Pedro Arbex, promissor roteirista de webséries, lança Clica no Vacilo

“Produto da web não pode enrolar o espectador”, diz ele, autor de O Quarto ao Lado


  • 16 de julho de 2018
Foto: Rodrigo Lopes


Por Luciana Marques

Cada vez mais o público está podendo escolher o que quer assistir através das plataformas de streaming ou de séries no YouTube. Assim, cada vez mais surgem novos roteiristas, com ideias ousadas, diferentes, modernas e temáticas pouco vistas na TV aberta. Entre os jovens autores mais promissores de sua geração, está Pedro Arbex, de 24 anos.

Com quatro anos de carreira, o estudante de psicologia já ganhou o prêmio Brazil International Film Festival, de Melhor Série de TV e Internet, por seu trabalho em O Quarto ao Lado, em 2016. Dirigida por Rafael Calomeni, a produção de sucesso na web tem temática homossexual. “É um momento completamente novo e, principalmente, a internet é um território muito poderoso”, reitera.

Agora, Pedro acaba de lançar o seu mais novo projeto, Clica no Vacilo, com pegada jovem, solar, e que tem como mote a vingança. E ele fala ainda do seu sonho de escrever uma novela.

Como você começou a escrever webséries?

Eu cresci na era da internet e descobri todo o poder que ela tem. Nós vivemos, hoje, um novo momento. Há um grande movimento de mudança na forma em que as pessoas veem TV. A tela agora é pequena, móvel, e cabe na palma da mão. On demand em expansão, streaming crescendo a cada dia mais, as novas mídias com força total. Escrever webséries me permitiu mostrar o meu trabalho, o que eu faço, e, sobretudo, o que eu amo fazer: escrever.

Quais as principais diferenças de se escrever uma série para a web e para a TV?

O formato e o público são diferentes, opostos. Produto da web não pode enrolar o espectador. Ele tem pressa e milhares de aplicativos ali chamando a sua atenção o tempo todo. Não dá para criar um produto que não cause impacto. Você tem que ser sucinto e tem que saber seduzir para não perder para as redes sociais, por exemplo. A TV também é um pouco assim, mas são formatos e públicos um pouco mais tradicionais.

O Quarto ao Lado tem uma temática homossexual, acha que esse público é sedento por tramas que tratam do assunto da forma mais natural possível?

O público procura representação, seja lá no produto que for e seja lá o público que for. Se ele não se sentir representado no produto, perde a sua audiência. É quase como um espelho: você só compra se você se enxergar. O público homoafetivo é enorme na web e eles querem, mais do que nunca, que as séries e novelas retratem de forma natural o que é natural. Avançamos muito para retroceder. Não dá para caricaturar.

Você diria que o público da web é mais moderno, cabeça aberta e está pronto para entender mais as relações de hoje, o novo retrato das famílias?

Sim, ainda mais hoje que existe um público com bastante militância. Como disse anteriormente, avançamos muito em todos os sentidos. As pessoas entendem melhor, mas, infelizmente, ainda existe muita intolerância. O público da web briga com isso. Ou melhor, o público da web compra essa briga e é fundamental para esse processo de transformação que vivemos hoje na sociedade.

O que mais inspira você para escrever webséries, você tem alguma linha, algum estilo que segue sempre?

Eu gosto muito de falar sobre o amor. Sou completamente aficionado em escrever histórias dramáticas, apesar de me aventurar em outros gêneros porque é necessário.

É muito difícil ainda conseguir atores conhecidos para tramas na web ou é algo que já vem acontecendo normalmente?

Acredito que esse preconceito vem sendo desconstruído. Os atores perceberam o poder da Internet. É uma vitrine com infinitas possibilidades de conexão. A Internet não tem fronteiras. Os atores conhecidos estão se rendendo, aos poucos, a esse novo formato.

Fale um pouco sobre o seu novo projeto, Clica no Vacilo...

Imagine só quatro amigos reunidos organizando um festão de parar um condomínio inteiro em comemoração aos 18 anos de um deles. Agora pense em pessoas do passado voltando dispostos a colocar ponto final nessa festa. Junta isso e dá o Clica no Vacilo. É uma série com pegada jovem, solar, alegre, com muita música, galera se pegando, e, claro, muita, mas muita vingança, que é o que move a trama.

Quais os seus sonhos como roteirista, tem desejo de escrever novela, por exemplo?

É o meu maior sonho. Cresci vendo novela e sou completamente apaixonado pelo gênero. Posso dizer que sou formado e pós-graduado em novela (risos) e, de verdade, me sinto pronto para participar do processo de criação de alguma.



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