Materializa Ana Hortides no esculpir

Por Diogo Mendes – Pontofervura


  • 29 de abril de 2019
Foto: Divulgação


Períodos e talentos ainda não firmam o espaço da escultura nas artes plásticas do Brasil, realizada desde antes da chegada dos europeus. Entre artistas da contemporaneidade, apesar das instalações levantarem charadas, a modelagem unida do artesanato precisa se pintar.

Na obra da artista Ana Hortides* a escultura tem desenvoltura central para o entendimento da própria expressão. Questões das origens, tacanho do cotidiano, residências de maneira frequente sinalizando proteção junto de problemas habitacionais e perspectiva da mulher em sociedade.

Se muitas vezes a pintura é coroada como principal estabilizador das belas-artes, a escultura em Ana Hortides desestabiliza. Um tempo que cabe nas mãos procede as peças elaboradas para o micro – o macro não faz sentido – talvez, não tenha feito e pouco possibilita outras gerações.

Gerações serpenteiam, por um filete anacrônico, os conjuntos de esculturas da artista nascida no Rio de Janeiro em 1989. E mais tentar a compreensão desse choque do antigo, presente e novo está na aproximação do universo criado pelos entalhes que nada embebedam do clichê carioca.

Vidro e cola compõem a escultura, O Menor Abrigo #2 (2015) que consiste em uma fileira de casas envidraçadas, todas transparentes e indistinguíveis. Com afastamento, podendo fazer a leitura de ser os quintais dos brasileiros, ademais satiriza um ditado conhecido do idioma português.

Em meio aos telhados e paredes de vidros, as residências comprovam uma uniformidade não existente. No que concerne muito do arranjo do pensamento comum das células de moradas, a artista manipula essas estruturas de um material quebradiço, deviam abrigar ainda que avesso.

Avessando, O Menor Abrigo #5 (2017) constitui uma casa tão ínfima que cabe em meio aos dedos. A cor negra da morada, apenas ocorre identificação através do telhado, a escultura não comente signos de modo necessário destinados aos lares, diante do amparo, impera abandono.

Carvão, um dos combustíveis mais usados e que prejudica o meio ambiente, paradoxalmente vira um teto. Mesmo a metragem seja um pormenor, a obra da artista pouco deixa de colocar o público contra as paredes dos domicílios à proposito em hipótese são lugares de construções.

Estudo Para Mãe #2 (2016), banha de porco, desconstrói o fato de a mulher ter essa exigência vinda da sociedade. Embora os homens sejam emancipados do lado paterno, nas mulheres o materno é instrumentalizado, ainda nos primeiros anos mascarando a própria individualidade e afins.

Do lúdico já que a dupla de peças levanta ambiguidade sobre o estado feminino. Um sem formação completa paralelo ao outro corpo em uma superfície gasta, no fim do abdômen existe um furo, como se tivesse realizado um procedimento cirúrgico e não tivesse feito finalização.

A sucessão de vaginas de diferentes formas em Guardar Silêncio (2018), madeira e parafina, regressa ao tema do corpo da mulher sem perder o corrosivo. Mais sobre a genitália em contraponto com a sociedade que por mais haja o objetivar do feminino, pouco lida a respeito do vagido.

Os materiais escolhidos para a composição por si explicam. A madeira, inúmeras vezes associada ao órgão genital masculino, inclusive gerando nomes e gírias populares ao pênis e a parafina derivado do petróleo, excelente brilho e odor reduzido, contradiz o senso comum da vulva.

Estudo para Mãe, de 2016, feita com banha de porco. Foto: Divulgação

Terra e tijolo da série Construção/ Desconstrução #2 (2017) possuí dois blocos próximos um ao outro, beirando quase por descuido da artista. A questão habitacional, aliás só realiza como circundante e situação ou código de vizinhos. Escultura a vizinhança globalizante, Ana Hortides.

Bem, solo e argila abocam para a probabilidade de sedimentar, igual se a origem fosse também espécie de início. Da vista do que se atinge das esculturas da artista a necessidade de compreender ancestralidades ao passo que residida dentro do dia a dia de batalhar – sendo brasileira.

78 miniaturas de bebês da escultura, Cor de Pele (2017) está representando auroras dos brasileiros, todos de cores vermelhas e pretas apontam majoritariamente para os traços indígenas e negros da população do país. As pequenas esculturas são idênticas, além disso no físico.

Fragilidade corre nessas crianças que estão em um posicionamento de bruços, até mesmo lembrando posição fetal, como caso tivessem acabado de nascer e/ ou morrer. 12 gizes de cera de cores de pele combinam os compostos levando para a observação do vulnerável dos vários brasis.

Materializa Ana Hortides no esculpir espécimes de amuletos, brinquedos infantis e demais itens de tamanho mínimo, prestes a serem carregáveis. Quase que como a escultura contivesse a necessidade de voltar ao primórdio, enquanto era trazida de uma localidade para a outra em qualquer algibeira.

< Ana Hortides e mais 13 artistas participam da exposição Passeata, em cartaz na galeria Simone Cadinelli Arte Contemporânea. Entre 18 março até 29 de maio, Rio de Janeiro. >

https://pontofervura.wordpress.com/2019/03/22/materializa-ana-hortides-no-esculpir/



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