Debby Lagranha: “Me chamam até hoje de filha do Didi e da Xuxa”

Veterinária diz como o Power Couple fortaleceu sua união e anuncia canal no YouTube com a filha


  • 20 de agosto de 2019
Debby com o marido, Leandro, a filha Duda, e seus cães. Foto: Helmut Hossmann


Por Luciana Marques

O Brasil praticamente acompanhou todas as fases de Débora Lagranha, a Debby, na TV, de bebê, criança, adolescente e jovem. Primeiro no Clube da Criança, na extinta Manchete, depois em A Turma do Didi, com Renato Aragão, e No Mundo da Imaginação, com Xuxa Meneghel, ambos na Globo. “Muita gente me vê e fala: ‘Debby, a filha do Didi com a Xuxa. Eu morro de rir, porque realmente me sinto um pouco assim, eles me abraçaram”, conta ela, hoje com 27 anos, mãe de Maria Eduarda, a Duda, de 6 anos, do casamento com também veterinário Leandro Amieiro.

Depois de uma participação em Malhação, Debby optou por deixar a carreira artística e realizar o sonho de se tornar veterinária. E há 9 anos, mantém com o marido uma hospedagem de cães, e há quatro, uma piscicultura, além de atuar na parte clínica dos bichos. Mas recentemente, ao participar com o amado do Power Couple, Debby viu reascender a “luzinha” da fama e da TV na sua vida. “Não me via mais como aquela Debbyzinha que cresceu na frente da telinha. E agora sair na rua e ver esse mutirão acolhendo a mim, meu marido e minha filha, foi muita bacana”, conta.

E como a serelepe e esperta Maria Eduarda, que tem o apelido de Duda Furacão, parece ter herdado o DNA artístico da mãe, no último trimestre deste ano, Debby lança no YouTube o canal Debby Lagranha, junto com a filha.

 

Debby e Duda. Foto: Helmut Hossmann

Que balanço você faz da sua participação e do Leandro no Power Couple? O Power foi muito importante pra gente como casal. Além disso, fez voltar de certa forma a brilhar uma luzinha que por mais que as pessoas me reconhecessem na rua, lembrassem de quando trabalhei na TV, eu, Débora Lagranha, me via como veterinária, mãe, esposa... E agora sair na rua e ver esse mutirão acolhendo a mim, meu marido, minha filha... O Leandro, por exemplo, nem tinha Instagram, ele fez e já tem 30 mil seguidores. Eu tinha 30 mil e estou com mais de 160 mil. Receber tantas mensagens, presentes, acho que o Power foi importante pra gente como seres humanos, para nos fortalecer como casal, amadurecer. Para entender pontos que a gente errava aqui fora, porque lá dentro tudo é muito intenso. Mas a gente se divertiu muito. E a nossa palavra foi superação. Principalmente o Leandro, ele é um bicho do mato, quase não tenho foto com ele, passei a ter agora pós-Power, agora ele tem Instagram, faz selfie... Quem o conhece se surpreendeu, ele mal fala, e no Power ele se entregou, entrou de corpo e alma. A gente conseguiu mostrar o que a gente queria mostrar.

O que foi mais difícil para vocês dois dentro da casa? Eu acho que o mais difícil é lidar com o seu sentimento, você passa a ser o seu pior inimigo. Então você tem que controlar muito bem a sua cabeça, porque o principal sentimento é a saudade. A nossa vida é muito cheia aqui fora, é cachorro pra tudo o que é lado, a Duda, que é um a criança muito agitada. É coelho, é tartaruga, é cliente entrando... Eu brinco que 24 horas para mim é pouco, e quem me conhece sabe o quanto eu sou enrolada. E agora pós-reality está sendo mais surreal ainda por conta dessa loucura de ter que me dividir um pouco para a carreira artística, para a veterinária, para a minha filha, para mim, para o meu marido.

Debby e Leandro. Foto: Helmut Hossmann

Essa experiência desgastou ou mais fortaleceu o casamento? Sem dúvidas alguma fortaleceu. Eu e o Leandro somos muito parceiros, estamos juntos há 10 anos, a gente é sócio há 9. Então há 9 anos a gente fica praticamente 24 horas por dia juntos. Primeiro fizemos a faculdade, depois ficamos sócios da hospedagem de cachorro juntos, temos agora a piscicultura. Então é aquela loucura, o meu sócio é o meu marido. Quando eu tenho que tirar folga, ele tem que trabalhar e vice-versa. Eu e ele não conseguíamos sair assim juntos há 9 anos (risos), então o Power foi literalmente uma lua de mel, uma colônia de férias, um conjunto disso em busca de um prêmio, de um futuro, porque a gente realmente acreditava. A gente foi muito bem nas provas, ficamos felizes com tudo o que a gente pode mostrar e fazer lá dentro. E lá a gente tinha que se comunicar muito, e por a gente ter essa facilidade de estar sempre junto, a gente se conhece por trejeitos, com o olhar, uma risada. Então o Power veio para mostrar tudo o que a gente já foi, o que a gente é e o que a gente ainda tem para ser como homem, mulher, casal, pai, mãe, família.

Vocês eram ali um dos casais mais queridos. Por que acha que saíram? Eu não tenho dúvidas de que pela casa a gente era um dos casais mais queridos. Eu sentia isso, todos nos acolheram, porque todo o mundo entrou mais preparado para um reality. E eu entrei totalmente perdida, não era que eu não sabia o que estava fazendo ali, eu realmente não sabia jogar. A gente entrou com uma cabeça de: ‘Vamos ser a gente’. Apesar de que todo o mundo fala essa frase, é uma coisa meio contraditória. Mas depois que eu saí, conversei com várias pessoas e elas sabem que a gente foi 100% fiel ao que somos. Mas outras com uma certa malícia diziam que, por sermos assim, devíamos encenar... E eu falei, não, eu não entrei para ser um personagem. Infelizmente ficamos em segundo lugar na prova que poderia salvar a gente. Na real foi tudo muito louco, incompreensível, o que fiquei mais em choque foi ver a multidão que nos abraçou quando a gente saiu, foi uma parada incrível. A gente saiu da melhor forma que a gente poderia ter saído. As pessoas ficaram indignadas, dizem que era um absurdo... Eu achava que a gente poderia ir mais longe, mas alguma coisa dentro de mim já me sinalizou no dia da prova, que estaríamos fora. Não sei porque saí, acredito muito na força de Deus, em um propósito que está escrito, tinha que ser. Foi muito intenso, bom, não acabou da forma que eu queria, mas a gente ficou feliz. Eu perdi um cachorrinho naquela terça-feira, e consegui enterrá-lo pelo menos, me despedir dele. Então acho que Deus sabe muito o que faz.

Levam amigos da casa? Eu falo com todo o mundo, isso parece até surreal. Alguns a gente fala o dia inteiro. Realmente a única pessoa que eu não falei desde a saída foi com a Nicole Bahls e Marcelo Bimbi. Eu gosto muito de amigos, a gente sempre teve a nossa casa muito cheia. E a gente tinha entrado com essa cabeça, vamos fazer amigos. Com um mês lá fizemos grandes amigos. Falo quase todo o dia com a Mari, a Clara e a Camila Colombo e seus respectivos maridos. Mas o clube da Luluzinha bomba. Também falo muito com a Kamilla Salgado, a Taty, a Ju. A Drika é muito querida, a gente tenta se falar, unir as crianças, sempre que pode a gente se vê, se fala nesse perrengue que ela passou. Eu tô tentando estar o máximo possível próximo dela porque eu imagino que ela deve estar sem chão, porque tem criança envolvida, uma vida.  

Foto: Câmera Mágica

O que a Maria Eduarda achou da participação de vocês? Quando eu saí até fiquei assustada, porque ela era a comentarista oficial do Power Couple. Ela sabia o nome de todos os casais, a forma que falavam. Ela é muito observadora e gosta de imitar as pessoas. Então ela viu o Power e ficava imitando, a gente chorava de rir com os comentários dela. Na escola, contava tudo para os coleguinhas, as professoras, ela morria de orgulho. A maior preocupação dela foi quando a gente saiu, porque ela queria que a gente ganhasse. A minha mãe dizia tá tudo bem, papai e mamãe vão voltar pra casa. E ela falava, mas eu quero ir pra Disney. Porque o nosso combinado tinha sido esse, mamãe e papai iam ficar um tempo longe, e com o dinheirinho do cachê, de alguma forma a gente ia para a Disney, conseguia se organizar. Esse é o grande sonho dela, há dois anos ela pede. Por ela, a gente podia ficar dois anos lá, mas o importante era levar ela para a Disney quando voltasse (risos). Ela ficou muito orgulhosa. Ela dorme cedo, mas sempre na hora do programa ela acordava.

Você hoje se divide entre a vida artística com a de veterinária, empresária... Como faz para conciliar, é isso que deixa você feliz? Pois é, a minha vida é uma loucura. E não é só isso, tem a mãe, a mulher, a pessoa, é tudo muito... Mas eu acho que a questão de dar aquele jeitinho, às vezes o Leandro fica bravo comigo, porque ele fala que eu quero abraçar o mundo, e eu realmente quero. Eu herdei isso da minha mãe, sou agitada, gosto de fazer e acontecer. Também tem a questão de tempo, de oportunidade, a gente tem que correr conforme a música, aqui ninguém nasceu em berço de ouro. A gente tem que colocar a cara a tapa e correr atrás. Então na minha cabeça é o seguinte. Meu sonho sempre foi ser veterinária, e quando eu tive que optar por uma carreira, optei pela veterinária por questão de realização pessoal, estabilidade. A gente sabe que a carreira artística um dia você está lá em cima, outra lá embaixo. É tudo muito louco e as contas chegam todo o final de mês. Hoje em dia eu tenho uma carreira estável na veterinária, mas aceito desafios. Se Deus me deu essa oportunidade, e eu estou vendo tanta gente achar legal, cobrar e querer mais, ver meu perfil crescer, e isso tudo estar me fazendo bem, porque não se abrir? E eu acho que tem que deixar rolar. Meu foco em primeiro lugar é sempre a minha filha, meus animais, a minha família e o resto é complemento. Aí não tem como não ser feliz.

O país acompanha você desde os 5 anos de idade na TV. O que as pessoas mais comentam com você? Eu acho engraçado a frase que falam: “Debby, a filha do Didi com a Xuxa”. Gente, eu morro de rir, porque realmente me sinto um pouco assim. Eles me abraçaram desde muito nova, e eu acho que todas as minhas melhores lembranças e momentos inesquecíveis sem dúvidas, eles estão presentes. Eles sempre abraçaram a minha família, não só a Debby. Com o Renato, a gente viajou muito pelo Brasil inteiro, foram minhas primeiras vivências de tudo, em relação a palco, shows. Eu só tenho a agradecer. Ainda mais agora que a minha filha está numa idade em que eu comecei, ela é muito esperta, dizem que se parece comigo. Então é engraçado, eles acabam associando muito coisa, aí vem uma avalanche de memórias na minha cabeça.

Hoje, mais experiente, aos 27, como avalia a sua carreira que inciou tão cedo, faria tudo de novo, se arrepende de algo? É tudo muito louco! Eu sempre fui uma criança muito criança. Meus pais sempre me deram a oportunidade de, apesar de ter responsabilidade de horário, decorar texto, fazer e acontecer, nunca tive preocupações com dinheiro, bastidores, ego, inveja, ciúmes. Realmente me sinto em relação a isso como se tivesse crescido numa bolha. Sempre fui muito amada em todas as produções em que  trabalhei, então isso sempre me fez viver aquilo intensamente. Hoje em dia eu vejo, conforme fui crescendo, nos meus 14, 15 anos, eu já comecei a reparar isso, coisas de ego, panelinhas, e aí dentro de você fica uma pergunta. Até onde é justo? Até onde a pessoa está lá por mérito? Te causa uma certa indignação, apesar de você saber que em todas as profissões existe isso. Mas de repente a carreira artística, por você estar muito exposto, acaba sendo uma das carreiras que você mais evidencia isso. Não me arrepende de nada, acho que foi tudo muito legal, meus pais sempre foram muito incríveis, pé no chão. Senão, de repente, eu poderia ser uma pessoa diferente, mas sempre tive pessoas boas ao meu lado. Só que sim, é muito diferente você ver esse cotidiano artístico aos olhos de uma criança e aos olhos do que realmente acontece. Faria tudo de novo? Sim, porque realmente Deus colocou pessoas incríveis na minha vida, mas que é tudo muito louco, é.

Foto: Câmera Mágica

A gente sabe que a fase de transição, da infância para a adolescência, acaba fazendo com que muitos atores mirins não continuem atuando. Você chegou a passar por isso? Sei disso, todo o mundo sofre um pouco por conta de espinha, voz, corpo. São muitas coisas envolvidas. Não me lembro de ter passado por isso. Eu fiquei com o Renato dos 6 aos 12, com a Xuxa dos 12 aos 14, depois fui para Malhação com 14, 15, dos 15 aos 16 e meio fiquei apresentando o Fator X na Rede Boas Novas e fazia algumas participações em novelas da Globo. Pra mim foi tudo muito em sequência, no meio disso tinha comercial, filme, teatro. Mas o que eu lembro e me marcou foi nessa fase de 16 anos, que eu estava começando a estudar, eu entrei na faculdade com 17, eu tinha que me decidir. Se eu ia continuar correndo atrás de teste, de fazer curso disso ou daquilo, ou se eu queria ser veterinária e ia para a minha faculdade em horário integral. Aí que eu tive que escolher o caminho a seguir. Aí optei pela veterinária.

Vendo a sua filhota muito esperta, desenvolta com as câmeras, torce para ela se enveredar para esse mundo artístico ou vocês colocam freio? A Duda desde muito pequena é assim. Meu marido sempre brincava, vamos levar ela a uma agência. E eu que sempre fugi, vai levar em agência coisa nenhuma. Eu lembro que ligavam chamando ela para fazer as coisas e eu sempre dizia, não, hoje ela não pode por isso, não pode por aquilo (risos). Eu sempre inventava algum empecilho. Eu acho assim, sempre fui uma criança tranquila, a minha mãe abdicou da vida dela literalmente para seguir a minha. Tinha uma carreira mais estável financeiramente. Para a Duda é tudo muito intenso, ela tem uma personalidade  forte, ela ama aparecer, pegar o celular e ficar fazendo vários vídeos. Mas é o seguinte, ela faz como ela quer, quando, da forma que quer, ela não gosta de ser mandada. Então ela tem que começar do começo, a se colocar no lugar dela. Ao mesmo tempo eu não quero que seja uma coisa que traumatize ela. Então preferi que não seguisse esse caminho e que ela realmente brincasse ou aparecesse de uma forma mais leve, descontraída que não a obrigasse realmente a cumprir muitas regras. E que ela curta a infância. Mas se lá na frente ela falar, mãe, é isso que eu quero, então a gente vai fazer de tudo e mais um pouco pra ela seguir o que quer. Segundo ela, quer ser médica de pessoas. Até espanta, porque eu e o pai somos veterinários. Mas ela rebate dizendo que veterinária ela já é, agora ela vai fazer outra faculdade, porque já sabe fazer tudo e mais um pouco com os animais. Mas é isso, ela tem que ser o que quiser na hora certa, e Deus é sempre muito bom comigo, vai nos guiando. Eu acho que é dançar conforme a música.

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