Jacqueline Sato: “É difícil! Mas estou feliz com minha caminhada"

Atriz estreia no cinema, protagoniza série e atua nas causas ambiental e dos animais


  • 23 de fevereiro de 2018
Foto: Jorge Bispo


Por Redação

Aos 29 anos, Jacqueline Sato começa a colher os frutos de muita entrega e dedicação à carreira. Depois de se destacar como a Yumi, de Sol Nascente, em 2016, ela aguarda ansiosa, ainda para esse primeiro semestre, a sua estreia no cinema no longa Talvez uma História de Amor, estrelado por Mateus Solano, e como protagonista da série (Des)Encontros, do canal pago Sony. “Estou muito feliz com a minha caminhada até aqui e espero sempre dar mais passos, tentando ser melhor como atriz e pessoa”, avalia ela.

Mas até começar a conquistar seu espaço, Jacqueline batalhou. Aos 12 anos, chegou a apresentar o programa Sessão Super-Herois, da CNT. Mas a decisão de se tornar atriz veio aos 16 anos. Ela se formou em Rádio e TV, pela FAAP, e na Escola de Atores Wolf Maya. “Não é um mar de rosas, você tem que aprender a lidar com frustrações, porque são 99 nãos para um sim. Mas quando a sua vontade é maior, não tem alternativa. Você continua na luta e vai buscando melhorar”, diz ela, que também se destacou em tramas como Além do Horizonte, em 2013, e Na Mira do Crime, em 2014 .

E se você pensa que as lutas de Jacqueline param por aí, está enganado. Apaixonada por animais, ela criou junto com a mãe, Magali, a ONG House of Cats, que resgata gatos abandonados ou em situação de maus tratos, e coloca para doação. Além disso, também batalha pela causa ambiental.

"É gostoso olhar para trás e ver como eu era muito tímida, sou até hoje, mas, ao mesmo tempo, você vai trabalhando inseguranças suas. Tem gente que fala que teatro não é terapia, mas é terapêutico. Você vai se conhecendo muito através dessa arte."

Foto: Jorge Bispo

- Como avalia a sua caminhada como atriz?

Eu estou caminhando... (risos) Foi uma boa caminhada até agora, de muito esforço, vontade, e muito não que você diz para várias coisas na vida. Mas muitos sins para você mesmo, é sempre uma escolha que tem a ver com você, com o seu propósito. Agora, estou olhando para trás, desde o dia que escolhi que queria tentar, e hoje eu vivo disso. Lembro que tinha 16 anos. Conversei com minha mãe, estava em dúvida para o vestibular e eu fui riscando as opções. Sobraram algumas, entre elas a de atriz, mas achava difícil. E a minha mãe disse, mas se você não tentar, nunca vai saber. E aquilo ficou na minha cabeça. E fui atrás, comecei a estudar. Começo, meio e fim, porque o estudo não tem fim na sua profissão, seja qual for. E é gostoso olhar para trás e ver como eu era muito tímida, sou até hoje, mas, ao mesmo tempo, você vai trabalhando inseguranças suas. Tem gente que fala que teatro não é terapia, mas é terapêutico. Você vai se conhecendo muito através dessa arte.

Mas são muitas as batalhas nessa carreira, não?

É bem difícil! Não é um mar de rosas, você tem que aprender a lidar com frustrações, porque são 99 nãos para um sim. E eu estou sendo legal, porque, na verdade, são muitos mais nãos para você ser aprovada em algum teste. Mas quando a sua vontade é maior, não tem alternativa. E tem que entender que, às vezes, é uma falha sua não conseguir, mas, outras, simplesmente, não. Não adianta ser perfeita a cena, tem a ver com o físico também, tantas coisas. Uma vez ouvi que quando o autor escreve, ele já tem lá o ator que vai ser. Na verdade, só está esperando achar. E, muitas vezes, é isso, é a pessoa. Então, gosto de acreditar nesses caminhos da vida, de que tem que ser do jeito que é. E quando você é ator, isso te conforta também, porque, se não, você sempre vai achar que é um problema seu. Mas o quão dificil é, a parte boa é equivalente.

"Fazer cinema é a realização de um sonho. Sempre foi um dos meus maiores desejos. Acho que é a arte que mais me influenciou a ser atriz, sempre vi muitos filmes."

- Acredita que a sua participação em Sol Nascente abriu portas para outros trabalhos?

Para mim, foi um grande aprendizado. E a novela, em si, foi realmente um sucesso. Leve, a família toda assistia. E é muito gostoso, porque até hoje vejo as pessoas falando, nossa, eu adorava a novela, torço para você ficar com o Tiago (Marcello Melo Jr.). E é bom saber que tinha muita gente torcendo pela felicidade do seu personagem. É gostoso ver quando o público tem essa empatia com você. E sobre ter aberto portas, acredito que sim, influenciou. Mas é o acúmulo de pequenas coisas que você vai fazendo, de aprendizado, estudo, cursos e trabalhos. As pessoas começam a te conhecer, o seu trabalho, e uma coisa leva a outra. Eu acredito sempre que nada é por acaso. E, com certeza, fez parte da minha história e uma parte muito importante, que levo no coração.

Em cena de Sol Nascente, em 2016. Foto: Divulgação

- Como surgiu o convite para o cinema?

Para começar, isso é a realização de um sonho. Fazer cinema para mim sempre foi um dos meus maiores desejos, desde nova. Acho que é a arte que mais me influenciou a ser atriz, via muitos filmes. Quando aconteceu o convite, eu fiquei muito feliz porque foi por uma indicação da Bel Valiante, que tinha trabalhado comigo na série Psi, da HBO. E o meu papel era de uma jornalista, e gravei só três cenas. E quando soube que ela me indicou, pensei, nossa, que legal! Ela lembrou de mim.

Como é a sua personagem no filme e como foi atuar com o Mateus Solano?

Eu faço a Carol, uma professora de yoga. Ela é ex-namorada do Virgílio, que é interpretado pelo Mateus Solano. Ela ajuda ele numa saga, 'talvez uma história de amor'. Talvez, por quê? É que ele recebeu uma mensagem na caixa postal da Clara terminando com ele, mas não lembra quem é a Clara. Mas todos em volta, os amigos, a mãe, todos lembram. E a Carol também. Ela é a primeira pessoa que ele vai falar nessa busca da Clara. E trabalhar com o Mateus, nossa, incrível, ele é uma pessoa maravilhosa, animado, generoso, um grande ator.

No filme Talvez Uma História de Amor, com Mateus Solano. Foto: Divulgação

"Gosto de acreditar nesses caminhos da vida, de que tem que ser do jeito que é."

- Você  também protagonizará a série (Des)Encontros, da Sony. O que mais a instiga nesse trabalho?

Cada trabalho tem algo novo, é um desafio. Dessa vez é maior, porque é a minha primeira protagonista. Estou muito feliz! Você tem um trabalho maior, a sua personagem realmente conduz a trama. E isso vai ser demais de fazer, acho que é o sonho de todo o ator e está acontecendo comigo. Então, o que mais me instiga é eu estar lá presente e dando o meu melhor.

- Qual o seu sonho na profissão?

Eu já estou começando a realizá-lo. Claro que a gente quer sempre mais e eu gosto de sonhar alto. Tem aquela frase, você mira na lua para acertar as estrelas, e é isso que eu faço. Então, sempre busco o máximo de tudo. Quero poder trabalhar em todas as áreas. Fazer teatro, aí engloba também musical, que acho desafiador, cinema, TV, série, poder transitar por todas essas áreas. E quero poder trabalhar internacionalmente também. Mas sei que para isso o esforço ainda é maior, muito coisa mais envolvida, a língua. Mas eu tenho essa vontade, pretendo estudar fora um tempo. Já falo inglês bem e estou fazendo um curso para diminuir o sotaque. É o que eu falei, a gente tenta, e tem que mirar alto. E que nunca me falte trabalho como atriz e que eu esteja apta a interpertar os personagens que a vida me trouxer.

Foto: Ricardo Penna

- Você também tem a ONG House of Cats. Fale um pouco sobre esse seu trabalho.

Aos 9 anos, resgatei uns gatinhos na escola. E os meus pais diziam, tem que devolver. Mas quando voltei na escola, descobri que a mãezinha abandonou os sete filhotes. Voltei com eles para casa, meus pais ficaram com cabelo em pé, mas tiveram dó. Ficamos com eles e depois achamos donos para eles. Depois passou um tempo, vira e mexe eu cruzava com gatos. E comecei a fazer isso, cuidava em casa e encontrava algum dono depois. Foi aumentando a procura, e eu e a minha mãe resolvemos abrir uma página no Facebook chamada House Of Cats. Se a pessoa entra em contato, a gente faz uma triagem. E é tão bonito ver a junção, quando dono e animal se encontram, essa conexão. A gente já ajudou uns 400 gatos. Hoje tem mais pessoas que nos ajudam, a doutora Priscila, que é de Alphaville, castra os animais e cobra basicamente só o medicamento. E a mãe é o meu braço direito, esquerdo, perna, porque me mudei para o Rio, mas sempre que posso ajudo. Um dos meus sonhos é que a ONG cresça, porque eu amo muito os animais e a natureza.

"Meu desejo é que a nossa ONG House of Cats cresça, resgatamos gatos abandonados, cuidamos e colocamos para doação. E é tão bonito ver essa conexão, quando dono e animal se encontram. A gente já ajudou uns 400 gatos."

- Falando nisso, você também é engajada nas questões ambientais...

Quem não se preocupa, está fora da casinha, porque nosso planeta está sofrendo grandes mudanças, consequências que nossos antepassados fizeram. Se a gente não tiver conscientização disso todo o momento, vai ser mais rápido, vão acontecer mais catástrofes. E não é só o básico, reciclar, economizar água, tem muita coisa que você pode fazer. Eu mudei meus hábitos alimentares, não como carne vermelha há 4 anos, por causa dos animais e da poluição. Fora isso, deixei de ser muito consumista. Tenho buscado marcas que tem essa consciência de sustentabilidade. É um capitalismo louco, que se você não parar para pensar, vai nessa correnteza. Gostaria de fazer mais, contribuo para o Greenpeace, procuro me envolver e ficar sabendo de ações. O Mateus Solano me incluiu no grupo de whatsapp Mudar para Preservar. Nós fomos numa lagoa em Jacarepaguá que esta totalmente tóxica, e o governo não olha para isso, estamos tentando chamar a atenção, juntamos lixo com outros voluntários. Tem o pessoal do Route que faz essas ações de limpeza. A gente precisa mais da natureza do que ela da gente. Eu não desisto e espero colaborar mais.



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