Cininha estreia na direção nos cinemas: "A TV tem visão mais masculinizada da profissão"


  • 05 de novembro de 2017
Foto: Felipe Mazzucatto


Por Claudia Dias

Na televisão, Cininha de Paula acumula sucessos como diretora. Mas foi este ano - mais precisamente em setembro passado - que ela fez sua estreia nas telonas, com o longa Duas de Mim, protagonizado por Thalita Carauta. "Já tinha esse namoro com o cinema há tempos, mas acabou não acontecendo, um pouco também por causa da televisão. Nunca conseguia abrir mão dos projetos que tinha para aceitar outras propostas. Agora, aconteceu e eu estou muito feliz", comentou ela.

O primeiro projeto de Cininha para o cinema teria a participação de sua filha, Maria Maya,  do casamento com o diretor Wolf Maya. "Alguns anos atrás, queria fazer a adaptação da peça 'A Menina e o Vento' de Maria Clara Machado, com a minha filha, mas acabamos não tendo oportunidade. Mudou a Lei do Audiovisual e foi tudo por água abaixo", contou.

E o flerte não parou por aí. "Logo depois, pintou o convite para fazer O Divã. O projeto acabou sendo adiado e eu voltei para a televisão para fazer Pé na Cova (seriado estrelado por Miguel Falabella)", lembrou ela. A lista de sucessos da diretora na televisão ainda conta com novelas como Cobras & Lagartos e Salsa e Merengue, e séries como Vida AlheiaSexo e As NegaToma Lá Dá Cá. Na conversa com o Portal ArteBlitz, a diretora fala ainda de preconceito na sua área e da sua escola de artes, CNArtes, com unidades no Rio e em São Paulo.

Experiência no Cinema 

“Eu gosto dos desafios. Se não, continuaria a ser atriz . Eu era uma ótima atriz. Mas a experiência de dirigir no cinema foi maravilhosa. Mergulhei nesse processo de cabeça e tive tempo para ele. Tive que pensar, pesquisar e conceituar tudo por minha conta. Como não tínhamos um orçamento muito alto, porque eles só poderiam pagar as três semanas antes do filme, fiz tudo com os meus recursos. Da busca das locações ao storyboard para as cenas de ação. E não me esqueço nunca, foram 33 sequências, a idade de Cristo.”

"Eu gosto dos desafios. Se não, continuaria a ser atriz . A experiência no cinema foi maravilhosa. Mergulhei nesse processo de cabeça e tive tempo para ele."

Identificação com a história

“Sempre fui duas de mim. Fui dona de casa, mãe, e tinha que correr para cumprir meus compromissos na televisão. Mas, gosto muito do que faço. Sou uma avó no mercado de trabalho. Acho que é um compromisso moral, tenho de dar conta do mundo em que vivo. As pessoas podem nem perceber, mas espero que, vendo o filme, se deem conta de que, apesar da fantasia e dos efeitos, essa história é real. Duas de Mim é sobre a mulher moderna. Toda mulher sabe o que é ter dupla, tripla jornada. Dar conta da família, do trabalho, do afeto.”

"Sempre fui duas de mim. Dona de casa, mãe, e tinha que correr para cumprir meus compromissos na televisão. Mas gosto muito do que faço. Sou uma avó no mercado de trabalho." 

Thalita Carauta

“Eu quis a Thalita desde o começo. Tanto que esperei oito meses por ela, até que ela se liberasse de todos os trabalhos que já tinha assumido. Sou fã dela desde “Os Suburbanos”, mas nunca tínhamos trabalhado juntas. Ela é uma força da natureza. A Cris D’Amato a convidou para fazer ‘SOS Mulheres ao Mar’ e eu já dizia que gostava muito do trabalho dela. Fiquei emocionada com ela fazendo humor. E ela diz uma frase que eu gosto muito, que Chico Anysio (tio dela) sempre dizia: ‘O humor pode ser tudo, até engraçado’.”

"A televisão tem uma visão mais masculina da profissão. Tem que ser muito macho! Posso até sofrer preconceito, mas nem enxergo ele. Não dá tempo!"

Preconceito

“No cinema, não existe. Há muitas mulheres por lá. A televisão tem uma visão mais masculina da profissão. Acho mais barra pesada. Tem que ser muito macho! Mas, eu já tinha escolhido uma profissão mais ‘masculina’, que era a medicina. Eu posso até sofrer preconceito, mas nem enxergo ele. Não dá tempo! Trabalho muito. Eu sou uma sobrevivente, uma operária da arte”.

Curso de teatro livre para crianças e adolescentes

“Não apenas damos o curso. Eu também monto espetáculos com crianças que querem se produzir. Eles (as crianças) são os atores e os produtores investidores. Eu disponho a minha expertise para essas crianças, todas entre 8 e 16 anos. Estamos montando ‘A Megera Domada’, no Teatro Nair Bello, em São Paulo. O Wolf (Maya, diretor e ex-marido de Cininha) nos cedeu essa pauta e está super feliz. Nos apresentamos em duas sessões aos domingos. Nossa ideia é de que, em vez de ficar pedindo emprego, eles mostrem o seu talento. Se precisarem, os produtores de elenco vão atrás deles. E os meninos são muito talentosos. Estamos em São Paulo e pretendemos trazer para o Rio. Vamos ver como os cariocas reagem.”

 



Veja Também