Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira

Mostra censurada e fechada em Porto Alegre é reaberta com sucesso no Rio


  • 19 de agosto de 2018
Foto: Divulgação


Uma vitória contra a censura e em prol da liberdade artística e do respeito às diferenças. Desde sábado, 18 de agosto, os cariocas têm a oportunidade de conferir, com entrada gratuita, a reabertura da exposição Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, nas Cavalariças da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV). O interesse do público foi tanto no primeiro dia, que era necessário esperar até uma hora na fila para entrar. Do lado de fora, um pequeno grupo religioso protestou em frente ao local.

A mesma mostra foi fechada e censurada em 10 de setembro do ano passado, quando estava exposta no Santander Cultural, em Porto Alegre. A exposição conta com 214 obras de 82 artistas reconhecidos nacional e internacionalmente. Entre eles, Adriana Varejão, Alair Gomes, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Efrain Almeida, Guignard, Leonilson, Lygia Clark, Pedro Américo, Sidney Amaral e Yuri Firmeza.

Fernando Baril - Cruzando Jesus Cristo com a Deusa Schiva. Foto: Divulgação

A curadoria de Gaudêncio Fidelis reuniu trabalhos de coleções públicas e particulares, de meados do século XX até a atualidade, formando um mosaico significativo da diversidade estética e geracional da produção artística no país. A Queermuseu é a primeira plataforma curatorial com abordagem exclusivamente queer já realizada no Brasil e também da América Latina.

“Reabrir Queermuseu é reparar, em parte, o dano causado ao patrimônio cultural e artístico brasileiro, ocasionado pelo seu fechamento precoce e autoritário e o processo difamatório que se seguiu. A reabertura é também um ato político contra a censura e em favor da liberdade de expressão e de escolha”, afirma Gaudêncio, mestre em Arte pela New York University e doutor em História da Arte pela State University of New York.

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REABERTURA VIABILIZADA ATRAVÉS DE FINANCIAMENTO COLETIVO

A reabertura da mostra foi viabilizada através da mais bem sucedida campanha de financiamento coletivo do país, iniciada em 31 de janeiro e coordenada por Fábio Szwarcwald, diretor da EAV. Em 58 dias, foram arrecadados R$ 1.081.156, através de 1.724 doações, provenientes de 1.659 colaboradores.

Outras iniciativas importantes como um show de Caetano Veloso contra a censura, em 15 de março, e o Levante Queremos Queer, evento que atraiu mais de 2 mil pessoas ao Parque Lage num único sábado, em fevereiro deste ano.

Para Szwarcwald, a reabertura da Queermuseu, que chegou a ser vetada pelo prefeito Marcelo Crivella em 2017, quando cogitada de vir para o Museu de Arte Rio, é um fator de resistência da maior relevância à crescente onda ultraconservadora observada no Brasil. “E o Parque Lage, por todo seu histórico e reconhecido compromisso artístico, é o espaço ideal para receber essa grande mostra”, ressalta.

Em paralelo à mostra, a EAV promoverá o Fórum Queermuseu. Ali, serão discutidas manifestações culturais periféricas, diversas identidades de gênero e orientações sexuais. Tudo com o intuito de reforçar o movimento contra a censura e a intolerância, além de reconhecer a pluralidade artística brasileira.

Adriana Varejão - Cena de Interior II (1994). Foto: Divulgação

Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira. Até 16/09. Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV). Rua Jardim Botânico, 414, Rio. Seg. a sextas, das 12h às 20h. Sáb., dom., e feriados, das 10h às 17h. Entrada Gratuita.

Classificação: A EAV não impedirá o acesso de crianças de qualquer idade à mostra. Mas em um aviso, explica que a exposição não é recomendada para menores de 14 anos desacompanhados, pois contém obras de arte com representações de nudez, sexo e simbologia religiosa.



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