Caetano Veloso canta contra a censura e homenageia Marielle Franco

Cantor divide o palco com Maria Gadú e Marisa Monte no leilão #queremosqueer


  • 17 de março de 2018
Caetano e Gadú. Foto: Vera Donato/Divulgação


O show Caetano Veloso contra a Censura, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio, acabou virando também um ato político em homenagem à vereadora Marielle Franco, do PSOL, executada a tiros, na capital carioca. Não só o cantor e compositor, mas convidados que dividiram o palco com ele como Marisa Monte e Maria Gadú, não escondiam a emoção. “Marielle, presente!”, gritavam na plateia.

Keyna Eleison,Marisa Monte e Fabio Szwarcwald. Foto: Vera Donato/Divulgação

Na ocasião, foi realizado no local o leilão #queremosqueer, em formato parede, de modo silencioso, com lances feitos pessoalmente e por telefone, em respeito à morte trágica de Marielle. Um total de 81 obras, doadas por artistas como Adriana Varejão, Angelo Venosa, Nuno Ramos, Anna Bella Geiger, Efraim Almeida, Iole de Freitas e Raul Mourão, estava exposto nas Cavalaricas do Parque Lage, local que vai abrigar a exposição Queermuseu, prevista para junho.

Sophie Charlotte, Daniel Oliveira e Maria Casadevall. Foto: Vera Donato/Divulgação

Em 31 de janeiro deste ano, Fabio Szwarcwald, diretor-presidente da EAV lançou um financiamento coletivo para arrecadar um total de R$ 690 mil com o intuito de trazer ao Rio a exposição Queermuseu – cartografias da diferença na arte brasileira. A mostra foi censurada e cancelada em Porto Alegre no ano passado, e vetada de vir para a capital fluminense pelo atual prefeito Marcelo Crivella.

Durante o evento, metade dos lotes oferecidos foram vendidos, e o leilão segue on-line durante uma semana. Caetano Veloso foi um dos artistas que se propôs a ajudar realizando o show beneficente, com venda de ingressos revertida para o financiamento coletivo.

Alinne Moraes e Caetano. Foto: Vera Donato/Divulgação

No repertório da apresentação, músicas alusivas à condição de mulher e letras de cunho político, como Podres Poderes, Milagres do Povo e Tieta. Entre as 500 pessoas que lotaram o local, tradicional reduto de resistência artística, nomes da dramaturgia, como Alinne Moraes,  Daniel Oliveira, Sophie Charlotte, Johnny Massaro e Maria Casadevall, e das artes plásticas, como Barrão, Raul Mourão e Anna Bella Geiger.



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