algo tão diferente e complexo.

Você já conhecia a HQ de Marcello Quintanilha?

Conheci quando fui chamada para o teste, e imediatamente comprei o livro para conhecer a história e tentar me inteirar mais.

O que mais instigou você na personagem e também no filme?

A espontaneidade. E os personagens são bem definidos e os diálogos são naturais.

Tungstênio marca seu debut nos cinemas e, logo de cara, como protagonista. Como você vê tudo isso?

É uma responsabilidade e tanto, ainda mais com a Keira e em um filme com toda esta equipe. Eu gosto desse tipo de desafio. Foi maravilhoso começar assim!

Como você se preparou?

Fiz aulas de capoeira com o Mestre Neneu, de samba de roda com a Dona Nalvinha, e sai com a Jamylle que interpreta Lúcia, amiga de Keira, para fazer compras na avenida Sete, entre outras atividades. Mas tudo isso foi perfeito, porque tivemos a preparação do Chico Accioly e da Ana Luíza Almeida. Um dos maiores desafios foi a entrega total em um dos ensaios. Por exemplo, tive que gritar, berrar sem vergonha, mesmo sabendo que todo mundo estava ouvindo. Foi difícil, e quando consegui, cai aos prantos.

E como foi a experiência de contracenar com o Fabrício Boliveira?

Fabrício foi meu parceiro em todos os momentos. Só tenho coisas lindas para dizer sobre ele. Profissional dedicado e parceiro leal. Se tornou um amigo. Foi mais um presente deste filme!

Richard (Fabrício Boliveira) e Keira (Samira Carvalho). Foto: Divulgação 

E com o diretor Heitor Dhalia, como foi a relação no set de filmagem?

Heitor é um diretor objetivo e preciso que sabe exatamente o que quer da cena e como tirar isso dos atores. Ao mesmo tempo, ele nos dá liberdade de improviso, algo que acho maravilhoso. Não tive outras experiências com direção antes deste trabalho, mas acho que vou ficar 'mal-acostumada'.

Como você definiria a Keira?

Keira é uma mulher explosiva, guerreira de coração gigante, porém muito frágil. Uma brasileira nata.

Para o espectador, Keira é uma personagem que passa muita angústia e fúria. Na sua visão, o que a levou a esses sentimentos e por qual motivo ela se mantém nesse relacionamento?

Na minha visão, todos os traumas causados pela violência física, psicológica e verbal que Keira viu e viveu ao longo da vida, a levaram a ter essa energia.

A relação entre Richard e Keira é tóxica e tensa, muito comum em relações atuais. O que você pensa sobre isso, principalmente, na importância de se debater essa questão da violência doméstica? 

É muito triste saber que pessoas vivem relações destrutivas desse modo, e muito por conta da estrutura social, possivelmente estejam tão habituadas a isso que não conseguem compreender a gravidade dessa realidade. Espero que o filme possa trazer essa reflexão e de alguma forma, levantar esse debate nas famílias.

 

 

Como você enxerga a relação Tungstênio x sociedade atual?

Infelizmente, a sociedade não avançou o suficiente em relação a essa temática, para esses problemas deixarem de fazer parte da realidade. Se a gente pensar: qual é a nossa participação nisso tudo? Será que temos empatia com as pessoas que estão ao nosso lado? Estamos dispostos a transformar e melhorar? Precisamos indagar para tentarmos encontrar respostas e assim avançar.

O que significa para o cinema nacional ter um filme com o elenco predominantemente negro e uma equipe quase 100% baiana?

Tungstênio aposta na força de um retrato social da Bahia que se reflete por todo o País. Cada história contada tem como personagem uma figura que vive às margens da sociedade e é tratada com descaso na vida real.



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